O discurso “politicamente correto” foi esquecido para o clássico entre Botafogo e Flamengo, domingo, às 16h (de Brasília), no Maracanã. O atacante alvinegro Bill acendeu o pavio e ouviu a resposta do rubro-negro Marcelo Cirino. As provocações, que andavam adormecidas no futebol moderno, despertaram justamente antes do jogo que faz parte das comemorações pelo aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro.

Tradicionalmente, a cidade acompanhou duelos entre rivais com alfinetadas e bom humor. Era assim na década de 1960, quando o goleiro botafoguense Manga falava em “bicho certo” contra o Flamengo. Os anos passaram e outros jogadores assumiram a missão de promover a rivalidade. Romário e Túlio trocaram farpas na década de 1990, Souza criou a comemoração do chororô…

E a volta ao passado começou com Bill. Escalado pelo Botafogo para conceder entrevista coletiva, o jogador não ficou em cima do muro. Com sorriso no rosto, falou que deixaria a marca no principal rival e que Marcelo Cirino não balançaria a rede. Cada um tem quatro gols no Campeonato Carioca.

“Podem ter certeza que nesse jogo ele não vai fazer gol. Mas eu vou fazer”, disse.

Foi o suficiente para a reação dos jogadores do Flamengo. “Ele fala o que quiser. Estou aqui para ajudar. Se ele falou que vai fazer, deixa para lá. Quero ver se vai fazer mesmo”, afirmou Marcelo Cirino. “Quem tem boca fala o que quer. Tem que falar é depois do jogo. Vamos aguardar”, emendou Alecsandro.

Questionado sobre a troca de alfinetadas, o técnico rubro-negro Vanderlei Luxemburgo reprovou o episódio e chamou atenção para outros aspectos do clássico.

“O que atrai torcida são dois times fantásticos em campo. Essa coisa de provocação é muito boa para a imprensa. O Bill é um baita de um bonachão. Ele tem essa característica. Gosto dele. O jogador tem que ser visto pelo o que faz em campo. Sou contrário. A provocação não acrescenta nada”, comentou.

Por sua vez, o comandante alvinegro René Simões não enxergou problema no comentário de Bill e criticou o lado “político” do mundo da bola.

“O futebol está ficando um pouquinho chato. O jogador dá um drible e dizem que precisa de respeito. A torcida grita “olé” e falam que está desrespeitando o outro time. O Bill falar que vai fazer gol e o Cirino não, não vejo como provocação. É natural, ele está confiante nele mesmo e na zaga dele”, encerrou.

Embalados pelas provocações, os rivais chegam otimistas para o clássico no Maracanã. Resta saber quem vai rir por último na festa de aniversário da Cidade Maravilhosa.

Fonte: UOL