Quando o Botafogo partir nesta terça-feira para Medellín, um colombiano estará esperando ansiosamente, com ingressos na mão, para torcer para o Alvinegro. Trata-se de um apaixonado que divulga o nome do Botafogo na Colômbia com sua equipe juvenil “Botafogo de Itaguí”.

Em 1981, na cidade de Itaguí – a apenas 13 quilômetros de Medellín -, numa competição escolar, o time do então menino Carlos Quiroz (que tinha 11 anos) recebeu o nome de “Botafogo”. O menino não sabia o significado do nome e nem conhecia a equipe brasileira homônima.

– Foi a partir daí que comecei a pesquisar. Então, descobri que havia um bairro com esse nome no Rio de Janeiro, que o time recebeu o nome por causa do bairro e que havia grandes jogadores na história do clube. Percebi que tinham boa atitude, jogavam um jogo bonito, e a partir daí passei a torcer pelo time – disse Quiroz, se declarando fã de Gérson, o canhotinha.

Anos depois, em 2009, Carlos, que já havia crescido e tornado-se professor de educação física, tentava colocar seu filho – também chamado Carlos – numa escolinha de futebol. Mas era difícil.

– Ele nunca conseguia se manter numa escola. Sempre sofria bullying, por causa do peso, da habilidade e vários outros fatores. Até que eu tive a melhor ideia da minha vida: criei minha própria escolinha e pude dar aula a ele.

Na hora de dar nome ao time, não havia ideia melhor do que chamar de “Botafogo”, a equipe pela qual Carlos torcia fanaticamente desde criança.

– O Botafogo está muito bem representado aqui. Me encarreguei de deixar a equipe famosa – diz, orgulhoso.

Além de torcer, Carlos quer ajudar. Torce para que o Botafogo entre em contato para buscar seus melhores atletas.

– Temos muitos talentos. Se o Botafogo quiser, podemos trocar boas experiências.

Mais que um time de futebol

São 134 crianças, de 3 a 16 anos, que treinam no clube, inclusive 12 meninas. Metade delas vem de famílias de baixa renda, e, portanto, é necessário que haja um trabalho social além do futebol para mantê-las no clube e treinando.

– Com muitos, eu ajudo até na parte econômica. Damos também os uniformes. Algumas vezes, já tivemos que levar comida para as casas dessas crianças, porque algumas são muito pobres. Então precisamos trabalhar de várias formas – diz o fundador e torcedor do Botafogo.

Nas divisões de base, o clube já tem onze títulos em seus oito anos de história – disputam-se várias categorias, desde competições para crianças entre 3 e 5 anos até o sub-16.

– Alguns jogadores excelentes já deixaram o time e foram para categorias profissionais em outros clubes.

Carlos diz que não tem recursos para bancar um time profissional por enquanto. A equipe é financiada por doações dos pais de crianças mais afortunadas. Não é fácil:

– Carrego com as unhas. Quando meu filho, que hoje já estuda e joga pela equipe da universidade, saiu do Botafogo, pensei em jogar a toalha e acabar com a equipe. Mas vejo o quão agradecidas as crianças que estão aqui hoje são, tudo fica mais fácil. Agora, vou continuar seguindo esse sonho.

Fonte: Extra Online