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Gilberto, o garoto Zona Norte do Fogão: ‘É de lá que vem estilo de partir pra cima’

Por: FogãoNET

Restou um, mas que representa fielmente o espírito carioca. Amante de samba antigo e iniciado no futebol nas peladas do Jacarezinho, Gilberto é o único titular do Botafogo nascido no Rio. O presente pelos 450 anos da cidade, ele espera entregar só aos alvinegros.

Onde muitos ainda veem violência, o camisa 4 via diversão. Hoje, reconhece que também foi aprendizado. Gilberto nasceu no asfalto de Benfica. No entanto, era no morro que se realizava, com a bola nos pés: “Morava fora da comunidade, mas gostava de jogar lá, porque o futebol era mais pegado. É de lá que vem meu estilo de partir para cima.”

Pelo time do Jacarezinho, jogava contra outras favelas e nunca se deixava intimidar. Às vezes, a rivalidade passava do ponto e o lateral-direito se exaltava. O amadurecimento veio com a possibilidade de fazer uma carreira no futebol.

“Contra Mandela e Manguinhos, o bicho pegava. A gente que é criado ali sabe que, se abaixar a cabeça, passam por cima. Minha personalidade forte vem disso. Com o tempo, aprendi a me controlar”, comenta o jogador, de 24 anos.

Gilberto voltou após boa temporada no Internacional. Encontrou um time novo, com jogadores de todos os cantos e um técnico carioca como ele. René Simões não precisa de dicas da cidade. Já os companheiros aceitam e até pedem.

“Quem curte samba de raiz, se for para o Cacique, vai gostar demais. Praia também é sempre legal”, aconselha o lateral, que não troca um churrasco com amigos e samba na sua casa em Bonsucesso por nenhum programa na Zona Sul.

SEM TRAUMAS DE GOLEADA

No dia 23 outubro de 2013, Gilberto viveu o pior momento da sua carreira. Substituindo Edilson, suspenso, o lateral-direito penou com Paulinho jogando pelo seu lado na goleada de 4 a 0 para o Flamengo, pelas quartas da Copa do Brasil. Mas o pesadelo não deixou cicatrizes.

Mais maduro, o camisa 4 não enxerga o clássico de hoje como uma revanche pessoal e garante entrega total para dar alegria aos alvinegros que sofreram como ele naquela partida:“Parece que os torcedores sentiram mais do que eu aqueles 4 a 0. Tenho vontade de dar a vitória para eles, para retribuir esse carinho que me dão”, diz Gilberto.

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