Há três meses sem clube, ex-Bota Leandro Guerreiro se aproxima da aposentadoria

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O volante Leandro Guerreiro, gaúcho de São Borja, foi revelado pelo Internacional, mas teve uma carreira estabilizada no Rio de Janeiro e, principalmente, em Belo Horizonte. Com passagens vitoriosas por Botafogo, Cruzeiro e América, Guerreiro está sem clube desde o fim do ano passado, quando não teve seu contrato renovado com o Coelho. Aos 38 anos e vivendo na capital mineira, o volante vê a aposentadoria como o caminho mais próximo, mesmo com propostas para continuar como profissional.

Em entrevista ao Superesportes, ele lembrou de bons e maus momentos nos clubes mineiros, analisou os elencos e as administrações de Cruzeiro e América para a temporada e revelou detalhes sobre sua saída do Coelho, entre outros assuntos.

Leandro Guerreiro não disputa uma partida há quase três meses. A última vez que entrou em campo foi no jogo entre América e Sport, em 26 de novembro de 2016, pelo Brasileirão. Para manter a forma em BH, o volante está fazendo musculação e jogando futevôlei quase todos os dias. Essa preparação física não quer dizer que os fãs de Guerreiro ainda o verão atuando profissionalmente. “A chance de aposentar logo agora é muito grande. Esses exercícios eu faço independente de ser profissional. Vou fazer isso enquanto Deus me der saúde”, afirma o volante.

Apesar de ter se destacado no Botafogo e de ser ídolo do clube – time pelo qual atuou por quatro anos e ganhou um Campeonato Carioca –, o volante destaca as seis temporadas que passou em Minas Gerais como as mais importantes de sua carreira. “Entrei para a história dos dois clubes (Cruzeiro e América)”, ressaltou Guerreiro.

Em 2011, Leandro estava no Botafogo e foi contratado pelo Cruzeiro. Já em sua primeira temporada, foi do céu ao inferno. No primeiro semestre, depois de excelente campanha na fase de grupos da Copa Libertadores, o time celeste chegou a ser chamado de ‘Barcelona das Américas’, mas acabou eliminado prematuramente nas oitavas de final. Já na segunda metade do ano, o clube fez uma campanha muito ruim no Campeonato Brasileiro e se livrou do rebaixamento somente no último jogo, com uma goleada por 6 a 1 sobre o Atlético. Em três anos na Toca, Leandro Guerreiro foi campeão mineiro e brasileiro.

Com o término do contrato com o clube celeste no fim de 2013, o atleta acertou sua ida para o América. No Coelho, Guerreiro conquistou o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro em 2015, e foi campeão mineiro em 2016. “Pude ajudar o América a ganhar o Campeonato Mineiro depois de 15 anos e, pela primeira vez na história do club, fomos campeões eliminando Cruzeiro e Atlético em mata-matas. Isso é gratificante”, lembrou Guerreiro.

Leia, na íntegra, a entrevista de Leandro Guerreiro ao Superesportes.

O que está fazendo desde que saiu do América?

Eu estou morando em Belo Horizonte, curtindo a família. Treino todos os dias. Faço musculação, atividades físicas e jogo futevôlei.

Esse treinamento que você faz é para voltar a jogar ou você já pensa em aposentadoria este ano?

A chance de me aposentar logo agora é muito grande. Esses exercícios eu faço independentemente de ser profissional. Vou fazer isso enquanto Deus me der saúde. Mas nunca sabemos sobre o dia de amanhã. Hoje eu digo que estou perto da aposentadoria.

Você recebeu propostas para continuar jogando?

Tive algumas propostas, mas nenhuma me animou. Por todos os clubes que passei, eu dei minha vida. Não adiantava ir ao clube estando ‘meia boca’. Tenho que ir como sempre fiz, com dedicação total, honrando a camisa. Então, preferi ficar em casa, já que as propostas não me animaram, e eu jamais iria desanimado. Sempre dei meu sangue em campo. Não é no fim da carreira que iria jogar pelo salário e pela imagem.

E o que você vai fazer depois de aposentar? Pretende continuar no futebol?

Eu não pretendo não (trabalhar com futebol). Até conversei com alguns treinadores, que falaram que tinham este mesmo pensamento quando aposentaram, mas surgiram oportunidades e acabaram como treinador. Hoje, minha ideia é não participar mais do futebol. Mas, se surgir alguma coisa nesse sentido, eu analiso com carinho.

Sua melhor fase foi em Minas Gerais, atuando por Cruzeiro e América?

Pude jogar bem e conquistar títulos por todos os clubes que passei. Fui bem no Botafogo, onde conquistamos aquele Estadual sobre o Flamengo (2010). Mas, em Minas, eu entrei para a história dos dois clubes. Ganhei o Campeonato Brasileiro com o Cruzeiro (2013) e pude ajudar o América a ganhar o Campeonato Mineiro depois de 15 anos. E, pela primeira vez, na história do clube fomos campeões eliminando Cruzeiro e Atlético em mata-matas. Isso é gratificante. Além disso, considero que ajudei o América a conquistar dois acessos em campo (à Série A do Brasileiro). Em 2015 fomos bem e subimos. Em 2014, a diretoria errou e perdemos pontos. Mas em campo nós conquistamos o acesso.

Mesmo depois de sair do Cruzeiro, você provocou os torcedores atleticanos lembrando o 6 a 1 de 2011. Como foi aquele jogo e como é a sua relação com os atleticanos?

A provocação e a rivalidade ficam só dentro do campo. Tenho muitos amigos atleticanos, e os respeito demais, assim como tenho carinho pela instituição. O Atlético é muito grande e tradicional, mas a provocação faz parte de tudo isso. Graças a Deus eu estava naquele jogo e fiz o gol. Até hoje o torcedor cruzeirense me para na rua e me agradece pelo gol. Era um peso nas minhas costas. Você imagina? Um time da grandeza do Cruzeiro, que nunca caiu e estava naquela situação. Se você é rebaixado e ainda contra o maior rival, mancha a sua carreira.

Como você vê o Cruzeiro para esta temporada?

O Cruzeiro está com uma política de pés no chão e está certo. Ninguém está podendo gastar dinheiro demais. Este ano, o clube está indo devagar, com um elenco muito bom, treinador de qualidade, diretoria boa e com um gerente que conhece de futebol. O Tinga pode ajudar muito o Cruzeiro. Ele entende de vestiário, conhece qualquer olhar de jogador e é bem quisto por todo mundo.

Você chegou a dizer que cobrou a diretoria do América para que o clube fizesse contratações em 2016. Como foi essa situação?

No final de 2015, quando fui renovar meu contrato, falei com os diretores que a política estava errada. Que eles estavam mandando o América de volta à Série B. Durante todo o ano de 2016 eu falei com eles sempre sobre isso. Foram erros demais. Erros fatais. Contratações equivocadas, troca de treinador em momentos errados. Tudo isso culminou naquele rebaixamento.

Você tem mágoas do clube pela maneira como saiu?

De maneira nenhuma. Fiquei lá por três anos. Um tempo bom e que pude ser vencedor. Os ciclos chegam ao fim, o clube precisava baixar a folha salarial, e eu entendi isso numa boa. Fizeram uma homenagem bacana pra mim no último jogo do time em casa na temporada. Mas fica uma chateação pela maneira como o clube me tratou depois da minha saída. Não renovaram e não me chamaram para fazer o acerto financeiro. Saí em novembro e não recebi mais. Não recebi os salários de novembro, dezembro e nem o 13º. Fora isso, não pagaram minhas férias. Na época do Cruzeiro, avisaram que não iam renovar comigo, me levaram ao sindicato, acertaram todas os débitos comigo. Me respeitaram. No América, eu saí e parece que acabou. Acho que faltou consideração por tudo que fiz em campo.

Como você vê o América para 2017? O time tem condições de voltar à Série A?

América está com a receita enxuta. Estão contratando os jogadores que podem. E nesse limite que eles têm, acho que montaram um bom time. Ainda não dá pra dizer se vão brigar por título mineiro e acesso pra Série A do Brasileiro. São vários fatores que envolvem tudo isso. O time tem que encaixar, o trabalho tem ser bem feito em todos os sentidos. Em 2015, quando subimos, éramos a 15ª folha da série B. Mas independente disso, sempre que tiver jeito irei ao estádio torcer pelo acesso.

O Danilo, hoje no Atlético, jogou com você no América. Como você vê o jogador se destacando neste início de temporada?

Fico muito feliz pelo Danilo. Quando cheguei ao América, ele estava pra ser mandado embora do clube, para você ver como é o futebol. Depois foi muito bem pelo Sport. Ele encaixou no Atlético e vai deslanchar na carreira. Vai curtir e ver o que é o futebol. Torço por ele, e tem toda a qualidade pra ir bem. Tem bom passe, chuta muito forte e é uma ótima pessoa.

Quais foram os jogos mais marcantes da sua passagem por Minas?

Sem dúvida, o jogo mais marcante da minha carreira foi a goleada sobre o Atlético por 6 a 1, ainda mais que pude fazer um gol. A pressão em cima de todos nós era muito grande. Queríamos ganhar para escapar, e acabamos goleando.

Em segundo lugar, foi o título em cima do Atlético, quando jogava pelo América (2016). Estávamos com um jogador a menos (Alison foi expulso), perdendo por 1 a 0, e ainda buscamos o empate. Não tínhamos mais força naquele momento, e o Danilo marcou o gol.

Em terceiro, escolho o título carioca de 2010. O Botafogo não ganhava do Flamengo há algum tempo, o Maracanã estava lotado e o Loco Abreu marcou de cavadinha. Foi incrível.

Negativamente, o que mais me marcou foi o jogo entre Cruzeiro e Once Caldas-COL, na Libertadores de 2011. Éramos o melhor time, considerado o ‘Barcelona das Américas’. Quando ganhamos de 2 a 1 lá, pensei que seríamos campeões. Chegamos aqui na Arena do Jacaré e nada deu certo. Roger foi expulso no primeiro tempo, tomamos dois gols e ainda tivemos um gol mal anulado no fim.

Fonte: Superesportes