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Helton Leite: ‘Botafogo é muito grande e vencedor, já mostrou do que é capaz’

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De volta à rotina de trabalho no Engenhão desde que interveio no departamento de futebol há duas semanas, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, ficou alheio à conversa dos jogadores com a comissão técnica antes do treino desta segunda-feira. Diante dos sucessivos problemas políticos e financeiros que prejudicam o diálogo entre time e diretoria, os jogadores alvinegros contam com uma outra retaguarda. No mesmo sábado em que Jefferson pegou pênalti de Messi, em amistoso da seleção, na China, a atuação salvadora de Hélton Leite na vitória sobre o Corinthians trouxe esperança na redenção, a começar pelo jogo de quinta-feira, contra o Santos, no Pacaembu, em que o time carioca precisa vencer, marcando pelo menos dois gols, para avançar à semifinal da Copa do Brasil.

Escalado nos dois últimos jogos porque Andrey, que é reserva imediato de Jefferson, está à serviço da seleção olímpica, Hélton Leite encontrou no jogo de sábado, em Manaus, um piso movediço que se confunde com o desafio do Botafogo na reta final da temporada. Em meio às placas de grama soltas, que lembravam a todo momento o risco da queda, o goleiro mostrou que a ameaça pode ser um estímulo para todo alvinegro se reerguer mais forte.

— Mesmo com um a menos, nosso time esteve muito ligado. A cada escanteio, o André Bahia repetia para a gente: “Firme, firme!” A firmeza foi mesmo a nossa maior virtude — disse, antes de localizar qual é o ponto de sustentação de um time que tem deixado o máximo em campo a cada jogo, quando já poderia ter se entregado, devido à carência de recursos humanos e materiais do futebol alvinegro. — O Botafogo é muito grande. Nossa firmeza está em saber que, independentemente do que os outros falam, a gente tem valor, que nós somos importantes, e que não estamos sozinhos em campo. Nossa força vem da fé.

Filho do ex-goleiro João Leite, um dos primeiros jogadores a levar o Evangelho para as concentrações, Hélton tem na convivência diária com Jefferson bons motivos para acreditar em milagres. Depois de jogar hoje pela seleção, em Cingapura, o goleiro começa a viagem de volta que deve fazê-lo chegar ao Brasil na tarde de amanhã. Mesmo que o desgaste e o fuso horário o impeçam de enfrentar o Santos, Jefferson serve de inspiração para todos os alvinegros.

Entre as situações mais desfavoráveis que o futebol pode oferecer, uma delas é estar debaixo das traves, diante da bola, na marca do pênalti, à espera de Messi. A julgar pela defesa de Jefferson na cobrança do craque, toda ameça pode se transformar em estímulo. Ao voar contra o sol para chegar em condições de enfrentar o Santos, Jefferson verá a manhã de quarta-feira nascer dos dois lados do mundo. Ao experimentar a sensação de que o tempo parou, o goleiro lembra a seus companheiros que ainda é possível alterar o destino. Como o foi derrotado por 3 a 2 há duas semanas, no Maracanã, o Botafogo precisa vencer por dois gols de vantagem ou por diferença de um gol, desde que marque quatro vezes.

— O Botafogo é muito grande e vencedor, já mostrou do que é capaz — disse Hélton Leite, que evita priorizar competições, apesar da gravidade da situação no Brasileiro. — O jogo mais importante é sempre o próximo. Acredito que teremos força máxima com o Santos.

CONFIANÇA E BOM ASTRAL

Embora os salários ainda estejam atrasados, a energia já foi retomada por um fenômeno ligado ao misticismo alvinegro. Nas voltas que o mundo da bola dá, a mesma noite de sábado, iniciada em Pequim, se estendeu sobre Manaus para reforçar o brilho da estrela. Em meio à escuridão sem fim, o clarão de esperança serve para espantar os piores fantasmas.

— Minha confiança cresceu, e a do grupo em mim, também — disse Hélton, ao mostrar serenidade pela volta dos companheiros. — O importante é que estamos bem servidos de goleiros, fico feliz por fazer parte deste grupo.

Ao se equilibrar no terreno irregular, Hélton honrou a camisa do titular, que também enfrentou o desconforto pela seleção. Depois de sofrer luxação no dedo mínimo da mão esquerda, ao falhar num dos gols do Santos, Jefferson aproveitou os longos deslocamentos até o outro lado do mundo para intensificar o tratamento. Antes de se livrar da inflamação, o alívio passa por saber conviver com a dor. A filosofia, que se encaixa na tradição milenar chinesa, também poderia vir dos povos da floresta que abraçam Manaus e inspiram o Botafogo a confiar nas mãos salvadoras de seus goleiros.

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