Melhor jogador e artilheiro do Mundial Sub-20, em 2011, pela seleção brasileira, Henrique Almeida Caixeta Nascentes, de 24 anos, vive momento de reafirmação. Atualmente presença constante nos jogos do Botafogo, na Série B do Brasileiro, o ex-companheiro de Neymar (Barcelona) e Lucas (PSG) com a amarelinha diz não ter motivos para se queixar. Feliz em seu sexto clube na carreira, ele confia que o seu potencial ainda o levará a voos tão ou mais altos do que o percorrido em 2011. As conquistas de quatro anos atrás, aliás, adornam o quarto do jogador em Brasília. Tanto a bola de ouro, como a chuteira de ouro ocupam local de destaque, junto com um grande poster em que Henrique aparece com a camisa de número 19 da seleção brasileira. Após realizar o sonho de infância de atuar no Mané Garrincha – almejado desde a ida ao antigo estádio para um jogo entre Brasiliense e Corinthians –, o jogador nascido na capital aproveitou o período de folga na cidade para visitar a família. Da sala da casa, em Taguatinga, Henrique falou ao JBr. sobre o passado, a ida frustrada para o Queens Park Rangers, da Inglaterra, e revelou como é o companheiro de clube, Jobson, no dia a dia.

Como foi, para você, jogar em Brasília (sábado passado), com sua família podendo te acompanhar de perto?

Foi legal demais. Ainda mais para mim, nasci, cresci e dei os primeiros passos no futebol aqui na cidade. Poder voltar, em um clube como o Botafogo, de expressão, que mais cedeu jogadores à seleção brasileira… Era até um sonho que eu tinha, poder voltar ao Mané Garrincha como jogador. Poder realizar esse sonho foi muito bacana.

Você teve um momento muito bom na sua carreira, principalmente em 2011, no Mundial Sub-20. Naquela época, sua negociação com o QPR acabou não dando certo. O que você acha que levou a isso e o que teria mudado na sua carreira?

Até 2011, minha carreira foi muito boa. Tive um ano excelente, de muitas vitórias. Acho que aconteceram coisas internas, de empresário e de clube. Dessas coisas que tem muito no futebol e muita gente não sabe. Acontece demais nos bastidores. Mas estou feliz onde estou. Estou no Botafogo e tem sido muito legal. Naquele caso, eu poderia ter ido para a Europa, ter estourado. Jogar uma Premier League poderia ter sido bem legal, mas não me arrependo. Estou no Botafogo e estou feliz. Estar em um clube grande e fazendo o que eu mais gosto, que é jogar futebol, então, está tudo ótimo.

Mas você acha que  vive o seu melhor momento?

São coisas bem diferentes. Em 2011, eu tinha acabado de subir para o profissional, euforia toda, consegui ser o melhor jogador e o artilheiro do Mundial. Um melhor momento que aquele pode acontecer, mas ainda não é o atual. Estou em um momento muito bom da minha carreira, estou mais experiente, maduro. O jogador vai amadurecendo de acordo com o que ele vai jogando e o tempo passando.

Daquela seleção de 2011, muitos jogadores conseguiram se destacar, ir para a Europa… Você poderia ter ido também. Como você avalia aquela geração e quem aponta como bom nome para ajudar o Brasil num futuro próximo, como as Copas do Mundo de 2018 e 2022?

Todos os jogadores que disputaram aquele Mundial têm condições de contribuir. O brasileiro não tem paciência, tanto torcedores, quanto dirigentes. Para muitos, quando o jogador não estoura com 17 anos, ele não presta mais, acho que não é desse jeito. Na Europa, o jogador tem até os 23 anos para jogar. Aqui, um jogador que não estoura com 17,18 anos, já começa a ser emprestado para times pequenos. Acho que o jogador precisa amadurecer. Daquela seleção, não se falava muito do Philippe Coutinho, hoje ele já está despontando. Quatro anos se passaram e ele está despontando agora. Tenho certeza que, assim como aconteceu com ele, pode acontecer também com outros jogadores e espero que eu possa estar nesse meio.

Seu contrato com o Botafogo vai até o fim do ano que vem. O que você espera do futuro do time? A pressão é maior por ser o único time grande disputando a Série B?

Pressão sempre tem. Quando se fala de clube grande no Brasil, sempre há pressão. No futebol, você vai do céu ao inferno muito rápido. Dentro da Série B, somos o único time grande disputando e claro que queremos subir, queremos o acesso. Mas nosso objetivo é o título. Acho que nada melhor que subir com o título porque vai consagrar bem o nosso ano. Não podemos esquecer da Copa do Brasil. Acho que, da forma que estamos jogando, estamos muito bem no (estádio) Nilton Santos, com um retrospecto muito bom. Na Copa do Brasil, não só os times que estão muito bem são campeões. O Palmeiras, no ano que caiu, foi campeão. Temos que manter o foco nessas duas competições porque dá para levar.

Brasília é um celeiro de jogadores de futebol. Nesse ano, você teve a oportunidade de conviver muito com o Jobson. Ele foi um jogador que teve uma boa passagem pelo futebol daqui. Como é sua relação com ele? Vocês conversam sobre Brasília? E como ele é com o restante do grupo?

O Jobson é uma pessoa maravilhosa, excelente. Infelizmente, ele só faz mal para si mesmo. Ele é um cara de grupo, bacana, humilde, um cara nota 1000. A gente conversava muito sobre Brasília, os lugares onde ele já jogou, o que ele fazia. Perguntava se eu conhecia uma coisa ou outra. A gente torce muito por ele, torce para que ele possa estar com a gente o mais rápido possível porque ele é muito importante para nós.

Fonte: Jornal de Brasília