Em maio, o título de campeão carioca será inédito para um dos treinadores dos grandes clubes do Rio. Se para muitos os Estaduais têm perdido prestígio nos últimos anos, os comandantes de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco mostram apetite para conquistar pela primeira vez este troféu. Coroado Rei do Rio na época de jogador, Renato Gaúcho volta ao tricolor onde venceu a Copa do Brasil de 2007. Adílson Batista, do Vasco, disputa pela primeira vez o Carioca, enquanto Eduardo Húngaro e Jayme de Almeida estão iniciando a carreira. Um perfil diferente dos medalhões que se acostumaram a vencer o campeonato nos últimos anos. A lista dos recentes campeões mostra técnicos apontados como os melhores do país ou ao menos com currículo vencedor: Oswaldo de Oliveira, Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo, Joel Santana e Cuca foram os cinco últimos a vencer o Carioca. Nesta entrevista, os atuais comandantes contam o que pensam do campeonato que começa no próximo sábado.

Dois times darão prioridade à Libertadores. O que isto muda no Carioca?

Jayme de Almeida: “Nós teremos os dois primeiros jogos mais complicados, pois vamos usar time reserva. E nas rodadas que coincidirem com viagens longas, como para La Paz, não vamos usar os titulares. Não quer dizer que vamos abandonar o Carioca.”

Eduardo Húngaro: “Tanto o Flamengo quanto o Botafogo vão entrar com equipes fortes. O nosso time tem qualidade e temos jovens jogadores, mas vamos usar também os mais experientes na equipe que vai jogar o Carioca.”

Adílson Batista: “Não acredito que haja uma vantagem para Fluminense e Vasco. Até porque o calendário vai parar em junho para a Copa, então acho que Botafogo e Flamengo possam entrar com sua melhor força para disputar também o Campeonato Carioca.”

Renato Gaúcho: “Não muda nada. Os times grandes querem é ganhar títulos. Ninguém chega no início do ano e concentra as baterias em um só. De mais a mais, quando vai se aproximando a hora de disputar o título todo mundo quer e vai com força total.”

O Carioca perdeu importância?

Jayme: “O Carioca nunca vai perder a importância. A gente sabe o que campeonato representa para o clube, a história do Flamengo começa no Carioca. Não podemos abrir mão dele. Não pretendo tirar o foco do Carioca, por isso estamos montando um plantel bom.”

Húngaro: “Vejo grande importância no Carioca. Todos têm desejo de disputar, mas o Botafogo não disputa a Libertadores há 17 anos. Neste momento, vamos nos concentrar na competição, mas não quer dizer que vamos fazer o campeonato todo com o time B.”

Adílson: “Não acredito. Acho que os estaduais têm o seu devido valor. Principalmente o Campeonato Carioca, porque tem quatro grandes clubes do futebol brasileiro.”

Renato: “Não. O Estadual do Rio é charmoso, pode parecer que não olham mas olham, e de mais a mais é um título que eu ainda não tenho como técnico e quero muito ter. Vou correr atrás, assim como meu time.”

Como a mudança do regulamento, em pontos corridos, interfere na disputa do Carioca?

Jayme: “Antes, se o time começasse mal no Estadual sabia que teria a Taça Rio para se recuperar. Com esse regulamento de pontos corridos, todos terão de ter mais cuidado. Vai ficar mais difícil, porque se der duas ou três bobeadas vai ser complicado recuperar.”

Húngaro: “A disputa é uma forma melhor para as equipes grandes. Na anterior, era difícil recuperar um jogo perdido. Em pontos corridos, há mais possibilidade dos favoritos, os quatro grandes, tropeçarem e conseguirem recuperar os pontos.”

Adílson: “Já vivenciei esta fórmula em outros estaduais. Temos de entrar desde o início sabendo que todos os jogos são importantes para chegar até a semifinal e a final. Não dá para pensar que os jogos têm menos importância por causa da mudança.”

Renato: “Acho que de uma maneira positiva. Já estava na hora de se mudar a fórmula e se tentar encontrar uma outra maneira capaz de aumentar o interesse do torcedor. Considero importante os aperfeiçoamentos, desde que para benefício de todos.”

Quem é o favorito ao título do Carioca?

Jayme: “Não vejo favoritos, os times estão parelhos, começando o ano agora. Mesmo quem não vai disputar a Libertadores não vai ter vantagem. Não vejo Fluminense e Vasco mais fortes por isto. Nós vamos vir forte. No Fluminense, Fred e Carlinhos voltam.”

Húngaro: “Os favoritos são os quatro clubes grandes. Todos entram em igualdade na disputa. Fluminense e Vasco não tem atenção dividida e não vejo Botafogo e Flamengo priorizando a Copa Libertadores. Vejo dividindo a atenção nas competições.”

Adílson: “Não dá para antecipar isso, acho que todos entram com condições. Os favoritos vão aparecer ao longo do campeonato.”

Renato: “Todos os clubes são favoritos. Ninguém entra na disputa sem sonhar com conquistas. Na hora H todo mundo corre atrás. Essa história que um clube vai jogar com time reserva, etc, vamos ver na hora de decidir qual o time que entra em campo.”

Qual o maior desafio do seu time em 2014?

Jayme: “Todo mundo fala só da Libertadores, que disputou a última vez em 2012 e saiu na primeira fase de forma dramática. Mas o desafio será o ano todo, será manter a expectativa que gerou o fim do ano. A torcida sofreu durante no ano passado e terminou muito feliz.”

Húngaro: “O primeiro grande desafio são os dois jogos contra o Deportivo Quito, porque, se passarmos, vamos estar classificados para a fase de grupos da Libertadores.”

Adílson: “Acho que o maior desafio para mim este ano vai ser o pouco tempo de preparação para as competições. O Vasco precisa ir bem e estamos remontando o time, saíram muitos jogadores e vieram outros. Não é simples montar uma equipe em pouco tempo.”

Renato: “Meu maior desafio será tentar tirar da cabeça de alguns torcedores e jornalistas que o Fluminense é um bicho papão, etc e tal, por causa do acontecido na questão do rebaixamento no Brasileiro no final do ano. É preciso respeito com o clube.”

Qual aprendizado que você pode levar da Copa no Brasil?

Jayme: “A Copa vai trazer os melhores jogadores e técnicos do mundo, com variações táticas, estilos de jogos. Vai ser importante aprender um pouco disto, trocar ideias, observar de perto. Além disto, nunca achei que fosse ter outro Mundial aqui, não tinha nascido em 50.”

Húngaro: “É o maior evento do futebol mundial. Vamos ter a facilidade de acompanhar todas as seleções. São culturas e formas de jogar diferentes. Treinadores com formações diferentes. É um evento que pode trazer benefício no aprendizado e na troca de informações.”

Adílson: “Acho que para todo mundo que vivencia o futebol brasileiro vai ser muito bom e importante. Pretendo acompanhar de perto a maior competição do mundo, observar o máximo que puder de todos os aspectos.”

Renato: “É claro que numa Copa você vai aprender muitas coisas com os países que estão na competição. Vale para todos. Só não concordo com a visão de que estamos atrasados, não sabemos nada e temos que seguir os europeus. Todos podem e devem aprender.”

Fonte: O Globo Online