Há 12 anos, o Botafogo passava por um dos momentos mais complicados da sua história. Rebaixado para a Série B, o Glorioso iniciava contra o Marília a caminhada para retornar à elite do futebol brasileiro. Na equipe que conseguiu o acesso, dois líderes se destacaram dentro de campo pela garra: Sandro e Túlio. Apesar da força e da união do elenco, os dois foram unânimes em dizer que sem o apoio dos torcedores a volta para a Primeira Divisão seria quase que impossível. Para 2015, ambos acreditam que o clube vive um momento mais favorável em termos de estrutura, mas alertam que o objetivo alvinegro só será alcançado novamente com a presença da torcida alvinegra.

Assim como em 2003, o Botafogo passa por uma mudança de gestão. Naquela ocasião, Mauro Ney Palmeiro havia deixado o clube para que Bebeto de Freitas assumisse o cargo. Atualmente, Carlos Eduardo Pereira substituiu Maurício Assumpção como mandatário do clube. Apesar das semelhanças, Túlio acredita que a situação atual do Alvinegro é bem mais tranquila que a anterior.

“Em 2003, a gente passava por um momento bem pior. Hoje há uma boa estrutura, tem como fazer uma equipe com uma média de salário boa. O Bebeto enfrentou um incêndio um dia antes de assumir a gestão, foi uma queima de arquivo. Não se tinha noção de quanto o clube devia. Nós ficamos um pouco “largados”, porque ele não tinha como se meter no futebol, tinha muito problema. A estrutura do Caio Martins não era profissional. Hoje, o Botafogo tem problemas mais dentro de campo do que fora dele”, disse.

Assim como o ex-companheiro de equipe, Sandro também consegue ver a atuação geração alvinegra em vantagem por conta dos problemas fora de campo terem sido maiores em 2003. “As situações financeiras são parecidas, mas atualmente o Botafogo tem o Engenhão, com casa cheia. Nossa época era o Caio Martins, a renda era pouca. O público era menor”, afirmou.

O momento do futebol também é melhor atualmente. Em 2003, o Botafogo não chegou nem a disputar as semifinais do Carioca. Nesta temporada, a equipe eliminou o Fluminense, conquistou a Taça Guanabara, mas acabou vice-campeã da competição. Apesar de elogiar a campanha do Alvinegro, Túlio acredita que o elenco não pode se iludir com o bom começo de ano.

“Essa boa campanha não pode servir de ilusão. Em 2003, fizemos um planejamento exclusivo para a Série B. Acho que para brigar pelo título precisa de reforços. Acho que atualmente sobe com sacrifício. Caso consiga reforços pode brigar pelo título”, opinou.

Um dos líderes daquele elenco, Sandro acredita que a função de liderar a equipe é exclusiva de Jefferson. Porém, o ex-capitão alvinegro, ressaltou que também há outros bons jogadores no time que podem ajudar a equipe do Botafogo na complicada disputa pelo retorno à elite.

“O Jefferson, pela sua liderança positiva, por ser o goleiro da Seleção, é o grande destaque. Mas tem o Bill, que sempre faz gols, Pimpão, se jogar, Jobson, se for liberado, não tem uma figura ideal para o Botafogo como referência. O time é conjunto, nada individual. Mas o Jefferson fará a diferença, tanto como liderança, como técnica. A presença dele por si só já será respeitada”, destacou o zagueiro.

Só que a verdadeira estrela solitária alvinegra deve vir das arquibancadas. Tanto Sandro quanto Túlio acreditam que a torcida alvinegra será determinante para empurrar o time de volta para a Primeira Divisão. Ambos relembram os momentos vividos pela equipe de 2003, quando as festas ainda aconteciam no Caio Martins. Em 2015 o palco será o Estádio Nilton Santos.

Fonte: O Dia Online