Uma das novelas mais longas do futebol chegou ao fim na última terça-feira: Sassá deixará o Botafogo rumo ao Cruzeiro. A assinatura oficial ocorrerá em breve. Se o último capítulo foi na terça, o primeiro foi, talvez, no início da temporada.

No início do ano, todos foram pegos de surpresa quando o jogador não foi inscrito na pré-Libertadores. Os motivos, de acordo com membros da diretoria, foi indisciplina. Além disso, havia uma negociação travada para renovar o contrato do atleta, que se encerrava em dezembro, portanto, permitia que, a partir de julho, ele assinasse um pré-contrato e deixasse o clube ano que vem sem retorno financeiro para o Botafogo.

O jogador só voltou cerca de um mês depois, já após ser inscrito para a fase de grupos da Libertadores, contra o Estudiantes. Ganhou uma sequência e tornou-se o artilheiro do time no ano, com sete gols (marca que ainda se mantém). Entretanto, problemas disciplinares continuaram, até que Sassá foi retirado da viagem para o Rio Grande do Sul que levaria o elenco para a partida contra o Grêmio, pela estreia do Brasileirão. Depois disso, ele não treinou mais com o time.

Pessoas próximas ao jogador viram a atitude do clube como um tiro no pé, pois o Botafogo estava desvalorizando seu próprio atleta. Os dirigentes pensavam que Sassá e seus representantes já queriam deixar o clube e, por isso, fizeram uma proposta considerada irreal para renovar o contrato: R$ 5 milhões de luvas e R$ 300 mil de salário. Essa oferta foi o ponto final das negociações: depois dela, as conversas não evoluíram entre Sassá e Botafogo; passaram a envolver outros clubes para negociar uma saída do atleta.

Antes de conseguir Neilton, o Vitória fez uma oferta por Sassá para reforçar seu ataque. O Botafogo, entretanto, considerou a oferta insatisfatória e rejeitou de cara. A opção que restava, além do Cruzeiro, era o Palmeiras, que, apesar de algumas negativas, teve interesse no jogador. Houve também uma possibilidade de o Corinthians ter Sassá em troca do centroavante Luciano, mas a diretoria do Botafogo sequer considerou a possibilidade. Devido à proposta e a boa relação entre as diretorias, o clube mineiro sempre foi a opção mais provável.

A questão era o que o Botafogo receberia em troca. O clube queria um atacante, pois, sem o próprio Sassá, não haveria um jogador de mais peso para competir com Roger. Neilton, que pertencia à Raposa antes de ir ao Vitória, foi uma possibilidade, mas não foi para frente. Depois, as negociações evoluíram com Élber, mas a oferta de salário não agradou. A conversa passou a girar em torno do apoiador Marcos Vinícius, de 22 anos. Tudo se acertou relativamente rápido, com o maior empecilho sendo o histórico de lesões do meia de 22 anos. Por isso foi necessário que ele fizesse uma bateria de exames no Rio de Janeiro e outra em Belo Horizonte, a pedido do Departamento Médico do Alvinegro. Agora, bastam alguns detalhes de contrato serem acertados para que ele chegue a General Severiano. Nesta quinta-feira, o meia já deve vir ao Rio de Janeiro.

O desejo por um centroavante, no entanto, continua, e o nome da vez é Luciano, que interessa ao Alvinegro apesar de as negociações com o Corinthians não envolverem Sassá. As negociações com o clube paulista estão avançadas. Curiosamente, desta vez o Alvinegro concorre com o Cruzeiro, parceiro na negociação de Sassá.

Fonte: Extra Online