A grande expectativa da torcida do Botafogo para 2019 é que os irmãos Moreira Salles assumam a pasta do futebol, para que assim, o Alvinegro Carioca consiga quitar suas dívidas e ter condições de investir em jogadores de qualidade e formar um time vencedor. Em entrevista concedida à Rádio Brasil, o ex-presidente do Glorioso, Carlos Augusto Montenegro, detalhou como seria o trabalho da dupla e pontuou que a ideia é que outros botafoguenses ajudem o clube.

“Eu acho que isso é o futuro. Mas eu acho que dentro do panorama atual, essa sinalização dos irmãos Moreira Salles é uma coisa muito legal. Eles não estão pensando em comprar tudo nem mandar no clube. Eles estão pensando pura e simplesmente profissionalizar o clube. De que forma? Fazer uma parte do clube S.A. (sociedade anônima), no caso do Botafogo já existe a Companhia Botafogo, separar receitas e despesas do futebol, colocar profissionais e encontrar uma forma de ir quitando as dívidas do clube e o custeio do clube tradicional. A ideia disso é eles chamarem botafoguenses que querem ajudar, independente da proporção de cada um, e serem acionistas desse projeto. Eu vejo com muitos bons olhos. Existem empresas fazendo um estudo, não é bem auditoria, é um estudo sobre o formato ideal de como funcionar o clube dentro de um profissionalismo, mesclando um pouco os estatutos e as normas que existem no futebol brasileiro, com o que aconteceu lá no exterior também. Ninguém quer que alguém compre o Botafogo. O que a gente quer é que vários botafoguenses, inclusive os irmãos Moreira Salles, ajudem a profissionalizar o Botafogo.”

2018 do Botafogo

No aspecto esportivo, o ano do Botafogo foi de altos e baixos. O clube foi campeão estadual de futebol e hexacampeão no remo. No entanto, sofreu uma eliminação surpreendente na primeira fase da Copa do Brasil; caiu em casa, nos pênaltis, para o Bahia, na Sul-Americana e arrancou nas últimas rodadas do Brasileiro, terminando a competição em nono. Apesar de todas as dificuldades financeiras, Montenegro acredita que 2018 foi positivo para o Glorioso.

“Eu acho que dentro do possível foi um grande ano. No aspecto financeiro, sempre aquela penúria, mas a diretoria procurou andar em cima do orçamento, a não ser com vários sustos de penhoras que aparecem de vez em quando e a gente não sabe de onde vem. No aspecto político, mostrou que é o Botafogo de sempre. Você tem sempre uma meia dúzia insatisfeita com tudo. E no aspecto esportivo, achei que o Botafogo foi muito bem, melhor do que a gente esperava. Ganhamos o Campeonato Estadual, fomos hexacampeões no remo, o único clube carioca que ganhou alguma coisa em 2018. Uma participação bastante regular no Brasileiro, terminamos em nono e na Sul-Americana. Um susto no início do ano, que nos gerou uma perda de receita. Uma derrota inesperada na Copa do Brasil, nós estávamos formando o time ainda. Perdemos alguma coisa, mas foi bom.”

Mudanças de técnicos

Ao todo, o Botafogo teve quatro técnicos na temporada 2018. Começou com Felipe Conceição, passou por Alberto Valentim, Marcos Paquetá e terminou o ano com Zé Ricardo. Montenegro pontuou que a mudança constante de técnicos não é ideal, mas acha que as apostas foram válidas, exceto uma.

“Isso sempre prejudica, mas eu acho que a tentativa foi válida. Primeiro não queríamos que o Jair (Ventura) saísse, ele que quis sair. Sempre a gente valorizando a prata da casa, pessoa formada no Botafogo. Tentamos dar uma chance ao Felipe (Conceição) e realmente ele não foi bem. E por não ter ido bem, a gente conseguiu um outro treinador com custo baixo, desconhecido, que fez um bom trabalho, o Alberto Valentim, inclusive campeão carioca. Na saída dele, a gente foi obrigado a fazer uma outra tentativa, que foi o Marcos Paquetá, que aí foi o erro. Não deu certo, ele já estava muito tempo desatualizado. A tentativa do Paquetá que foi errada. Aí já veio um treinador que todo mundo conhece, o Zé Ricardo, arrumou o time, mais no final, nas últimas oito partidas. É um grande técnico.”

Zé Ricardo

Após deixar o Vasco, Zé Ricardo chegou ao Botafogo com a missão de livrar o time da zona de rebaixamento. Não só escapou como terminou o ano garantindo o Glorioso em uma competição internacional na próxima temporada. Porém, o risco de perder o técnico para 2019 existe. O contrato do treinador é válido até abril de 2019 e até o momento não foi renovado. Montenegro afirmou que é desejo de todos no Alvinegro Carioca que o comandante siga no clube.

“O Zé Ricardo é um excelente técnico. Se ele pegar o time desde a pré-temporada e ir adaptando uma peça ou outra durante o Estadual e depois para a Copa do Brasil e Brasileiro, é o treinador ideal e dentro do que o Botafogo pode pagar. Então, se ele continuar bem e vierem propostas mirabolantes do exterior ou daqui, a gente não tem como segurar. Então, eu acho que o nosso pensamento, o pensamento em certeza do presidente, da diretoria, é de que ele permaneça.”

Salários atrasados e reforços

Na gestão anterior, de Carlos Eduardo Pereira, o Botafogo conseguiu manter os salários em dia. Porém, este ano, a realidade foi diferente. Atrasos nos pagamentos foi um problema. Inclusive, o Glorioso entrará em 2019 ainda devendo vencimentos desta temporada. Montenegro falou o quanto a questão atrapalha na busca por reforços.

“É difícil. Mas o Botafogo, há quatro anos, tem fama de bom pagador. Tem determinadas penhoras e coisas que a gente não espera, que não estão no ato trabalhista, que às vezes surpreendem e mexem no orçamento. Eu acho que se o jogador não sentir firmeza em vir jogar no Botafogo, com algum receio, é melhor que não venha. Se olhar pelo outro lado, que o Botafogo faz o possível para manter isso em dia, os jogadores que passam aqui, às vezes desacreditados e saem supervalorizados, que venham, serão bem-vindos. Se ficarem com medinho é melhor não vir.”

Matheus Fernandes e Igor Rabello

Recentemente, o Botafogo vendeu o volante Matheus Fernandes para o Palmeiras, por 3,5 milhões de euros (cerca de R$ 15,5 milhões) e permaneceu com 25% dos direitos econômicos do mesmo. Outro prata da casa que está prestes a deixar o clube é o zagueiro Igor Rabello, que tem proposta do Atlético Mineiro. O defensor foi peça fundamental na equipe este ano e foi o atleta que mais foi a campo na temporada, atuando em 61 jogos dos 62 disputados pelo Alvinegro Carioca. Montenegro acha que se os valores da transferência forem interessantes para o jogador e para o clube, o negócio tem que acontecer. O ex-presidente destacou que outros garotos talentosos irão surgir das categorias de base.

“Eu acho que tem uma hora que o jogador, se tiver uma proposta boa, é bom para o clube e para ele. A gente não pode titubear nessas horas. Matheus Fernandes é um jogador com qualidade, serviu ao Botafogo. Não estava bem até metade do ano, voltou a jogar bem nos últimos jogos. Eu acho que se ele tiver oportunidade, vai crescer no Palmeiras. Tem que ter mesmo é oportunidade. O Igor é um jogador que veio da base, não serviu uma época, foi para o Náutico, voltou, fez um excelente ano passado, melhor ainda este ano. O segundo semestre do Igor foi maravilhoso. Se for bom para ele a nível salarial e para o Botafogo, tem que ir. Vão aparecer outros, tem garotos da base, tem bons zagueiros aí. Eu acho que o jogador não pode perder oportunidade, nem o clube”, encerrou.

Fonte: Esporte 24 Horas e Rádio Brasil