Jairzinho defende filho Jair Ventura, técnico do Botafogo: ‘Não quis diminuir ninguém’

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Por FogãoNET

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Em entrevista ao canal Fox Sports, na noite desta segunda-feira, o técnico Jair Ventura, do Botafogo, colocou-se contra a contratação de treinadores estrangeiros por clubes brasileiros, logo na semana do duelo contra o Flamengo, do colombiano Reinaldo Rueda. E a opinião continua dando o que falar nesta terça-feira, mesmo após Jair divulgar uma nota oficial para se explicar melhor. O ex-jogador Jairzinho, pai de Ventura, defendeu o filho.

– Meu filho agora está na berlinda. E ele falou alguma coisa errada? Basta ver a quantidade de treinadores brasileiros lá fora. Quase não dão espaço para os daqui. Ele não quis diminuir ninguém. Mas as pessoas têm que buscar algo negativo quando as coisas estão dando certo. Por que não falaram dele quando estava por baixo? Agora ficam procurando… Mas ele amanhã vai falar com o Rueda. É educado e apenas deu uma opinião sem querer desmerecer o técnico do Flamengo – disse Jairzinho.

Abaixo, a declaração de Jair dada na noite de segunda-feira e em seguida a nota oficial divulgada pela assessoria do treinador nesta terça.

“A gente fala muito que o treinador brasileiro vem perdendo espaço no exterior. A gente hoje com o Tite, que na minha visão é o melhor treinador do Brasil, no cargo mais importante, a gente começa a recuperar isso. Não que eu seja contra os estrangeiros trabalharem aqui, só que estamos perdendo mercado lá fora, e daqui a pouco começamos a perder o mercado interno. Então, para que adianta a gente se preparar, a gente estudar? Eu venho fazendo diversos cursos sempre, venho sempre me preparando. As pessoas tem que olhar primeiro para cá, para depois olhar pra fora. Então isso pra gente, como treinador, não vejo de uma maneira legal. Respeito a decisão de quem fez. Acho ele um grande treinador, enfrentei na fase de grupos da Libertadores. Foram dois grandes jogos, equipe organizada, diversas situações táticas… Consegue ver que é o trabalho do treinador. Acho até que ele pode dar certo. Mas estou falando em nome dos treinadores, em nome dos treinadores… Eu, como treinador jovem e brasileiro, para o mercado, isso é muito ruim. Parece que não temos profissionais capacitados para trabalhar dentro do nosso próprio país. Isso é muito ruim pra gente. Principalmente pra gente que está começando. Você sonha em ter oportunidade. Outros jovens treinadores também querem trabalhar. Estão prontos mas de repente não conseguem a oportunidade. Eu tive essa oportunidade que o meu presidente me deu. Tenho certeza que outros bons treinadores jovens e brasileiros que podem trabalhar aqui e no exterior. Hoje, eu não posso trabalhar no exterior porque eu não tenho a licença. E qualquer pessoa pode chegar e trabalhar no Brasil, isso não é legal. Não vejo de uma maneira legal. Desejo toda sorte para o Rueda, mas acho que é uma coisa que temos que repensar. Por que não podemos trabalhar fora e os outros treinadores podem… estão tirando o espaço de outros treinadores que querem trabalhar, que estão esperando uma oportunidade”.

Nota oficial

“Observando a repercussão de minha declaração sobre a contratação do treinador colombiano Reinaldo Rueda, avaliei que talvez não tenha sido bem claro quando me expressei. Quero esclarecer que acho legítimo o direito de qualquer clube brasileiro contratar um treinador estrangeiro. Há muitos profissionais competentes em outros países, com condições de repetirem aqui o sucesso que tiveram em outros lugares, como é o caso de Reinaldo Rueda, que tem um currículo admirável.

O que questiono e me deixa triste é ver que treinadores brasileiros são vistos com desconfiança e encontram dificuldades para trabalhar no exterior. Além de questões legais, como não reconhecimento de nossa habilitação profissional no mercado europeu. Nossa licença não é aceita na Europa, ao contrário da dos argentinos, por exemplo. Temos que refletir, discutir e buscar maneiras de mudar essa situação.

E como posso criticar os estrangeiros, se convivo com vários no Botafogo? Eu mesmo morei mais de nove anos fora do país quando jogador e tive essa vivência. Reitero que defendo uma maior valorização dos treinadores brasileiros, de competir em igualdade de condições com os estrangeiros no mercado externo. Infelizmente, a nossa licença ainda não nos dá esse direito.”

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