Capitão do Botafogo, Jefferson “abriu os braços” para receber o atacante Emerson Sheik na equipe, mas fez um alerta à diretoria sobre a delicada questão financeira do clube. O goleiro também mostrou os dois lados da moeda ao falar do ex-meia holandês Seedorf, a quem fez elogios, mas também deu alfinetadas.

Em entrevista à Rádio Globo na noite desta segunda-feira, Jefferson foi questionado sobre a contratação por empréstimo de Sheik, que vai receber R$ 500 mil por mês (metade pago pelo Botafogo e metade pelo Corinthians). O reforço chega ao Alvinegro carioca em um momento de dificuldades financeiras do clube e salários atrasados do elenco.

Ao comentar a situação, mesmo sem citar o nome do atleta a quem se referia, o goleiro lembrou dos problemas com a contratação do meia Carlos Alberto pelo Botafogo, em 2008.

“O Sheik já foi muito bem recebido no Botafogo. A gente sabe que existe esta desconfiança, como é um grande jogardor, um grande salário, mas a gente acredita no presidente, que as coisas vão melhorar. Porque ele não vai querer ganhar um jogador e perder trinta. Estamos acreditando que eles vão cumprir com os deveres e quitar os salários”, disse Jefferson, que completou.

“O presidente nunca fez locuuras e tenho certeza que esse ano também não vai fazer. Como aconteceu no Botafogo, eu não estava aqui, foi em 2007 (2008, na verdade), chegou um jogador com salário alto, e os salários do elenco estavam em dia, aí depois que ele chegou começou a atrasar e perdeu o grupo, tenho certeza que esse ano vai ser diferente”.
Mauro não concorda com a chegada do remunerado Sheik ao Botafogo

Jefferson também falou de seu relacionamento com Seedorf, que deixou o Botafogo e se aposentou como atleta no fim no ano passado para assumir o cargo de treinador do Milan. O goleiro botafoguense destacou a importância do holandês para o clube carioca, mas também deixou claro o incômodo que o ex-meia causava em alguns momentos.

“Nossa relação era muito profissional. Ninguém era obrigado a jantar na casa de ninguém, mas tinha que ter o respeito. O Seedorf chegou aqui no Botafogo e revolucionou, acho que pela postura dele, profissionalismo dele. Acho que a cobrança dele em certos momentos era muito forte. É um cara chato pro bem, às vezes ele tentou mudar as coisas muito rápido. Em três, quatro meses ele tentou mudar coisas que demoraria anos talvez, acho que nisso ele pecou. Mas com certeza ele acrescentou muito para o Botafogo, o Botafogo cresceu muito com a chegada dele. Claro que a gente peneirava muita coisa, mas acho que ele acrescentou”, afirmou Jefferson, que citou determinadas situações de exagero de Seedorf.

“Ele mudou muita coisa, o jeito de a gente chegar no vestiário, não podia ter música, a cadeira tinha que ser do jeito que ele achava que tinha que ser”.

Em 2013, Seedorf ajudou o Botafogo a ser campeão carioca e terminar o Brasileirão na quarta colocação, conquistando a vaga na Libertadores. Na atual temporada, porém, depois de perder muitas peças, a equipe fracassou até agora e foi eliminada na primeira fase do Campeonato Carioca e também da Copa Libertadores.

“O Botafogo fez este ano dois jogos com excelência: o 4 a 0 sobre o Deportivo Quito e o 2 a 0 sobre o San Lorenzo. E mais nada. Nós tínhamos que fazer uma campanha muito melhor na Libertadores. A gente aposta na chegada do Vagner Mancini para conseguir isso”, disse Jefferson.

Fonte: ESPN.com.br e Rádio Globo