Lealdade. Jefferson nunca escondeu que esse substantivo o norteou ao longo de sua histórica passagem pelo Botafogo, marcada por 459 jogos, três títulos cariocas e um da Série B do Brasileiro. Nesta segunda parte da da entrevista exclusiva concedida ao Lance!, o ídolo do Alvinegro comentou sobre três propostas tentadoras que recebeu na época em que caiu para a Segundona.

Além disso, Jefferson destacou quais foram os principais perrengues passados no clube da Estrela Solitária, que o tem como o terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa, só ficando atrás de Garrincha (612 jogos) e Nilton Santos (721).

Hoje já aposentado, pode dizer quais ofertas chegaram depois da queda para a Série B (2014)?
De concreto, tive do Santos, de um time de Portugal, que o meu empresário não quis revelar o clube, e também do Tottenham. Só que esses clubes queriam que eu saísse pela porta dos fundos, e eu tinha a faca e o queijo na mão para sair desse jeito. Eram dez meses sem pagamento dos direitos de imagem, de FGTS… Era fácil, mas eu ia jogar por terra tudo o que tinha feito aqui no Botafogo. Mesmo assim eu fui leal. Disse que tudo tinha que passar pelo clube.

Esses clubes queriam negociar direto com você?
Como o Botafogo estava me devendo um valor muito grande, o dinheiro da transferência não iria quase nada para o clube. Seria só para pagar as dívidas.

E de 2009 para 2010, assim que voltou e com contrato de apenas quatro meses? Rolaram propostas?
Ali não, porque foi tudo muito rápido. Depois que voltei ao Botafogo, passaram-se dez jogos, eu estava tão bem, Botafogo bem e já renovaram por mais um ano. Renovei depois do pênalti do Adriano (defesa na final da Taça Rio de 2010). As coisas foram melhorando depois.

​Qual foi o seu ano mais difícil financeiramente no Botafogo?
Passei dificuldade em 2003. Ali foi osso. Pessoalmente, 2014 foi pior porque eu tinha família, projetos e parou tudo. Ficar dez meses sem receber foi o pior momento da cadeira. Agora, no clube, não tinha nem café da manhã em 2003. Atrasava tudo, pegavam cinco reais de cada um para ter café da manhã.

O quanto os atrasos salariais interferem? É mais no dia a dia ou no jogo em si?
Não interfere no jogo. Quem fala que jogador não corre por isso é mentira. Quando a gente entra em campo é o nosso que está na reta. Ninguém vai tirar o pé porque o salário está atrasado, mas, quando atrasa direto, a gente faz reunião constantemente, desgasta para falar com diretoria. Ou seja, em vez de se preocupar com outras coisas, você se preocupa salários. Aí, chega no jogo despreparado, porque durante a semana não houve a preparação adequada. Para vês terem ideia, em 2014 eu não lembro de encontros para falar do adversário. Era só salário. Era salário, salário… vamos jogar, salário, salário…

Falar de coisa boa agora. E os momentos mais marcantes da carreira?
​No geral, tiveram vários momentos bons. Campeão carioca invicto, jogamos Libertadores, onde tivemos de igual para igual com qualquer equipe. Mas os pênaltis do Adriano e Messi, pela repercussão… Eu não estava nas temporadas anteriores, mas o Botafogo vinha de três anos consecutivos sendo vice para o Flamengo. Os torcedores cobravam na rua. Aquela defesa lavou a nossa alma.

Fonte: Terra