Além de liderar a equipe alvinegra no Campeonato Carioca, o goleiro Jefferson segue quebrando recordes pelo Botafogo. Com 7 partidas disputas no estadual de 2016, o guarda-redes alcançou o feito de 416 jogos pelo clube. Com a marca, o camisa 1 alvinegro superou os números de Jairzinho, com 413, e de Wagner, com 412 jogos disputados, se tornando o oitavo jogador na história que mais vezes defendeu o time de General Severiano.

Mas os recordes dele não devem parar por aí. Ainda nesta edição do estadual, Jefferson assumirá o 7° posto de jogador com mais partidas pelo clube, que atualmente pertence a Geninho, com 422 jogos, seis a mais que o goleiro. Jefferson conquistou o título carioca em 2010 e 2013.

Para o torcedor e para o clube, Jefferson representa muito mais do que um recordista de partidas. Jefferson é um símbolo de raça, paixão, respeito e identificação com o time. Um dos maiores e mais qualificados goleiros brasileiros há quase uma década, o camisa 1 botafoguense não deve nada a outros nomes da posição no país. Unanimidade entre todas as gerações de alvinegros, Jefferson tem contrato com o Botafogo até 2017, mas admite a possibilidade de encerrar a carreira no clube, estendendo ainda mais seu vínculo com o glorioso.

Jefferson vivenciou vários momentos no clube em suas duas passagens pelo Botafogo. Chegou em 2003 por empréstimo, com o clube disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, onde foi reserva de Max. No ano seguinte assumiu a condição de titular e começou a ganhar destaque, tanto que em 2005 foi vendido para o futebol turco, onde atuou por Trabzonspor e Konyaspor, até meados de 2009, quando retornou para General Severiano.

No ano de 2010, ao lado de Loco Abreu, Jefferson foi protagonista da conquista do título carioca diante do rival Flamengo, defendendo uma cobrança de pênalti de Adriano na final da competição. Daquele ano em diante iniciou sua trajetória na Seleção Brasileira onde está até hoje.

Com o Botafogo, bateu na trave de 2010 até 2013 em busca de uma vaga na Taça Libertadores, que veio no ano seguinte. Porém, justamente no ano que era pra ter sido um dos mais importantes das últimas décadas em General Severiano, uma crise política veio à tona no último ano de mandado do então presidente Maurício Assumpção, interferindo bastante no dia a dia dos jogadores e nos gramados.

Apesar de ter largado bem na competição continental, os tropeços vieram e a classificação que parecia próxima não aconteceu. A crise foi ganhando proporções maiores, os salários atrasados foram acumulando no decorrer da temporada, jogadores se desentenderam com a diretoria e foram afastados, e dentro de campo os resultados não vinham. Nem mesmo as boas atuações de Jefferson, que lhe rendeu o prêmio de melhor goleiro no Campeonato Brasileiro de 2014, puderam evitar um novorebaixamento do time da Estrela Solitária.

Quando muitos pensaram que aquela seria a despedida do goleiro no clube, Jefferson renovou seu contrato provando seu amor ao Botafogo e assumindo a responsabilidade de recolocar o time na primeira divisão. A idolatria do torcedor alvinegro por ele, que já era imensa, aumentou. Mesmo sem ter conquistado um título de expressão pelo clube, o torcedor tem plena consciência de que Jefferson é de todos o menos culpado pela falta de títulos.

Sorte é talvez o que falte a Jefferson no Botafogo. Não a sorte embaixo das traves, porque esta ele tem de sobra, além de sua capacidade técnica. Sorte, para viver períodos menos conturbados extracampo. Sorte de ter ao seu lado bons companheiros e um elenco qualificado o suficiente para disputar títulos nacionais e internacionais.

A diretoria alvinegra precisa gratificar seu ídolo, dando a ele condições para conquistar taças importantes pelo clube. Esta talvez seja a maior dívida que o Botafogo tem com Jefferson. Afinal, um goleiro do patamar dele não merece encerrar sua carreira tendo no currículo apenas títulos estaduais. Pelo tamanho e pelo que representa, obviamente que ele merece mais, muito mais.

Fonte: Blasting News