O caminho dos jogadores para chegarem até o sucesso dentro dos gramados é feito de luta e muitos meninos ficam no meio do caminho. Alguns por falta de talento ou oportunidade, outros por escolhas erradas durante a vida. O atacante Lucas Campos, do Botafogo, tem apenas 18 anos, mas já testemunhou muitos casos de colegas que estragaram carreiras promissoras.

O garoto nascido em Nova Iguaçu vem de uma família de origem humilde e começou em um projeto social chamado Criança no Esporte, em Rio das Ostras.

“Eu moro em um bairro bem pobre e todos os amigos iam comigo para o treino. Tinha um menino que era muito talentoso e tinha futuro pela frente, mas infelizmente ele largou futebol e foi para o mundo das drogas. É muito triste, mas muito comum de onde eu vim”, disse o jogador, em entrevista ao ESPN.com.br.

Ele superou diversas dificuldades, mas sempre contou com o apoio da família. “Sempre sonhei em jogar e minha mãe me apoiava. Ela me colocou neste projeto e me acompanhava. Morava em Nova Iguaçu em 2012 e estávamos sem comer direito e minha mãe conseguia alimento para gente. O salário do meu pai estava muito atrasado, ele trabalha como caminhoneiro”, recordou.

Lucas começou no Sub-15 no projeto que cuida de vários garotos na cidade. “os treinadores ajudam muito por lá. Na metade do ano vai sempre disputam campeonato na Europa e sempre voltam campeão. Fui em 2015. Jogamos na Dinamarca, Finlândia e Noruega. Foi uma experiência muito bacana aprendi muito por conviver um mês em outro país”, afirmou.

Mesmo demonstrando talento e se destacando, a tão sonhada oportunidade não chegava. Lucas chegou a praticamente desistir de jogar futebol. “Era muito difícil e estava cansado de só treinar sem campeonatos. Falei para minha mãe que não queria mais ser jogador”.

Tudo mudou quando seu treinador na escolinha conseguiu uma chance de surpresa para Lucas.
“O Guilherme Perdigão foi conversar lá em casa, mas eu não estava. Minha mãe, do nada, me mandou voltar de noite. Achei que tinha acontecido alguma coisa ruim”, prosseguiu.

Contrariando as expectativas do adolescente, a notícia era a melhor possível. “Chegando lá, ela tinha me contando o que tinha acontecido. Eu não queria muito ir, mas minha mãe me mandou ir ‘pra dentro’ que era meu sonho. Sou muito grato ao Guilherme porque sempre esteve comigo nos bons e nos maus momentos”, relatou.

Com todo apoio que recebeu, o atacante foi fazer o teste no Botafogo e foi aprovado, em fevereiro de 2014. Primeiro ficou no Sub-17, logo em seguida foi promovido ao time de juniores, onde disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, sendo autor do primeiro gol do time na competição.

O jovem quer seguir o mesmo caminho dos amigos Luis Henrique, Ribamar e Fernandes, que saíram das categorias de base de General Severiano para o time de cima. Com um estilo atrevido dentro dos campos, Lucas quer conquistar o carinho do torcedor e chamar atenção do técnico Ricardo Gomes.

“Eu jogo pelas pontas de extremo. Eu sou canhoto e jogo pela direita. O Neymar é o jogador que mais admiro. Eu gosto muito de driblar e correr. Curto partir pra cima dos zagueiros e dos laterais”, bradou.

Mesmo faltando uma etapa para de fato realizar seus objetivos, Lucas não esquece sua origem. “Consegui dar uma condição um pouco melhor par a minha família, mas quando estiver bem no profissional irei ajudar o projeto que me revelou. Sou muito grato a tudo o que fizeram por mim”, finalizou.

Fonte: ESPN.com.br