De fato, como argumentou Jair Ventura após a derrota para o Barcelona de Guayaquil, o Botafogo andou empregando, nos jogos em casa, pela Libertadores, um sistema tático parecido com o da última terça-feira. A grande mudança, com a escalação empregada diante dos equatorianos, foi de estilo, de forma de jogar. O Botafogo não foi forte na marcação como de hábito, não teve a retomada da bola para contragolpear. Assim viveu seus melhores momentos recentes.

Em casa, quando tentou soltar mais o time, atingir o equilíbrio nem sempre foi fácil. Primeiro com a busca por encaixar Montillo e Camilo juntos, depois com atacantes rápidos pelos lados. Nunca foi fácil.

Comparando os dois jogos com o Barcelona, é possível notar que o esquema tático mudou menos do que as características. É habitual neste Botafogo ter dois homens à frente da defesa, na posição de volantes: os nomes variaram entre Rodrigo Lindoso, Aírton e João Paulo, por exemplo. À frente deles, Camilo circula livremente por trás de um atacante, seja Roger ou Sassá.

Isto não mudou. Os lados do campo ajudam a explicar a transformação. Em Guayaquil, Jair empregou a formação a que o time se adapta melhor. Bruno Silva ocupa o corredor direito, cuidando da marcação pelo lado, ajudando os volantes a marcar pelo centro, quando necessário, e fazendo aparições na frente. Rodrigo Pimpão cuidava do corredor esquerdo.

No jogo do Rio de Janeiro, a perda de Bruno Silva fez o Botafogo usar Guilherme, um atacante. O esquema se aproximou mais do 4-2-3-1 (quatro defensores, dois volantes, uma linha de três meias e um atacante) do que de um 4-4-2. A recomposição defensiva não acontecia tão naturalmente, já que Guilherme e Pimpão têm, os dois, características mais incisivas no ataque. Além disso, João Paulo é um volante menos vigoroso, mais leve.

Ocorre que, com a forma de jogar do time diante do Barcelona, no Rio, ele e Aírton precisaram cobrir uma porção maior de campo. Ficaram sobrecarregados e ainda expuseram uma defesa lenta.

Nos três jogos que fez no Rio, o Botafogo sempre iniciou com apenas dois marcadores em seu meio-campo. Mas no jogo mais seguro, contra o Olimpia, Montillo se machucou aos 14 minutos. João Paulo entrou como volante, ao lado de Aírton, e Bruno Silva passou para a direita. O Botafogo reencontrou seu estilo.

— Ganhamos os jogos no Rio num 4-2-3-1 — disse Jair, defendendo a escalação de terça.

Fonte: Extra Online