O Grêmio que chega ao Nilton Santos hoje é uma equipe desfalcada num momento crucial. Sem Luan, sem o negociado Pedro Rocha e quase seguramente sem Geromel, ainda é uma equipe respeitável, mas menos letal e com mais brechas que o diligente Botafogo de Jair Ventura pode explorar.

Uma das principais características do Grêmio é um posicionamento avançado de suas linhas – um dos segredos da ofensividade gaúcha, que propõe o jogo e valoriza a posse de bola. Ao longo do ano, os volantes Maicon (ausente depois de passar por cirurgia) e Arthur atuaram quase como meias, fazendo o time girar e procurando esticar passes. Marcá-los é o primeiro passo para o sucesso.

— O técnico Eduardo Coudet, no ano passado, fez isso com o Rosario Central. Travou Maicon e Wallace — recorda Diogo Olivier, jornalista do diário Zero Hora: — Acho que, sem Luan, essa ideia se acentua ainda mais.

Há uma indefinição no meio campo, justamente pela ausências de Maicon, Michel (suspenso) e Luan. A mídia gaúcha cogita um meio campo com o volante Jaílson protegendo a defesa, Arthur um pouco mais livre e um meia centralizado, que pode ser Leo Moura, Everton ou Arroyo. Seria o mais próximo do habitual gremista.

Nos últimos 20 jogos, iniciados em julho, o Grêmio tomou 15 gols. A equipe ainda tem a terceira melhor defesa do Brasileiro, mas fica claramente enfraquecida sem o ídolo Geromel, ainda em recuperação de uma lesão na coxa direita. Caso ele não consiga ser titular ao lado de Kannemann, o Botafogo tem uma boa notícia: a possível entrada de Bressan, ex-Flamengo, deixa o sistema um pouco mais inseguro.

É pelo lado de Kannemann, o esquerdo da defesa, que cinco desses 15 gols evidenciam a maior brecha para o Botafogo, que já se aproveitou disso no returno do Brasileiro. Uma bola recuperada no meio-campo e esticada na direita, nas costas de Marcelo Oliveira, se transforma em conclusão após rápida troca de passes. Era o time reserva naquele jogo? Sim. Mas contra o Grêmio titular, São Paulo, Atlético-PR (Copa do Brasil) e Ponte Preta conseguiram aproveitar a rota destra do ataque. Lembramos ainda que a cobertura dos avanços de Cortez seria feita pelo próprio Jaílson.

Diante desse cenário, a dúvida de Jair Ventura entre João Paulo e Leo Valencia praticamente evapora, com vantagem para o ex-Santa Cruz. Com seu poder de marcação, João Paulo pode ajudar a neutralizar o excelente passe de Arthur, restando apenas acionar Bruno Silva em velocidade. A jogada habitual de inversão entre Pimpão e o próprio Bruno Silva pelas pontas também é outra arma para invadir o setor de Cortez. A conclusão pode ser do próprio Bruno Silva ou um cruzamento para a entrada em diagonal de Pimpão. Ou até para Roger, mais centralizado na área, artilheiro do ano da equipe.

Seria importante também se aproveitar da fragilidade gremista pelo alto, por onde a zaga aceitou recentemente três desses 15 gols em cobranças de escanteio, um pesadelo recorrente lembrado pelo comentarista Sergio Xavier Filho, do Sportv e do Zero Hora. O Botafogo costuma ter força nessa jogada, principalmente no início dos períodos. Roger é uma força e provou isso contra o Flamengo; Igor Rabelo e Joel Carli também são cruciais nessas jogadas. De novo, insistir nos cruzamentos em cima de Bressan pode se tornar um atalho.

Fonte: O Globo Online