Além da tensão intrínseca a uma decisão de vaga, o Grêmio x Botafogo de hoje é mais uma oportunidade de observar o futuro da seleção brasileira. Aos 21 anos e convocado para as duas últimas rodadas das eliminatórias, Arthur é o nome que mais faz sombra a Renato Augusto no meio-campo canarinho, que ainda busca opções para a Copa da Rússia.

— (Convoquei o Arthur) por ser garoto, jogando com naturalidade, em um momento importante das duas equipes, fora de casa, com nível de concentração muito alto — disse Tite, na semana passada. – Não posso fechar portas num setor que ele é importante, com a qualidade e o desempenho que ele está tendo. Não sei se daqui a nove meses ele terá uma afirmação. Terá essa oportunidade pelo que ele está produzindo e por uma expectativa. Sempre comparo com o Gabriel Jesus, o quanto ele rapidamente surgiu.

No momento, a comparação com o centroavante do Manchester City só não é mais precisa que outra, recorrente, que o assemelha a Xavi, ex-Barcelona e seleção espanhola. O goiano da camisa 29 é um volante moderno, daqueles com vidro elétrico, ar condicionado e câmbio automático: tem ótimo aproveitamento nos desarmes, velocidade, visão de jogo é uma assombrosa capacidade de acerto nos passes. Na partida de ida, contra o Botafogo, não errou nenhum dos 47 toques que deu para encontrar colegas. Naquela atuação, Tite se convenceu de que era hora de levá-lo contra Bolívia e Chile.

Não por acaso é considerado a grande joia do Grêmio: sua avançada renovação de contrato até 2021 estabelece multa de 40 milhões de euros. Hoje, com a provável ausência de Luan, por lesão, ele volta a ser a esperança dos gremistas e o homem a ser seguido de perto pelos alvinegros de Jair Ventura.

O primeiro técnico a requisitar suas qualidades para a equipe principal do Grêmio foi Luiz Felipe Scolari, que o lançou no Campeonato Gaúcho de 2015. Firmar-se no grupo foi mais complicado, a ponto de o volante ter revelado, na semana de sua convocação, que chegou a pensar em deixar o clube tricolor no início do ano. Passou pela mão de Roger Machado e ganhou a confiança de Renato Gaúcho ao mostrar eficiência e qualidade no time de reservas que disputou a Primeira Liga. A sensação era a de que a meia cancha ganhava em organização e dinâmica.

O recital de gala que espanou qualquer dúvida foi num jogo contra o Fluminense, pela Copa do Brasil. Em duas tabelas com Luan e Barrios, o jovem empatou a partida e impulsionou a virada gremista por 3 a 1. Era seu primeiro gol como profissional, e a percepção de que o volante estava mais solto e ciente de seu papel ofensivo, o qual ele demorou a assumir até que o colega Maicon o motivou a ousar mais.

Próximo de completar 40 jogos por Grêmio que batalha em duas frentes, Arthur ainda tem um longo caminho para cumprir as expectativas que inspira. Mas a certeza de que um jogador dessa classe e com essa idade dura pouco nos gramados brasileiros — já se fala em interesses de equipes como Atlético de Madrid e Everton — é um convite a apreciar um nome que deve ser tornar frequente na jornada em busca do hexa.

Fonte: O Globo Online