Há mais de um ano sem um patrocinador máster em sua camisa, o Botafogo corre contra o tempo para aliviar a complicadíssima situação financeira em que está afundado. Depois de prometer acordos até o fim de 2015 e não cumprir, a diretoria do clube acabou perdendo o aporte da Caixa Econômica Federal por ainda não ter as certidões negativas de débito.

 

A incapacidade de conseguir parceiros já foi justificada por diversos fatores: falta de visibilidade na Série B, a herança de uma imagem arranhada da última gestão e até a crise econômica que se passa no Brasil – algo que, aparentemente, não afetou a maioria dos outros clubes brasileiros na busca por patrocínios.

 

Afinal, como o clube deve “vender” seus espaços?

 

Uma das camisas mais vendidas do Brasil

 

Apesar de ter atrasado o lançamento de sua nova camisa no ano passado, o Botafogo ocupava, em ranking de outubro, o posto de 7ª camisa mais vendida do Brasil. A projeção ainda melhorou em agosto, mês do lançamento dos novos uniformes de 2015, quando o clube ficou em segundo lugar nas vendas nacionais.

 

12º maior clube do Século 21

 

Apesar de estar em baixa nos últimos 15 anos, o Glorioso foi eleito pela FIFA como um dos 12 maiores clubes do mundo. Nossa imagem é reconhecida mundialmente desde os áureos tempos de Garrincha e Nilton Santos, quando o Botafogo contribuiu diretamente em três das Copas do Mundo conquistadas pelo Brasil. Nossa década de 90, com títulos em todas as categorias – estadual, regional, nacional e internacional -, nos consagrou ainda mais como gigantes.

 

Torcida nacional

 

O Botafogo tem uma grande torcida espalhada por todo o país. Além dos torcedores cariocas, temos muita força em centros como Minas Gerais, Espírito Santo, Manaus e Brasília, além do Nordeste. Isso possibilita a realização de diversos eventos e também a venda de mandos de campo – principalmente em um ano como 2016, quando ficaremos sem o Niltão durante quase toda a temporada.

 

Capacidade de expansão da marca

 

Basta perguntar ao presidente da Viton44. A parceria com o Botafogo transformou uma marca local em um produto reconhecido em todo o território nacional. Durante a parceria, a estampa da Guaraviton aparecia em cada vez mais partes da camisa – um sinal claro de aumento do investimento. O retorno é sempre muito positivo, basta buscar o histórico.

 

Torcedor que consome

 

O botafoguense é sempre leal às marcas que o patrocinam. Pode parecer bobeira, mas a parceria é tão grande que acaba fidelizando todos os torcedores aos produtos e serviços oferecidos pelo patrocinador. Em um passado recente, Guaraviton, Brahma e até Havoline experimentaram esse fato – além dos patrocinadores pontuais, como Supermercados Unidos e Casa & Video.

 

Clube sério à procura da reestruturação

 

A diretoria pode ser merecedora de todas as críticas do mundo – e eu, quase sempre, as faço aqui no nosso espaço. No entanto, um fator é inegável: administrativamente, se nos falta dinheiro, sobra seriedade. O clube tenta arrumar a casa e, entre um tropeço e outro, se acerta com o Ato Trabalhista, com o Profut e tenta pagar suas dívidas de forma honesta.

 

Estádio nos Jogos Olímpicos de 2016

 

Apesar de não poder exibir seus patrocínios próprios no estádio durante as Olimpíadas, é inegável que o Niltão pode ser um trunfo. Após os Jogos, receberemos um estádio reformulado e mundialmente famoso – algo que pode ajudar para exposição de marcas e até venda dos Naming Rights, outra promessa antiga da diretoria.

 

Com todos esses argumentos, fica complicado digerir que o Botafogo não conseguiu um patrocínio sequer em quase 15 meses. Foram promessas não cumpridas, datas estipuladas e desculpas cada vez mais esfarrapadas ao longo de todo o período em que a nova gestão comanda o clube. Vale lembrar que, no balanço anual do clube, o indicativo de patrocínios foi estipulado na casa dos R$ 20 milhões. Algo gravíssimo pra quem, um mês depois, ainda não lucrou sequer um real.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - ESPN