Muitos apaixonados por futebol são adeptos do Football Manager, o simulador de realidade que vicia milhares de marmanjos pelo mundo. No jogo, você é o manager do clube que quiser e comanda cada detalhe do dia a dia do futebol.

Um dos baratos do FM é acompanhar o desenvolvimento dos jogadores com o passar dos anos, criando uma realidade alternativa e, principalmente, uma expectativa para descobrir, no futuro, se os eventos do jogo se tornarão realidade.

Dentro desse mundo particular, o Botafogo e seus torcedores estão acompanhando um caso em que a realidade copia o jogo. Trata-se do atacante Renan Gorne, cria da base do clube, que vive excelente fase na equipe de juniores. Disputando gol a gol a artilharia do Estadual com Pedro, do Fluminense, e Gustavo, do Volta Redonda, ele já marcou 12 vezes e é o destaque da boa equipe que está na final da Taça Guanabara.

Seu desempenho impressiona. O jovem tem velocidade, bom controle de bola, poder de finalização e sabe sair da área para buscar o jogo quando necessário. Durante o bate-papo que trago ao blog hoje, pude perceber um garoto centrado, humilde e que sabe o que quer buscar e onde quer chegar – na transição da base para o profissional, o psicológico é um dos fatores mais importantes.

Eu mesmo pude usufruir do talento de Renan no Football Manager. Com ele usando a camisa 9, levei o Botafogo à conquista da Libertadores depois de muitas madrugadas de esforço. Ao vê-lo brilhar em campo na vida real, só posso desejar que a previsão do FM esteja certa e ele se torne um grande jogador.

Abaixo, você pode saber mais sobre Renan Gorne e conferir a entrevista que ele concedeu ao blog.

Preto no Branco: Olá, Renan. Seja bem-vindo ao Preto no Branco. Conte-nos sobre você e a sua trajetória no futebol até aqui.

Renan Gorne: Minha trajetória no futebol começou com sete anos numa escolinha de em Campo Grande-RJ. Passei depois por outras três. Na última delas, já com 11 anos, disputei um jogo contra a equipe do Botafogo. Fui bem e eles me convidaram para fazer um teste. Fiz, fui aprovado e aqui estou até hoje, aos 20 anos.

PnB: Quais suas maiores conquistas até agora?

RG: Nesse tempo, passei por muitas coisas. Conquistei títulos, aprendi muito em campo e na vida. Mas os momentos que eu guardo bem na memória aconteceram no fim de 2010 e durante os anos de 2011 e 2012. Em 2010, com 14 anos, fui sozinho para os Estados Unidos jogar pela United Futbol Academy, a UFA, um torneio de quatro dias. Foi uma experiência rápida, mas que me deu muita confiança para o ano seguinte, quando fui um dos artilheiros da Copa Votorantim 2011, vice-artilheiro do Campeonato Carioca Sub-15 e acabei convocado para a Seleção Brasileira Sub-15.

Em 2012, fui campeão e artilheiro do Torneio Guilherme Embry Sub-17, além de ter sido convidado para um período de testes no Manchester City. Na minha transição da equipe juvenil para a equipe de juniores, sempre busquei meu espaço no time, fui campeão de campeonatos estaduais pelo Botafogo, mas não era titular. Foram poucas oportunidades. Agora, as oportunidades apareceram e graças a Deus estou sabendo aproveitar, sendo um dos artilheiros do Campeonato Carioca sub-20.

PnB: Como você enxerga o trabalho de base do Botafogo? Vê uma filosofia clara sendo implantada?

RG: Acho um bom trabalho, não é à toa que vários jogadores têm tido oportunidade na equipe profissional. Desde que estou aqui, o clube procura formar o jogador por completo – não só dentro de campo, mas como fora também, em questão social, estudantil e familiar.

PnB: Como você descreve o seu estilo de jogo? Existe algum jogador no qual você se espelhe?

RG: Sou um atacante que se movimenta bem entre os zagueiros e também sai pra jogar, além de se posicionar bem dentro da área. Tenho uma boa técnica, bom poder de finalização com ambas as pernas, bom chute de média distância e me considero rápido. Gosto muito do futebol do Lewandowski, do Bayern de Munique. Acho minhas características parecidas com as dele.

PnB: O Botafogo tem explorado cada vez mais os seus jovens no time principal. Existe algum plano ou projeto para sua utilização? Já sonha com seu primeiro gol como profissional?

RG: Se tem ou não, não sei. Estou fazendo o possível para ter a oportunidade no time de cima. Quero continuar essa boa fase pra ter a minha chance. Sempre sonhei com o gol, desde criança, mas mantenho os pés no chão. Até eu fazer esse primeiro gol no profissional ainda tenho que marcar mais aqui na base.

PnB: Seu ótimo desempenho não é de hoje. Em 2012, sua performance mereceu um convite para um período de experiência no Manchester City. Como foi essa experiência?

RG: Foi ótimo, pude conhecer como é o futebol inglês em um dos maiores clubes do mundo. Foi um grande aprendizado. Foi um período rápido, mas deixei uma boa impressão lá. Treinei 12 dias com o time e fiz um jogo no qual fui muito bem, fazendo o primeiro gol da partida e dando o passe para o segundo. Ganhamos por 2×1.

PnB: É inevitável perguntar: você joga Football Manager? O seu desempenho no game costuma ser fantástico. Ouve muito falar sobre isso?

RG: [risadas] Não jogo. A questão é que muitos amigos meus e alguns torcedores que jogam comentam isso. Se Deus quiser, quando tiver minha chance no time profissional, espero ter o mesmo desempenho do jogo e dar muitas alegrias aos torcedores alvinegros.

PnB: É comum ver seu nome no topo da artilharia. Você contabiliza seus gols na carreira? Saberia dizer quantos já marcou pelo Botafogo?

RG: Não costumo contar. Mas se for lembrar rapidamente dos campeonatos em todos esses anos, acredito que marquei algo em torno de 100 gols, por aí.

PnB: O entrosamento dos times da categoria de base do Botafogo tem impressionado. Quem são seus melhores parceiros em campo e fora dele?

RG: Eu tento ter um bom relacionamento com todos do time. Nesse ano, o entrosamento que estou tendo com o Lucas Campos e Gustavo Bochecha está muito bom. Fora de campo é complicado, por conta da distância de onde nós moramos.

PnB: Você tem algum sonho ou projeto específicos pra sua carreira? Algum objetivo a alcançar, um clube pra jogar, campeonato a disputar.

RG: Sonho em um dia poder jogar pela Seleção Brasileira numa Copa do Mundo. Jogar representando o nosso Brasil, onde jogaram muitos craques. Não tenho sonho maior que esse dentro do futebol. Espero um dia poder realizar.

PnB: Soube que você também cursa faculdade. Fale um pouco sobre isso.

RG: Estou cursando Educação Física. Desde pequeno, nunca deixei de estudar. Sempre soube que o estudo é essencial em nossa vida. Costumam dizer que é um pouco cansativo e difícil, e eu também acho, mas nada na vida vem fácil. E, na curta carreira de jogador de futebol, as coisas acontecem muito rápido. Olho para todos os lados. Quando encerrar a carreira, terei o que fazer.

PnB: Renan, muito obrigado pela entrevista. Deixe um recado pra essa torcida apaixonada que conta com seus gols no profissional.

RG: Gostaria de pedir pra que o torcedor alvinegro acredite sempre nas divisões de base do clube. O apoio de vocês é um incentivo pra que continuemos a sonhar em brilhar com essa camisa de tanta história e tradição. Espero poder marcar muitos gols, trazer mais títulos nos profissionais e alegrias para o torcedor botafoguense.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC