No fim dos anos 90, Felipe era uma das grandes promessas da base do Botafogo. Campeão de torneios importantes nas categorias inferiores, o jovem era visto como um dos jogadores de maior potencial em todo o Rio de Janeiro. Aos 18, chegou ao profissional e ganhou o apelido que o popularizaria: Tigrão.

Passaram-se 17 anos, e Felipe não estourou. Ele segue, contudo, sendo uma aposta do Botafogo, aos 38. Se o atacante se aposentou novo, atrapalhado por lesões, ele agora é técnico da equipe principal alvinegra, substituindo Jair Ventura, de quem era auxiliar. Só o “Tigrão” ficou pelo caminho, substituído por Conceição.

“Achei melhor manter o sobrenome para essa nova carreira. Quando a gente para de jogar, deixa uma vida para trás. Então, é vida nova, nome novo, tudo novo”, contou, em entrevista ao ESPN.com.br, em 2015, às vésperas da final da Copa do Brasil sub-17, que seria vice-campeão com os jovens alvinegros.

O nome que acompanhou o novo treinador botafoguense quando jogador foi criado por Donizete, o Pantera, seu companheiro de ataque no time alvinegro em 2001. O apelido caiu nas graças dos torcedores. Assim como seu futebol, que o levou à seleção brasileira sub-20, onde jogou com Ronaldinho Gaúcho.

Lesões e estudo moldaram treinador

Foi nessa mesma conversa com a reportagem há pouco mais de dois anos que o agora treinador do time principal do Botafogo falou sobre algumas de suas visões sobre futebol. Revelou também acreditar que as lesões, que abreviaram sua carreira, o ajudaram como técnico, já que melhorou na parte tática para superar as limitações.

“Hoje, vejo que elas me prejudicaram como jogador, mas ajudaram para me tornar treinador. As dificuldades me fizeram melhor na parte tática. Eu tinha que ser mais inteligente, porque já não deslanchava fisicamente. Não é que agradeço as lesões, mas entendo que elas me amadureceram”, avaliou ele.

A carreira de “Tigrão” foi atrapalhada por lesões nos dois joelhos e diversos problemas musculares. Foram apenas 12 anos como jogador profissional até a aposentadoria. “Poderia ter acontecido sem as lesões também, claro, a gente nunca sabe. Mas eu tinha um caminho bom, bem trilhado”, lamentou.

Para transformar Felipe em técnico, contudo, as lesões não fizeram o trabalho sozinha. Ele também estudou e fez curso de treinador da CBF – mas se incomoda com a discussão entre acadêmicos e ex-jogadores. “A gente cria dilemas que ex-atleta não estuda e acadêmico nunca jogou bola. São extremos que não cabem.”

“Fui um jogador mediano, estudo muito, leio. Temos que parar de achar que, por ser melhor tecnicamente, vai vencer. O futebol mudou, está muito mais competitivo, e a gente tem que se adaptar”, disse Felipe, em 2015, quando assumir a equipe principal do Botafogo ainda era apenas um sonho.

“Nunca sabemos o dia de manhã, né, mas seria uma alegria enorme. Tomara que alguém tenha coragem de me colocar lá”, declarou ele na ocasião, dois anos antes de a atual direção botafoguense ter, de fato, a coragem de apostar nele em 2018.

Fonte: ESPN.com.br