Novato no futebol e ainda longe da estabilidade financeira, Almir — então um meia promissor do Botafogo de 2003 — não resistiu à empolgação pela compra de um potente equipamento de som para seu carro e fez questão de exibi-lo em General Severiano. Antes do treino, foi interpelado por Levir Culpi.

“Você não tem dinheiro nem para desentortar os dentes e gastou com o som?!”, questionou o técnico na frente dos outros jogadores.

A declaração, que arrancou gargalhadas do elenco e deixou Almir envergonhado, resume bem o perfil do técnico. Conhecido pela bem humorada sinceridade, ele volta a disputar o Estadual do Rio justamente contra seu clube de 13 anos atrás. Boas lembranças é o que não falta em quem trabalhou com ele.

— Falar de Levir é falar de uma pessoa correta, sincera e brincalhona. Uma vez ele disse na minha cara: “Sandro, você é um dos melhores zagueiros do Brasil. Mas por que só senta a porrada nos rivais?” — recorda o zagueiro, xodó da torcida alvinegra. — Coloquei aquilo na minha cabeça e fiz a Série B sem tomar nenhum cartão vermelho.

Levir Culpi entre a mulher Marília e a cantora Beth Carvalho na comemoração do acesso do Botafogo, em 2003
Levir Culpi entre a mulher Marília e a cantora Beth Carvalho na comemoração do acesso do Botafogo, em 2003 Foto: Fernando Maia / 25.11.03

Da mesma forma que cobrava seus comandados, Levir não se escondia na hora de ajudá-los. Rebaixado e em crise financeira, o Botafogo não tinha nem mesmo ônibus para transportar os atletas. A ida para os treinos no CFZ era garantida graças à carona dada por jogadores e pelo próprio treinador, que levava quatro em seu carro.

— Dava carona, mas isso chateava muito ele. Porque o Levir sempre foi de lutar em prol dos jogadores. Ele cobrava muito dos dirigentes — conta Carlos Alberto Lanceta, coordenador de futebol do Alvinegro na época.

No Flu, primeira impressão positiva

O passado no Botafogo ficou para trás. Mas, ao que tudo indica, a história do treinador não será muito diferente nas Laranjeiras. A julgar pelas primeiras declarações, a impressão inicial dos jogadores do Fluminense foi a melhor possível.

— Ele é um cara bem sincero, que fala na frente. Se você errou, ele fala na hora. Se erra posicionamento, ele cobra — conta Giovanni, em discurso idêntico ao de quem o conheceu há 13 anos.

Taticamente, o estilo de trabalho do treinador também agradou. Adepto de um futebol ofensivo, Levir já agradou aos tricolores.

— Treinador que gosta de conversar, orientar bastante. Gosta do time ofensivo. Eu gostei. Acho que vai conseguir encaixar o nosso time — elogiou Wellington Silva.

Fonte: Extra Online