Entre apostas da diretoria do Botafogo no mercado sul-americano, Joel Carli largou na frente no início da temporada. Contratado ao Quilmes, da Argentina, o zagueiro chegou a General Severiano como uma incógnita. Inclusive para o técnico Ricardo Gomes.

Preocupado com a insegurança do gigante de 1,91m nos treinos, o treinador admitiu a surpresa com o bom desempenho nas duas últimas partidas. Se foi ‘reprovado’ nos treinos, o argentino passou com louvor nos clássicos com Fluminense e Vasco. Com bom-humor, explicou a surpreendente evolução.

“Se falou muito sobre isso… (risos). É diferente treinar da mesma maneira com um companheiro do que jogar por pontos contra um determinado rival. Essa é a principal diferença”, disse Carli.

Se os estrangeiros Gervasio Nuñez e Lizio perderam espaço e Salgueiro ainda busca uma brecha entre os titulares, Carli não tem o que reclamar de seu momento. Efetivado no lugar de Renan Fonseca, ele tem se adaptado muito bem ao futebol brasileiro e garante que o segredo para não perder a concentração é tratar todo adversário com a mesma seriedade.

“Os clássicos têm um ‘plus’, mas somos profissionais e temos que jogar igual em todas as partidas. Somos uma equipe em formação, mas, obviamente, pelo Botafogo ser um time grande, temos o compromisso de conquistar os resultados e de brigar pelo campeonato”, sentenciou o xerife argentino.

Portanto, Leandrão que se prepare. Na última rodada do Carioca, o atacante do Boavista encontrará pela frente um zagueiro tão motivado quanto nos confrontos contra Fred e Nenê.

BOM DE PAPO, CARLI RECEBE CONSELHOS E TROCA DICAS

Não foi fácil para Carli conquistar a confiança de Ricardo Gomes. O desafio do treinador de remontar o sistema defensivo aumentou a responsabilidade do argentino, que se mostra interessado e atento aos conselhos do chefe, ex-zagueiro da seleção brasileira e ídolo no Fluminense, Benfica e PSG.

“Ele (Ricardo Gomes) conversa muito com todos. E, obviamente, sempre pego conselhos. Ele sempre trabalhou em equipes grandes”, disse o zagueiro.

A cada dia mais adaptado, Carli não vê o idioma como barreira no Botafogo. Bem recebido, ele gosta de falar e cobrar durante as partidas. Companheiro de zaga, o jovem Emerson, de 20 anos, tem sido o principal e atento ouvinte do hermano.

“Converso muito com Emerson, tanto dentro quanto fora de campo, para formar uma relação, o que é importante. Faço isso com todos os companheiros. Faz com que fiquemos melhor no jogo”, disse Carli.

Fonte: O Dia Online