o Brasil, sonhar em tornar-se um renomado jogador de futebol beira ao intrínseco entre a garotada. No caso de Matheus Fernandes, joia do Botafogo, o desejo de ter sucesso no gramado foi pavimentado com o apoio e a experiência de seus pais, que já haviam se aventurado na carreira e, até hoje, dão conselhos para que o volante siga com êxitos nesses primeiros passos.

Receptivos, Reinaldo e Roseli, pais de Matheus, e o próprio atleta alvinegro abriram a casa no Recreio, Zona Oeste do Rio, à reportagem do LANCE! para contarem com detalhes as experiências da família, hábitos e as projeções para o promissor futuro de Matheus Fernandes, titular da equipe de Alberto Valentim e constantemente ventilado no mercado europeu.

Reinaldo pontapeou o papo com o seu roteiro.

– Morar em Itaboraí me dificultou para treinar em clubes. Cheguei a faltar a uma final pelo América-RJ por causa da distância, quando era do juvenil. Também fui parar no Noroeste (Bauru), aos 18 anos, mas voltei ao Rio no mesmo dia do teste por lá, já que recebi a ligação avisando que o Matheus havia nascido. Não pensei duas vezes para retornar – contou Reinaldo.

O que Lothar Matthäus tem a ver com Matheus Fernandes? Nome do brasileiro é inspirado no ídolo alemão (Foto: AFP)

Matheus nasceu no dia 30 de junho de 1998. E não demorou muito para que a criança nascida em Itaboraí visse a paixão pela bola aflorar. Mesmo cedo, Reinaldo já tinha desistido do futebol quando ouviu do próprio filho, então com 3 anos, que o sonho de jogador estava de volta ao lar dos Fernandes. Ali surgiam os primeiros tijolos no caminho (não, você não leu errado).

– Todo presente que Matheus ganhava, desprezava. Só aceitava bola, bola. Com 3 anos, ele me falou que queria ser jogador. Fui logo comprar uns tijolos para que ele fizesse zigue-zague e trabalhasse as duas pernas. Ele pegou jeito rápido e sozinho e, quando completou 6 anos, o levei para um escolinha.

A ESCOLINHA DO PROFESSOR REINALDO

Os primeiros passos de Matheus foram em Santa Isabel, em São Gonçalo. Ali, ganhou destaque entre crianças mais velhas, muito pelo tamanho avantajado, e foi parar no Nova Iguaçu, período no qual uma limitação, que antes havia prejudicado seu pai, acabou a catapultá-lo – embora que por curvas no trajeto.

– Quando ele completou 9 anos, foi levado pelo Juarez (técnico dele na escolinha em São Gonçalo) para fazer teste no Nova Iguaçu. Eu avisei que, por causa da distância (Itaboraí-Nova Iguaçu), não havia como se federar lá, naquele momento. Com isso, avisei ao Matheus que eu mesmo começaria a dar treino a ele. Passei a bater bola num campo e, com isso, começou a vir uma garotada de tudo quanto é lugar para treinar junto com a gente. Foi quando tive a ideia de criar uma escolinha (batizada de União Jovem). Em pouco tempo, tive um time completo, depois já tive que criar outras categorias… Até time feminino criamos, onde minha esposa jogava. Ela era zagueira e ia bem – completou Reinaldo, levando dona Roseli a uma tímida risada.

– Eu estou no meio… Meu pai era atacante e minha mãe zagueira. Peguei um pouquinho do pai e da mãe – falou Matheus, mantendo a brincadeira.

INTERRUPÇÃO DA CARREIRA E ESCOLHA PELO BOTAFOGO

Chamado pelo filho de “Wikipédia” de sua carreira, Reinaldo, entusiasmado e orgulhoso, seguiu o itinerário da história. Sem o Nova Iguaçu e com passagens por escolinhas, Matheus foi atuar no Profute, e saiu de lá porque seu pai o aconselhou a se preparar melhor, longe da equipe de Itaboraí (filiada à Ferj). E o motivo é inusitado.

– Tirei Matheus da Profute porque ele cresceu muito rápido e ficou desengonçado, nem conseguia mais correr e sentia muitas dores nas articulações. Antes, ele era veloz e baixo, tanto que jogava de lateral-direito. Eu falei que cuidaria e voltaria a dar treino a ele até evoluir.

Em seguida, Matheus Fernandes foi levado para testes no Fluminense, que o dispensou após lesão. Ficou sem treinar seis meses até surgir o Bangu. Na equipe de Moça Bonita, só jogou em quatro oportunidades e logo despertou o interesse dos gigantes do Rio – inclusive do próprio Fluminense.

– Os quatro grandes vieram conversar comigo. O Fluminense já tinha o dispensado e, para a gente, não era jogo pois tínhamos o receio de ocorrer o mesmo na frente. O Flamengo, pela concorrência, não compensava ali. No Vasco, o treino era longe para nós. O Botafogo, como tinha a perspectiva de mudar a base para Niterói (mais perto de Itaboraí), como aconteceu em seguida, foi a nossa opção. E assim surgiu a história dele no Botafogo – contou Reinaldo, que, a partir daí, passou a ver Matheus assumir as rédeas do papo.

CONFIRA O BATE-BOLA COM MATHEUS FERNANDES 

Como se deu o seu início no Botafogo? 
Tive dificuldade no início, não tinha tanto espaço quando cheguei, com 14 anos. Cheguei no fim do ano para jogar uma final pelo Botafogo, mas foi constatada uma lesão no meu tornozelo. Só voltei no ano seguinte. Não foi fácil, a concorrência era bem grande e demorei a emplacar.

E hoje, com título brasileiro no sub-20, passagens por Seleções de base, Libertadores e conquista do Carioca, consegue apontar o momento mais marcante na curta carreira? 
Acho que meu primeiro gol no profissional (contra o Grêmio, pela terceira rodada do Brasileiro-2018) e também estar na Libertadores (2016, em seu primeiro ano de profissional)… Quando eu fiz o gol, parecia que o grupo todo marcou junto. Foi muito legal, eu estava me cobrando.

Por citar o título carioca, sua namorada é vascaína. Você deu uma zoada nela depois dos pênaltis no Maracanã? 
Antes do jogo, eu falei para ela (Maria Júlia) não ir ao Maraca porque eu ia estar em campo e seríamos campeões. Ela é vascaína fanática. Eu nem zoei senão ela ia me bater. Não posso falar nada do Vasco, ela é doente mesmo, pô.

Que sorte a minha ter encontrado você 😍❤️

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Meta interna do Botafogo no Brasileiro até a Copa do Mundo, existe?
Olha, essa parada pode nos ajudar ou prejudicar, vai depender do nosso rendimento. O Brasileiro é um campeonato muito difícil, mas estamos trabalhando para estar no topo. Os times oscilam muito e queremos ir jogo a jogo, brigar sempre. Estamos preparados.

Você citou um discurso típico do Valentim. Como você o analisa?
O Valentim é super tranquilo e alegre, mas também é muito correto e focado. Chegou no campo, acabou a brincadeira. Não tolera atraso de jeito nenhum, por exemplo. Por isso que eu acho que ele entra tanto na adrenalina nos jogos, cobra mesmo, pois quer o melhor para o Botafogo, de verdade. A bola passa perto ele já pega a bola… É bem participativo. Ele não é de aliviar no vestiário, chega firme e sabe a hora de cobrar na medida certa. Também apoia quando é necessário e dá a liberdade para chegarmos e comentar o que achamos ali de dentro do campo. A troca é muito positiva.

Há vários clubes europeus que o monitoram, como o Barcelona. Há o sonho de atuar em um grande clube na Europa?
As sondagens são frutos do meu trabalho, do empenho. Eu valorizo muito o meu trabalho, o meu dia a dia. Se tiver que ser, vai ser. Não tenho pressa para nada. Fico tranquilo e deixo meu pai ver essa situação para não interferir dentro de campo. Eu não traço metas, só busco o que está ao meu alcance hoje. Quero brigar para ser campeão novamente aqui.

A Seleção Brasileira também está em suas metas? Vê a chance como real? 
Chegar na Seleção é o auge, meu sonho, como tem que ser de todos os jogadores. Espero estar mais perto para a próxima Copa, vejo como realidade no próximo ciclo. Só vai depender de mim e se estarei bem onde estiver. Tenho totais chances de chegar lá.

Para finalizar, o que curte fazer nas horas vagas?
Eu sou muito caseiro. No máximo saio para jantar, com a família, namorada, e jogo videogame, assim como meu pai, se deixar fica o dia todo no quarto. Mesmo morando perto, não curto ir à praia, às vezes penso em ir, mas bate uma preguiça. Sou tranquilo.

Fonte: Terra