Em longa entrevista para a Rádio Botafogo, reproduzida parcialmente pelo site “Globoesporte.com”, o ex-presidente Mauricio Assumpção falou sobre diversos assuntos. Um deles foi a comissão de 5% do patrocínio da Guaraviton para a Romar Representações, empresa do seu pai.

O ex-dirigente detalhou todo o processo e deu sua versão para o polêmico caso.

– A Romar (Representações) foi comissionada para trazer a Viton 44 para patrocínio dentro do Botafogo. Como isso se deu? Nós precisávamos fechar o produto manga de camisa. Meu pai virou para mim e perguntou: “Mauricio, você ainda tem espaço na camisa do Botafogo para patrocinador”? Disse: “Sim, vou falar com o marketing, mas acredito que a gente tenha espaço. Mas por quê”? “Ah, porque um cliente nosso”…

– Eu virei para o marketing, na época era o Marcelo (Guimarães), e encaminhei o e-mail. E o Marcelo disse que tinha o produto, sim. Se não me engano, eram R$ 3,5 milhões a manga da camisa. E aí surgiu a questão da remuneração pelo cliente que está sendo trazido. Quando se faz a pergunta se é ético, moral, é óbvio que isso tudo passa pela minha cabeça.

– Então um familiar meu está trazendo algo para o Botafogo e será remunerado para isso. A primeira pergunta que tinha era: é correto? O estatuto permite? Pode ser feito? Pedi uma avaliação do jurídico, que me traz a seguinte resposta: não existe nenhum senão para esta questão. Então era uma decisão, única e exclusivamente, que cabia a mim.

– E nada foi feito por debaixo da mesa, tudo por cima. O contrato passou dentro do comitê comercial, que tem várias pessoas. Depois foi aprovado pelo Conselho Fiscal e pelo Conselho Deliberativo. Todo mundo tinha noção daquilo. Sabia que a partir do momento que as pessoas soubessem do fato eu iria ser questionado. Então você fica na seguinte situação: aceita ou não o dinheiro que seria bom para o Botafogo?

– A comissão era abaixo do que o mercado pagava, de 5% do valor. Resultado: foi bom para o Botafogo e ruim para mim, começou com R$ 3,5 milhões e acabou com R$ 22 milhões na camisa. O problema é que sabiam disso desde início, mas deixaram para falar perto de 2014, quando eu estava saindo. Isso nunca foi escondido, nunca escondi contrato.

– Essa empresa do meu pai não foi criada para esse fim, ela já existia, meu pai já travalhava com isso. Todos os ganhos do meu pai, em termos de patrimônio, já tinham sido feitos antes do contrato com o Botafogo. Meu pai faleceu em final de 2013, no início de 2014 o Botafogo devia comissionamento para ele. E ele passou por um processo de tratamento de câncer que custou uma grana, independentemente do plano de saúde, que era bom. E eu não paguei comissão, pois a prioridade era funcionário, jogador, imposto…

– “Ah, mas a Romar ganhou R$ 1 milhão em 2014 de comissão”. Foi merecido ganhar. Em cima do produto que ela trouxe para o Botafogo, de um patrocínio que está difícil de os clubes fazerem. O Flamengo fechou um contrato agora com a Caixa que não é nem o valor que tínhamos fechado com a Guaraviton se bobear. A empresa do meu pai na divisão da família ficou para a mulher dele e para o meu irmão, que trabalhavam na empresa. E o bem que meu pai tinha ele adquiriu antes do contrato com a Viton, do apartamento do qual eu sou herdeiro. É o que ficou.

– Se eu disser que não fui ético, estou indo contra um princípio meu de asumir um risco de tomar a porrada que eu tomei. É uma questão muito difícil de dizer, se é ético ou não. Só quem está aqui sabe o que sofreu por causa disso. Ser chamado de ladrão. Acusação não porque quem me acusou de ladrão eu processei e ganhei na Justiça porque não prova. (…) Ninguém tem o histórico que eu tenho na minha profissão sendo ladrão. Ninguém passa 28 anos sendo inquilino da mesma família no consultório em Copacabana sendo ladrão.

– Os processos que eu respondo são por improbidade administrativa, o que todos os presidentes que passaram pelo Botafogo cometeram. Senão a gente não estava no estado que a gente está com relação às finanças do clube. Tudo é questão de você, no final do teu dia, deitar e dormir com a consciência tranquila. Eu não tenho fazenda, barco, apartamento na Vieria Souto (avenida beira-mar em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro), como andaram dizendo que eu tinha. Gente dizendo que eu tinha uma Mercedes na minha casa. Não tenho e nunca tive. Quando eu saí entreguei todas as minhas declarações de imposto de renda.

Fonte: Rádio Botafogo e Globoesporte.com