O futebol do Rio de Janeiro virou caso de polícia. Literalmente. E o clássico entre Botafogo e Flamengo incorporou a triste sina de ser um confronto que vai muito além das disputas nas quatro linhas. Desde o dia 12 de fevereiro, quando o torcedor alvinegro Diego da Silva dos Santos foi assassinado com golpes de espeto de churrasco, o jogo ficou ainda mais cercado de tensão e atenção das forças policiais.

De acordo com as atas publicadas pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), as forças policiais empregadas em dias de jogos entre rubro-negros e botafoguenses foi sempre maior desde a tragédia de fevereiro, que contou também com uma mobilização menor do efetivo por conta do Carnaval.

Os policiais destacados para o clássico foram superiores até mesmo quando a expectativa de público foi menor do que o do jogo que culminou com o assassinato. Para o confronto deste domingo, a estimativa de público é de 16 mil torcedores, 14 mil a menos do que o da partida do início do ano. Em contrapartida serão 87 agentes de segurança a mais no entorno do Nilton Santos.

A escalada de violência resultou em recuo de Carlos Eduardo Pereira e Eduardo Bandeira de Mello, presidentes de Botafogo e Flamengo, respectivamente. A dupla, que nunca escondeu suas diferenças, foi ao “Sportv” em uma tentativa de levantar uma bandeira branca. Desde que os dois coincidem nas gestões de seus clubes, assuntos como a organização do Carioca, a transferência de Willian Arão e a Ilha do Urubu (antiga Arena Botafogo) opuseram os cartolas. Coincidência ou não, o clima se acirrou nas arquibancadas também.

As animosidades dentro do estádio foram ampliadas por controvérsias no mundo virtual. O ambiente ficou ainda mais pesado após o Flamengo fazer uma provocação que foi considerada inadequada por muitos, logo após a vitória no jogo que terminou com o assassinato de Diego. Em sua conta no Twitter, o Rubro-negro postou: “Não adianta fugir, não adianta correr”

“Da minha parte, da diretoria do Flamengo, ninguém pressiona para ter algum tipo de atitude hostil. Claro que você pode ter um diretor que exagera num comentário no Twitter, mas nada que venha a sacrificar o objetivo final. A postura do Flamengo é a de ter uma relação harmônica com os seus coirmãos”, afirmou Bandeira.

“Aquela tarde de 12 de fevereiro foi complicada, foi um momento traumático e tivemos uma reação a um momento difícil. Volto a dizer que a prioridade é o entendimento comercial (com o Fla)”, acrescentou Pereira.

A reportagem do UOL Esporte fez diversos contatos com o major Silvio Luiz, comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), mas não obteve retorno.

Confira o efetivo de todos os clássicos de 2017

 

12/2 – Nilton Santos (jogo que terminou no assassinato de um botafoguense)

Carioca

Expectativa de público: 30 mil

244 oficiais

 

23/4 – Maracanã

Carioca

Expectativa de público: 40 mil

420 oficiais

 

4/6 – Volta Redonda

Brasileiro

Expectativa de público: 14 mil

247 oficiais

 

14/8 – Nilton Santos

Copa do Brasil

Expectativa de público: 40 mil

374 oficiais

 

23/8 – Maracanã

Copa do Brasil

Expectativa de público: 59 mil

455 oficiais

 

10/9 – Nilton Santos

Brasileiro

Expectativa de público: 16 mil

331 oficiais

 

Fonte: UOL