Ex-presidente do Botafogo e membro do Comitê Executivo de Futebol, Carlos Augusto Montenegro entrou ao vivo na CNN Brasil nesta terça-feira para explicar a posição do clube de não retomar os treinamentos presenciais nem realizar jogos em maio, no auge da pandemia do novo coronavírus.

Máscaras do FogãoNET para torcedores do FogãoNET durante a quarentena da pandemia do novo coronavírus (COVID-19)

Ao lado do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, Montenegro concordou que o momento é de treinos virtuais apenas.

– A posição do presidente do Bahia foi perfeita, nesse item não há debate. Se vão treinar em casa, ok, é o que estamos fazendo. Treino presencial ou jogos nem pensar. Nós tivemos o início da volta dos treinos na Alemanha. Com isso, dez jogadores já se contaminaram. Hoje eu li que a FIFA e Conmebol estão estudando o que fazer em relação a setembro, se vão adiar o início das Eliminatórias da Copa do Mundo em setembro. O nosso ministro da saúde disse que no mês de maio poderemos chegar a mil mortes por dia. Nós estamos atrasados em relação à Ásia e à Europa cerca de 30 dias. Estamos sofrendo o pico da pandemia agora. A vida humana está acima de qualquer coisa. No Botafogo, dentro dos dados fornecidos, não há vagas nos hospitais do Rio, então não tem como falar de futebol. Não é serviço essencial, é uma diversão, um prazer. Tanto eu, quanto o presidente Guilherme, que está fazendo excelente administração, vamos preservar as vidas. O que mais se fala é em distanciamento, e futebol é jogo de contato – frisou Montenegro à CNN Brasil.

Loja do FogãoNET por Estilo Piti | O Site oficial do torcedor do Botafogo | Cupom de 10% de desconto

‘A palavra de ordem no Brasil é distanciamento’

Apesar das dificuldades financeiras do clube, Montenegro garantiu o foco na saúde.

– Vamos ter pela frente, já deveria ter começada o Campeonato Brasileiro, tem jogos da Copa do Brasil e Estaduais precisam ser terminados. Acho um risco muito sério no Rio Grande do Sul, liberar lá resolveria apenas o problema do Campeonato Gaúcho. Isso é uma doença muito traiçoeira, ninguém sabe se pega no ar, no suor, se pega pela segunda vez. Não tem nada a ver com futebol, que é calor humano e jogo de contato. É um esporte das multidões. Infelizmente, acho que vai ser uma das últimas atividades a voltar. Fico pasmo que ninguém fala da NBA, Champions League, tênis. Que tal um protocolo simples? Quando os estudantes voltarem às faculdades, que tem muito menos contato, nós voltemos a treinar. Não acho correto um universitário de 20 anos se preservar e jogador de 20 anos ter que correr risco para toda a família. Eu entendo, o Botafogo sofre na parte econômica. O Bahia fez um ano de 2019 maravilhoso, teria 2020 melhor. Claro que está sentindo impacto econômico, televisão parou de pagar e não tem mais renda de jogos. É triste, mas temos que ter paciência e encarar a realidade. Maio todos estão dizendo que maio vai ser mais difícil. Alguns jogadores vão para o enterro de um roupeiro, outros vão treinar? Não tem nexo. Se voltarem os jogos, o Botafogo não volta. Cada ponto perdido vai ser uma vida salva. Vou dormir tranquilo. No futebol não se joga sozinho, de que adianta o Grêmio treinar e o Caxias do Sul não? Vamos fazer as coisas com calma, etapa por etapa. Treinando em casa, nada de ter contato. A palavra de ordem no Brasil é distanciamento. E não existe futebol com distanciamento – completou.

Fonte: Redação FogãoNET e CNN Brasil