Campeão da Copa Sul-Americana em 2018 e da Copa do Brasil em 2019, o Athletico-PR virou exemplo para o Botafogo. O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, em entrevista ao site “Globoesporte.com”, falou sobre os passos da Botafogo S.A. e citou o clube paranaense, que se profissionalizou e concentra suas atividades no futebol.

Montenegro afirmou que “é hora de parar de viver de história”.

– É a hora de começar a fazer um clube novo, um time de futebol novo, até como é o Athletico-PR. É um exemplo. Tem CT onde profissional e base convivem. Não tem clube, não tem sede, sauna, piscina, cloro, basquete… É futebol. Não é um fundo, mas estão de parabéns. Não à toa estão ganhando títulos. Não tem mistério. Não tem a história do Botafogo? Não. Mas está na hora dos clubes pararem de viver de história. Tem que viver de realidade – declarou Montenegro.

O ex-dirigente pediu à atual diretoria, comandada pelo presidente Nelson Mufarrej, uma revisão no orçamento para 2020, pensando principalmente em evitar gastos desnecessários.

– Até conversei com o Nelson (Muffarej, presidente). Era hora do pessoal do clube fazer dever de casa, montar orçamento do clube sem o futebol a partir do ano que vem. “Não dá pra ter escolinha de natação? Não tem escolinha. Não dá pra ter vôlei, então não terá vôlei. Não dá pra ter três porteiros, então deixa só um. Como toda a empresa… Tem que ter receita e despesa. Não pode o negócio futebol ficar financiando o cloro da piscina, não existe isso – explicou o ex-presidente.

– Como se faz isso? Não sei. Mas o Athletico-PR fez. Então dá pra fazer. Se ficar pensando na tradição, vamos continuar sucumbindo, vivendo de passado e cada vez mais fraco. Ou você resolve, é uma decisão séria, para sobreviver e tentar disputar com dignidade, ou fica como está. Mas tem outra alternativa? Não tem, já ficou provado. Sem alguém não estiver satisfeito com a ideia, que dê outra solução – argumentou.

Confira outras respostas de Montenegro:

Dívidas do Botafogo

– Dizem que o Botafogo talvez tenha a maior dívida. Não é, mas trata-se de um dos maiores devedores, em torno de R$ 700 milhões. Mas vários outros times estão rodando por ali. Talvez de 30% a 35% da dívida seja de curto a médio prazo. E o resto é mais a longo prazo, justamente de impostos. O Botafogo chegou a isso por vários fatores, discrepância nas cotas de televisão, problemas de gestão… A televisão já foi benéfica aos clubes, hoje não é. Por que a Premier League, que melhor paga aos clubes, paga 250 milhões de libras em cotas de TV ao Liverpool e 200 milhões de libras ao 20º colocado, que acabou de subir? Deveria haver algo mais justo, ou acabaremos com um direcionamento para um campeonato de um ou dois clubes.

Botafogo S.A.

– Faço parte de um grupo de trabalho com 10 pessoas. Temos que formatar um fundo e registrar na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), angariar pessoas que estejam interessadas em investir. Ao mesmo tempo criar uma empresa, Botafogo S/A, específica para tocar isso. Esse fundo – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) – será dono dessa empresa.

– Obviamente vai ter um acordo para manter série de coisas, como cores, camisa, escudo, hino, etc, para preservar a tradição. Teremos que fazer um estudo para o sócio proprietário verificar de que forma ele gostará de participar do clube no futuro. Vamos continuar tendo o Botafogo social com sede, piscina, basquete, vôlei… E vai ter o Botafogo do futebol. Ele vai ser sócio de quê? A ideia é passar tudo que diz respeito ao futebol, zerado, sem hemorragia, para a nova empresa. O estádio, sócio torcedor, receita de TV, patrocínios, dívidas, orçamentos.

Montenegro investirá?

– Eu pretendo investir. É mistura de amor, de ter a honra de participar e quem sabe no futuro meus filhos ou netos tenham algum retorno desse investimento. É tudo delicado. Estão discutindo a questão tributária, querem virar empresa mas continuar pagando pouco imposto”.

Reunião do Conselho Deliberativo na próxima terça

– A gente não tem nada para falar porque não está pronto. Se tivesse alguma coisa para falar, eu falaria para vocês (imprensa), porque vocês nos ajudariam a angariar investidores e etc. Ainda não está pronto. Vamos falar exatamente o que estou falando para vocês. Vamos fazer um fundo, o FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), depois vamos fazer a empresa. Agora a gente tá começando a trabalhar junto com essa lei (de transformar os clubes em empresa) que querem votar em outubro.

Possibilidade de receita maior

– Muita gente me pergunta. E se aparecer muita gente e chegamos aos 400 milhões de euros? O projeto que você fez para 30 anos vai ser feito em dois anos e meio. Já vai começar a distribuir, quitar tudo e reembolsar os investidores.

Fonte: Gazeta Esportiva e TV Bandeirantes