Presidente do Botafogo entre 1994 e 1996, Carlos Augusto Montenegro  segue influente no clube. Ele, inclusive, se encontrou com o atual mandatário, Maurício Assumpção, e aproveitou para conversar sobre o futuro da equipe. Sem treinador, após decidir não revocar com Oswaldo de Oliveira, o Alvinegro encontra dificuldades em contratar um novo profissional. O principal problema é a pedida salarial desses profissionais.

Carlos Augusto Montenegro foi incisivo ao comentar a questão e fez duras críticas aos treinadores medalhões, com salários caros. O ex-presidente não poupou nenhum dos técnicos famosos e disse que o salário desses profissionais deve ser revisto. Por este motivo, ele aprova o nome de Eduardo Húngaro, solução caseira pretendida pela diretoria para assumir o time em 2014.

“Eu trouxe em 1995 uma pessoa desconhecida. Nem sei como deixei vir. Mas veio e ganhou o Brasileiro. Nem eu conhecia o Paulo Autuori na época. Quem pediu foi o vice de futebol Antônio Rodrigues. E em um dos meus acessos de loucura, eu deixei. Autuori era um desconhecido. Fui vaiado e criticado pela torcida na oportunidade”, disse Montenegro ao UOL Esporte.

E para justificar aposta em Eduardo Húngaro, que faz parte da comissão técnica fixa, além de acumular a função de treinador dos juniores, Carlos Augusto Montenegro ataca os técnicos renomados, que ganham salários do mesmo valor de jogadores de ponta no mercado brasileiro.

“A aposta deve ser de confiança do presidente e diretoria. É o caso do Húngaro. Esse Brasileiro desmistificou vários treinadores medalhões. Mano foi um fiasco e o Jayme foi melhor. Luxemburgo foi fiasco. Tite um fiasco. Dunga saiu pela porta dos fundos. Dorival nem se fala, rebaixou dois times grandes no mesmo campeonato”, afirmou.

“Esses técnicos pedem salario de R$ 400, a R$ 800 mil. Tem o segundo escalão de treinadores competentes. Sempre gostei do Marcelo Oliveira. Foi campeão no Cruzeiro e não tem como tirar. Tem Ney Franco, Cristóvão, Vagner Mancini… Gosto mesmo é do Enderson Moreira e do Claudinei de Oliveira, que para mim foi o melhor. Não entendi porque saiu do Santos. Eu daria uma chance para ele. Mas isso tudo depende da confiança do presidente no trabalho do Húngaro, além do salário”, completou.

O Botafogo voltou a se classificar para a Libertadores após 17 anos – última vez havia sido em 1996. Com a disputa da competição internacional, o Alvinegro buscava um técnico renomado, mas esbarrou em diversas dificuldades. Paulo Autuori deve fechar com outro clube brasileiro. Cuca foi tentado, mas recusou por estar focado no Mundial com o Atlético-MG. Já Tite e Cristóvão Borges foram vetados pelo alto salário.

Fonte: UOL