Tetracampeão brasileiro, o técnico Muricy Ramalho encerrou a carreira no ano passado e hoje faz parte da equipe de comentaristas do SporTV. No quadro “Fala, Professor!” do “Troca de Passes”, o ex-treinador elegeu os melhores treinadores que trabalham atualmente no país e explicou suas as escolhas. Entre escolhidos estão os novatos Jair Ventura (Botafogo) e Fábio Carille (Corinthians) e o veterano Abel Braga (Fluminense).

– O Jair, do Botafogo, está fazendo um trabalho de um time consciente, que sabe o que quer dentro de campo, muito bem treinado, e com muito pouco recurso. O Carille é outro fora de série dessa nova geração porque pegou um time que diziam em São Paulo que era a quarta força, aquela coisa toda, e ele soube saber as limitações do Corinthians. E o outro é o Abel Braga, que está fazendo um time de molecada porque o Fluminense não tem dinheiro, está muito mal financeiramente – considerou.

Para Muricy, trabalhar na função não é tarefa fácil. Ele usou os próprios problemas de saúde como exemplo da carga enfrentada pelos treinadores e criticou a gestão do futebol brasileiro quando se trata do assunto, considerada amadora.

– Para quem leva muito a sério, esgota demais, tanto é que tive vários problemas de saúde. Treinador, quando ganha um jogo, e sei porque fui treinador muitos anos, não fica feliz, fica aliviado. Os clubes põem tudo em cima do treinador, fazem questão de deixar o cara sozinho – disse.

Questionado, Muricy descartou qualquer possibilidade de voltar a ser treinador. Fora da atividade desde o ano passado, quando se afastou do Flamengo por problemas de saúde, ele confessou que esperava sentir mais saudade da função depois de tantos anos dedicados a ela. O comentarista revelou que chegou a ser procurado por alguns clubes, mas disse que nem abriu negociações por não sentir vontade de voltar a exercer a profissão.

– Não tenho saudade. Só tenho saudade das pessoas, mas de beira de campo, de dirigir um time, eu não tenho saudade. Recebi alguns convites, mas nem comecei a conversar. Eu não dei chance para nada porque é definitivo, não volto mais. Mas eu pensei que ia sentir mais. Mas não estou sentindo nada, não.

Ele criticou a estrutura do futebol brasileiro. Segundo Muricy, a estrutura amadora e isso explica o grande número de trocas de treinadores nos clubes do país.

– A gente vive no Brasil com uma estrutura muito amadora. Essa é a verdade. A nossa gestão é muito amadora (…). Então, é muito fácil você culpar dentro de um time de futebol culpar um só. Às vezes dão muita importância para um técnico de futebol, mas em um time bom ele é 20%.

Fonte: SporTV.com