Eles são os primeiros a chegar e os últimos a sair nos treinos, usam uniformes diferentes, viram santo em grandes momentos e basta uma falha para irem do céu ao inferno. Hoje é dia da primeira decisão do Carioca entre Vasco e Botafogo, às 16h, no Maracanã. Mas também é o Dia do Goleiro. Para comemorar a data, os ex-arqueiros Carlos Germano e Wagner, que escreveram seus nomes na história dos clubes, avaliam o confronto e depositam suas fichas nos atuais donos da posição.

Se Vasco e Botafogo chegaram à final do Estadual, muito se deve às atuações de gala de Martín Silva e Renan contra Flamengo e Fluminense, respectivamente. O uruguaio operou um milagre para defender um chute à queima-roupa de Alecsandro.


Wagner e Carlos Germano fizeram parte de times vitoriosos na história de Botafogo e Vasco
Foto:  Arquivo

“Aquela defesa valeu a classificação do Vasco”, comentou Carlos Germano, que foi o preparador de goleiros de Martín Silva no ano passado, e no currículo soma quatro títulos estaduais, um Brasileiro, uma Libertadores e um Rio-São Paulo apenas pelo Gigante.

“A frieza de Martín é algo que não se vê muito hoje em dia. É um jogador muito bem resolvido e foi um prazer trabalhar com ele”, elogiou.

Wagner, campeão brasileiro, da Conmebol, do Troféu Teresa Herrera, do Rio-São Paulo e do Carioca de 1997 sobre o Vasco, na última final entre os clubes e que ficou marcada pela ‘Dança da Bundinha’ de Edmundo, também conhece Renan como poucos. Quando trabalhou no Glorioso, entre 2009 e 2010, ele seguiu o início da carreira do goleiro.

Para Wagner, nem o fato de o jovem ser reserva de Jefferson, arqueiro da Seleção, o atrapalha. “Não vejo lado negativo no Renan. Posso dizer que o ponto forte dele é a saída de gol. Tem uma ótima técnica, é tranquilo e tem a confiança do elenco”, descreveu Wagner, lembrando a disputa nos pênaltis contra o Fluminense — Renan defendeu duas cobranças e classificou o Botafogo para a final ao acertar o seu chute: “Esse jogo mostrou que ele é um dos principais destaques do Botafogo.”

Experientes no assunto, ambos concordam que Vasco e Botafogo, no Dia do Goleiro, terão ótimos representantes em suas metas. “Fico feliz pelo Vasco ter o Martín como goleiro”, admitiu Germano. “Renan trabalhou muito por essa chance e a está aproveitando”, completou Wagner.

WAGNER LEVOU A MELHOR NA FINAL DE 97

O passado bate à porta. A final do Carioca de 1997 é a primeira lembrança que vem à mente de Germano e Wagner ao falarem sobre um jogo decisivo entre Vasco e Botafogo que disputaram. Se Germano não tem boas recordações, Wagner lembra com carinho sua única conquista no Campeonato Estadual.

“Aquela competição foi marcada pelas polêmicas extracampo, por pressão política e disputa nos bastidores. Lembro da dança do Edmundo — na primeira final vencida pelo Vasco —, que nós usamos para nos motivar. Deu certo”, comentou Wagner.

Ele fala do lance em detalhes: “Estava no gol à direita das cabines de rádio e o vi chegando na ponta. Fiquei perplexo e não acreditei. Na hora ficamos chateados, mas está superado.”

O título de 1997 não veio, mas Germano prefere ressaltar os dez anos como titular no Vasco. “Se hoje o clube luta para acabar com um jejum, eu disputei títulos em praticamente todos os anos. E venci mais do que perdi.” Ele resumiu o sentimento de quem escolhe a camisa 1. “É vocação, vem no sangue.”

Fonte: O Dia Online