A boa pontaria ficou registrada apenas na história, mas a fanfarronice exibe boa forma ainda, pronta para entrar em campo em qualquer circunstância da vida de Túlio. Principalmente quando o assunto é o aniversário de 20 anos da conquista do título brasileiro de 1995, comemorado pelo Botafogo nesta quinta-feira.

– Quer falar sobre o título? Então você ligou para a pessoa certa – diz o ex-artilheiro, ao atender o telefone: – Aproveita e escreve que eu gostaria que o Botafogo colocasse uma estátua minha no Engenhão. Espero que a homenagem seja feita em vida ainda, que não esperem eu morrer.

Esse Túlio aí, igual ao de 20 anos atrás, estará nesta quinta-feira em General Severiano, na festa em homenagem ao time campeão, quando será lançado o livro “95 – A tua estrela brilha”, escrito pelos jornalistas Claudio Portella e Rafael Casé. Já o ex-camisa 7 escreveu com o pé a saga alvinegra, assinando com um gol o empate em 1 a 1 na final com o Santos, no Pacaembu.

– Eu estava impedido, mas errar é humano. Hoje, 20 anos depois, vejo erros mais escandalosos – compara Túlio: – Voltamos para o Rio no voo da alegria. Havia umas 150 pessoas num avião em que deveriam caber cem. Tinha gente até no banheiro! O Túlio Maravilha só é o que é graças a esse título. Não fosse isso, seria só mais um bom atacante que passou pelo Botafogo.

A volta ao Rio, com a taça na bagagem alvinegra, é uma das melhores imagens guardadas por Túlio ao longo da carreira. Mas a memória tem espaço para cada um dos companheiros da conquista:

– É um dos melhores times da história do Botafogo. O goleiro (Wagner) teve sua melhor atuação na final. Na zaga, um xerifão e um mais habilidoso (Gottardo e Gonçalves). Os dois laterais eram versáteis (Wilson Goiano e André Silva). No meio, dois cães de guarda (Leandro Ávila e Jamir). Sergio Manoel era a cabeça pensante, e Beto, o motorzinho. Donizete foi o melhor garçom que tive na carreira. E eu ficava lá na frente para conferir.

Donizete retribui a citação. Um dos ícones também da campanha gloriosa, o Pantera levou para a vida a parceria formada em campo:

– Amo o Túlio de paixão. É um dos melhores amigos que fiz no futebol. Quando cheguei ao Botafogo, a primeira pessoa que me recebeu foi o Túlio. A alegria dele me comoveu e é a melhor lembrança que tenho daquele time. E olha que a gente enfrentava dificuldades…

Mas o amor falou mais alto. No fim, a taça coroou a luta do time bem armado pelo treinador Paulo Autuori.

– Os salários atrasavam cinco meses, mas havia uma diferença em relação aos dias de hoje: os jogadores tinham amor à camisa – afirma Túlio, nostálgico.

Fonte: Blog da Marluci Martins - Extra Online