Estádio lotado. Pressão. Juiz caseiro. Goleiro machucado. Gol no final. Pênaltis. A classificação do Botafogo à fase de grupos, como não poderia ser diferente, foi épica. Nossa história não permitiria nada diferente do que vivemos hoje. Torcemos, sofremos e passamos. Na raça, na camisa, na superação.

O Alvinegro fez um primeiro tempo de almanaque. Fechou-se com uma estrutura tática sólida e firme, impedindo que o Olimpia pressionasse, e tentou encaixar contragolpes esporádicos – que, no entanto, praticamente não existiram. Fomos para o vestiário com a sensação de que seria mais tranquilo do que pensávamos – mas era só o destino tentando nos pregar uma peça.

Na segunda etapa, o Olimpia veio pra cima, a torcida inflamou e o Fogão cansou. Com as duas linhas de quatro mais frouxas, cedemos espaços para as investidas paraguaias, principalmente na bola aérea. Em um bate-rebate despretensioso na área, a bola ricocheteou e sobrou à feição para ser empurrada para o gol. O futebol é cruel e, naquele momento, eu só conseguia pensar em toda a caminhada para chegarmos até aqui. Não seria justo – mas a bola não tem justiça.

Felizmente, Gatito, que entrara no segundo tempo devido a uma incomum lesão muscular do goleiro titular, segurou a bronca nos pênaltis – repetindo o desempenho dos treinos de ontem – e nos classificou. Apesar dos percalços, as dificuldades só engrandecem a nossa caminhada até aqui.

Não foi fácil, lá em dezembro, digerir o sorteio das primeiras fases da Libertadores. Pegamos dois adversários tradicionais e complicadíssimos, além do chaveamento de grupo mais difícil da competição. Dar de cara com Colo-Colo e Olimpia, confesso, não foi nada animador. O que vinha depois, então, até assustava um pouco.

Agora, não. depois dessas quatro exibições, mostrando agressividade em casa e inteligência fora, nós é que entramos nesse grupo chutando as portas e gritando: “grupo da morte, cheguei!“. Não somos o patinho feio. Faremos frente e disputaremos de igual para igual com Atlético Nacional, Estudiantes e Barcelona. Não será fácil, é verdade – mas, sinceramente, quem quer facilidade que vá disputar a Primeira (ninguém) Liga. Isso é Libertadores!

Prepare-se, botafoguense. Nosso coração foi bastante exigido nessas fases preliminares, mas o melhor ainda está por vir. Descanse seu coração, associe-se ao programa de sócio-torcedor do clube e anote as datas das três grandes festas que faremos no Estádio Nilton Santos – daquelas que só nós sabemos fazer. Vamos alçar grandes voos e marcar nosso nome nessa Taça!

Notas

Hélton Leite: 7
Fez boas intervenções e uma ótima defesa. Saiu machucado.

Marcelo: 6,5
Adaptou-se rapidamente à função de lateral e cobriu bem o setor na maior parte do tempo, apesar de quase ter caído na pilha dos paraguaios. Deu muito azar no lance do gol do Olimpia.

Joel Carli: 7
Mesmo sem ritmo, muito seguro ao comandar a linha defensiva. Bons cortes, bom posicionamento e até importante no diálogo com o árbitro.

Emerson Silva: 7,5
Nesse jogo, o melhor zagueiro botafoguense. Cortou todas por baixo e por cima. Só precisa caprichar mais nos lançamentos – o que, obviamente, não é a dele.

Victor Luis: 7,5
Incansável. Marcou muito, fechou espaços e ainda tentou, ainda que sozinho, avançar ao ataque e segurar a bola no campo ofensivo.

Airton: 7
Comandou o meio-campo com a qualidade de sempre no 1º tempo. Na segunda etapa, como sempre, cansou – e o time se desprendeu um pouco. Precisa conseguir aguentar 90 minutos no mesmo nível.

João Paulo: 6,5
Ocupou bem os espaços e correu bastante. Poderia ter segurado mais a bola no campo de ataque.

Bruno Silva: 7,5
Começou bem, mesmo deslocado na esquerda, e cresceu bastante ao ser colocado na direita, onde foi muito bem em 2016. Marcou bastante e correu demais, o que o impossibilitou de subir ao ataque.

Matheus Fernandes: 7
Não sentiu a pressão da partida e ajudou a dar dinâmica ao meio-campo. Saiu por estratégia tática.

Camilo: 5
Não foi bem. Não fechou tantos espaços como vinha fazendo e também não conseguiu segurar a bola no campo de ataque nem puxar contragolpes. Destoou do restante do time.

Rodrigo Pimpão: 6,5
Seu jogo foi prejudicado por estar completamente isolado. Nem as mudanças ofensivas surtiram efeito, e continuou lutando sozinho até o fim. Peça cada vez mais importante.

Gatito Fernández: 8
Herói improvável da classificação ao entrar na fogueira e ainda pegar três pênaltis na disputa. De certa forma, é um recomeço para ele no Botafogo.

Gilson: 4,5
Entrou para dar opção ofensiva e velocidade pelo lado esquerdo, mas foi nulo – e deu mais espaços pelo seu setor.

Guilherme: sem nota
Jogou cerca de 10 minutos e sequer encostou na bola.

Jair Ventura: 8,5
Armou ótimo ferrolho – mesmo sem muito tempo para treinar. Teve boas ideias nas substituições, mas a falta de qualidade das opções do banco prejudicaram a execução. Parece ter o elenco cada vez mais nas mãos. Precisa cobrar de sua comissão técnica um melhor condicionamento físico da equipe.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC