‘Nosso caminho na Libertadores tem passado muito pelo sentimento’, escreve blog

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Seguimos rindo de quem diz ser “só futebol”. Em mais uma noite de Libertadores no Estádio Nilton Santos, o Glorioso jogou com raça, aplicação e, dentro dos seus erros e acertos, conquistou uma importantíssima vitória na 3ª fase da competição. Mas o retrato do que somos não esteve dentro de campo.

Em um mosaico organizado e produzido em menos de uma semana, a torcida do Botafogo disse em duas palavras o que não transmitiríamos em um livro inteiro: “minha vida“.

Cada um que esteve ali, cada um que abdicou de seus afazeres e abriu mão do tempo com a família, das horas de sono, da segurança de sua casa – três dias após uma barbárie no mesmo local -, do sorvete com a namorada e da cerveja com o pai; cada um que mostrou sua prioridade, emprestou sua garganta e mostrou que o Clube é, sim, a razão de sua existência.

Talvez por isso a torcida goste tanto do Marcelo. Sua vontade contagia, sua luta incansável onde cada dividida parece significar sua sobrevivência. Vibramos com ele a cada corte, a cada desarme e nos enxergamos em seu lugar – honrando a Estrela a cada segundo dentro de campo.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Raça, dedicação e muita qualidade: mais uma partidaça de Marcelo na zaga alvinegra

Que o Botafogo saiba valorizar todos esses torcedores e tratá-los como o maior patrimônio de General Severiano. Dos guerreiros que viraram a madrugada organizando peça por peça do lindíssimo mosaico ao trabalhador que se sacrificou pra ir direto do trampo para o estádio, somos todos um pouco responsáveis por carregar o Alvinegro e empurrá-lo para as vitórias.

Hoje, me permito não falar muito de bola. Nosso caminho na Libertadores tem passado muito pelo sentimento, pela dedicação e pela vontade de fazer história. Com um resultado apertado, porém vantajoso, viajemos ao Paraguai à espera de mais uma noite de testes cardíacos como a de semana passada. Afinal, essa é a nossa vida!

Notas

Hélton Leite: 6
Foi bem nas poucas intervenções que precisou fazer, mas seu posicionamento é assustador. Precisa sair debaixo das traves nas bolas aéreas.

Jonas: 5
Muito limitado. Ineficiente no apoio e exposto na defesa. Sua única boa participação foi com as mãos; poderia virar jogador de vôlei.

Marcelo: 9
Mais uma partida monstruosa. Tirou absolutamente todas as bolas por cima e por baixo, cobriu os diversos espaços deixados por Jonas e mostrou uma disposição impressionante.

Emerson Silva: 7,5
Também fechou muito bem a zaga. Não se deixou abater pela infelicidade do jogo passado e mostrou bastante segurança, inclusive nas bolas altas.

Victor Luis: 7
Partida consistente, marcando com solidez e saindo pro jogo nos momentos certos. O contraste com a outra lateral é forte.

Airton: 7
Embora sem o brilho de outras partidas, comandou o meio-campo e a organização da saída de bola. Precisou se desdobrar para cobrir espaços na intermediária no segundo tempo. Saiu exausto.

Bruno Silva: 7
Vinha fazendo ótimo jogo até sair lesionado no intervalo. Compensou a ruindade do Jonas sendo um elo forte pelo lado direito.

Camilo: 6
Nitidamente prejudicado pela parte física, não brilhou. Correu muito e teve seu melhor momento na partida quando recuou para fechar espaços como um volante.

Montillo: sem nota
Infelizmente, sequer houve tempo para análise. Saiu machucado enquanto ainda buscava o melhor posicionamento em campo.

Rodrigo Pimpão: 9
Incansável. Corre muito o jogo inteiro, arma, cria, finaliza, marca e fecha espaços. Tem sido o cara de 2017 até aqui. Pra completar, ainda fez um golaço de bicicleta.

Roger: 6,5
Buscou espaços, ajudou a segurar a bola lá na frente e brigou com os zagueiros. Mas errou muitos passes – que até eram inteligentes em alguns momentos, mas ainda sem sintonia com o resto do time. Não caprichou nas finalizações.

João Paulo: 6,5
Está recuperando seu bom futebol. Melhorou tecnicamente e foi um motorzinho, mas ainda não encontrou o seu posicionamento ideal em campo.

Guilherme: 4,5
Entrou no intervalo pra deixar o time mais ofensivo e fez o oposto. Estragou todas as jogadas que participou e fez o Botafogo forçar jogo pelo lado direito. Sua disciplina tática é muito baixa.

Matheus Fernandes: sem nota
Entrou pra fechar espaços com sangue novo nos minutos finais. Sem tempo pra análises mais profundas.

Jair Ventura: 6,5
Sua ideia no intervalo foi boa; sentiu que o adversário não vivia um bom dia e pensou em botar o time pra frente, aproveitando a lesão de Bruno Silva. No entanto, precisa saber que Guilherme não tem condições de cumprir o que ele visualizava. Sua ousadia me agrada, mas com responsabilidade. Os espaços na nossa intermediária, somados à entrada do Roque Santa Cruz, recolocou os caras no jogo – mas conseguimos segurar a importante vitória.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC