Da vitória fora de casa na estreia contra o Paysandu, o Botafogo precisou de exatos 196 dias para conquistar o título da Série B com uma rodada de antecedência e festejar efusivamente com seus torcedores no desembarque no Rio, no sábado. Foi uma caminhada longa, com mais pontos altos do que baixos. Sendo toda ela feita dentro da realidade financeira do clube e com números que corroboram a boa campanha: em apenas uma rodada o time ficou fora do G-4; liderou em 28 rodadas; marcou 60 gols, o ataque mais positivo do torneio; e levou apenas 30, defesa menos vazada.

Em alguns pontos, as histórias se confundem. O retorno do clube à elite do Brasileiro também consagra a volta por cima de Ricardo Gomes quatro anos após o AVC que sofreu. Ele chegou ao Botafogo em um momento conturbado, quando todos se perguntavam se a demissão de René Simões apontava o caminho certo a se seguir.

Na ocasião, o Botafogo estava liderando a Série B, mas René não resistiu à eliminação para o Figueirense na Copa do Brasil. A surpreendente demissão abalou o clube. Até porque o treinador fazia bom trabalho e conquistara o vice-campeonato carioca, levando o astral e a confiança do time para a disputa da Série B.

— Ninguém esperava (a demissão do René). A gente estava fazendo um trabalho bom, mas o futebol é assim e somos profissionais. Por sorte, veio o Ricardo, que é uma excelente pessoa e nos ajudou bastante — conta o zagueiro Roger Carvalho.

René deixou o Botafogo bem encaminhado na competição. Em 12 partidas na Série B sob seu comando, o time venceu sete vezes, empatou três e perdeu apenas duas (66,6% de aproveitamento). Ricardo Gomes manteve a boa campanha. Vale lembrar que ambos tiveram que superar perdas no elenco, como as saídas dos atacantes Rodrigo Pimpão e Bill.

Houve um curto momento de desequilíbrio na troca de comandante, quando o time ficou quatro partidas sem vencer (três empates e uma derrota). A solução para sair da fase ruim foi caseira. Ricardo Gomes manteve alguns atletas da base, que ganharam espaços com o interino Jair Ventura, que comandou o time em quatro jogos. O atacante Luís Henrique, de 17 anos, integrado aos profissionais em julho, ainda sob o comando de René, é o mais promissor. Na estreia, marcou dois na goleada sobre o Sampaio Corrêa. Suficiente para alçá-lo à condição de salvador, mas Ricardo preferiu não deixá-lo aos leões.

— Ele teve uma mudança muito brusca, alguns jogadores saíram e teve a chance. Aproveitou e continua aproveitando. Mas, quando você coloca um garoto de 17 anos com a obrigação de fazer gol, pode destruir a carreira dele. Eu o preservei. Navarro começou a ganhar espaço e força, e ele foi para reserva. É excelente jogador e ano que vem vai brigar — explicou Ricardo.

Neste sentido, o Botafogo contou com a sorte. Navarro chegou ao clube no tempo certo. Trazido como desconhecido, o uruguaio aproveitou bem as oportunidades. Nos sete primeiros jogos, marcou seis gols garantido a titularidade. Ontem, no desembarque do time no Galeão, Navarro era um dos mais procurados pelos torcedores.

Fonte: O Globo Online