Botafogo que o mundo conhece, e que vai finalizar a disputa por uma vaga na semifinal da Libertadores nesta quarta-feira, é preto, branco e dono de uma história centenária. Mas na mesma Porto Alegre (RS) onde Carli, Bruno Silva e companhia vão jogar contra o Grêmio há um outro Botafogo. Se o Glorioso tem 113 anos, o xará é um pouco mais novo: já se foram 97 anos.

Rua Coronel Aristídes, 255. O quintal/garagem esconde a quadra do Botafogo Futebol Clube, diferente do carioca, que é de Futebol e Regatas. No bairro do Camaquã, o clube social passa despercebido por muitos, mas se mantém e sobrevive, atualmente, dos aluguéis semanais para os torneios amistosos. No Rio, seriam as peladas entre amigos.

– Todos os clubes de sociedade de Proto Alegre estão fechando as portas. O Petrópolis, o Teresópolis. Tem outros da elite. O nosso é mais “povão” – sorri o orgulhoso Victor Amaral, presidente tricolor do tricolor.

A repetição não foi à toa. O aposentado de 64 anos é gremista – e não abandona o Imortal pelo xará carioca nesta Copa Libertadores – e o Botafogo Futebol Clube tem o mesmo branco, igual verde e um vermelho quase grená como o Fluminense. Só prova de que não há relação entre os clubes da Zona Sul porto-alegrense e o da Zona Sul do Rio.

O futebol amador é o que sustenta o BFC, que hoje não tem equipe competindo por si – apenas cede a casa para outras. Dez anos atrás, contudo, amigos se juntaram e conquistaram o honroso título municipal, estampado não numa sala de troféus, mas em forma de foto no quadro de honra, obrigatório aos olhares dos peladeiros que pisam na quadra gaúcha.

Clubes como o Botafogo Futebol Clube, de atividades apenas sociais, são cada vez mais raros. Por isso o presidente comemora o quase centenário. Quanto ao de Futebol e Regatas, a partida desta quarta-feira, na casa do adversário, pode se tornar um passo inesquecível na já tão contada história do maior de todos os Botafogos do planeta.

Fonte: Terra