No dia quatro de fevereiro de 2017, o Botafogo venceu o Macaé, pelo Campeonato Carioca. Na primeira partida como profissional, Bochecha seria titular de um time majoritariamente reserva. Poucos dias antes, o jovem volante brincou com Matheus Fernandes, seu amigo inseparável e já titular do time, mesmo mais novo.

– Se liga que eu vou entrar e tomar o seu lugar – disse, arrancando risos, mas ouvindo de volta:

– “Tá” doido, rapá, sai para lá – retrucou Matheus.

Mas o duelo contra o time do Norte Fluminense acabou para o novato aos 17 minutos do primeiro tempo. Um pique teoricamente banal se transformou na preocupante ruptura do ligamento cruzado do joelho direito. O “irmão” Matheus Fernandes entrou no lugar dele, ouviu de Bochecha, com o mesmo bom humor, que havia “rogado praga”, e ambos esperaram.

Houve o Campeonato Brasileiro de Aspirantes, com um time, teoricamente, sub-23. Na prática, quase todo sub-20. No grupo de cima mesmo, a espera acabou na última segunda-feira. Com Marcelo sentindo dores no joelho esquerdo, foi Bochecha o escolhido por Alberto Valentim. O treinador já havia elogiado o atleta de 21 anos lá no dia 20 de março.

– Temos alguns jogadores que vão fazer a função ora de segundo volante, ora de primeiro. Vamos manter a alternância no setor. Temos o Marcelo, o Gustavo, que pode ganhar mais espaço, o Matheus (Fernandes) voltou a treinar conosco ontem e pode ser aproveitado também. Vamos ver isso ainda – avisou o comandante alvinegro.

O tal Gustavo é Bochecha. Gustavo Costa da Silva Machado, que entrou num jogo contra o todo poderoso Palmeiras após um treino apenas com os demais companheiros. Mas o suficiente para ser novamente elogiado por Valentim.

– O nosso desenho tático, de ponto de partida, era (no meio-campo) o Gustavo, o Rodrigo e o Matheus. Não perderíamos equilíbrio. Eles fizeram bem – ressaltou Valentim.

SURPRESA

O primeiro jogo pelo time profissional após 14 meses aconteceu quando poucos esperavam. Dudu Cearense já estava de volta, após apendicite; o recém-contratado Jean já poderia ficar no banco. Mas o amigo-irmão, com quem concedeu a primeira entrevista coletiva, já avisava.

– Foi surpresa. Eu falava: se prepara que pode cair no nosso colo. Caiu no meu na final (no segundo jogo, quando Matheus Fernandes jogou devido à suspensão de Rodrigo Lindoso), tem que estar preparado. Tem que trabalhar forte. E aí eu acho que deu certo. Ele estava seguro, confiante – celebra Matheus, que conclui, agora, ao LANCE!, tirando onda.

– Quero parabenizar ele pela volta. Depois de tanto tempo… a qualidade não foi embora, ensinei certinho – provoca, aos risos.

Com a atuação segura da noite desta segunda-feira, Bochecha entra de vez na briga pela titularidade. Até porque é elogiado há anos no Botafogo pela estilo clássico de jogar e pela mobilidade. Já atuou como primeiro volante, como segundo volante e como meia principal ao longo dos anos de base.

Foram longos anos, mas certamente nada tão longo quanto os longos dias, semanas e meses. Para fortalecer a perna, recuperar o equilíbrio físico, o ritmo e a competitividade. Agora, serão dias para trabalhar e dar sequência à carreira de profissional.

Fonte: Terra