Após dois anos e quatro dias, Oswaldo de Oliveira deixou o comando técnico do Botafogo. Os números sugerem que a ausência será sentida: em 133 partidas por quatro competições diferentes, o treinador teve aproveitamento de quase 58%, acima, por exemplo, do vice-campeão brasileiro de 2013, Grêmio.

Mas a trajetória de Oswaldo à frente do Botafogo não foi das mais tranquilas. Muito questionado ao longo de 2012, o treinador renovou seu contrato ainda em novembro sob protestos de boa parte da torcida. A “resposta” veio em campo, com a conquista do Campeonato Carioca e a 4ª colocação no Campeonato Brasileiro-2013, que classificará o time à Copa Libertadores do ano que vem caso a Ponte Preta não conquiste o título da Copa Sul-Americana na próxima quarta-feira, sobre o Lanús.

Agora, o ciclo chega ao fim com um acordo entre o clube carioca e o treinador, que tem acerto encaminhado com o Santos. Confira como foi o “casamento”, que começou 5 de dezembro de 2011 e terminou em 9 de dezembro de 2013.

2012 sem títulos e com questionamentos

Grande “reforço” do Botafogo para a temporada de 2012, Oswaldo começou o ano sob altas expectativas, e terminou criticado. Vice-campeão carioca e eliminado precocemente na Copa do Brasil e na Sul-Americana, o treinador liderou uma boa campanha no Brasileiro, mas terminou na 7ª colocação e frustrou as esperanças da torcida de classificação à Libertadores. Outro motivo de crítica foi a relação conflituosa com o ídolo Loco Abreu, que deixou o clube no ainda na reta final do ano após ser colocado na reserva.

Primeiro semestre ‘dos sonhos’ em 2013 e ascensão de Rafael Marques

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Rafael Marques comemora o gol do título do Botafogo
Rafael Marques marcou o gol do título do Botafogo

Se, para a torcida, o trabalho de Oswaldo era questionável, para a diretoria ele parecia satisfatório, e o treinador renovou contrato por mais uma temporada ainda em novembro. No primeiro semestre de 2013, o Botafogo conquistou o Campeonato Carioca sem a necessidade de uma “final geral”, e com apenas uma derrota em 19 partidas. Além dos meias Seedorf e Lodeiro, um dos grandes destaques da campanha foi Rafael Marques, que também fora “perseguido” pela torcida após passar os primeiros 20 jogos pelo Botafogo sem marcar um gol. Velho conhecido de Oswaldo, o atacante recebeu novas oportunidades no novo ano e desencantou, inclusive marcando o gol da vitoria por 1 a 0 sobre o Fluminense, na final da Taça Rio.

Final feliz e choro com Seedorf

O Brasileiro começou como o Carioca terminara: muito bem, e o Botafogo liderou a competição por seis rodadas. Mas as perdas de jogadores importantes como Fellype Gabriel, Andrezinho e Vitinho prejudicaram o time, que teve campanha mais irregular durante o segundo turno e deixou o G-4 no dia 13 de novembro, após 29 rodadas consecutivas na zona de classificação à Libertadores. A redenção veio no fim, com a vitória por 3 a 0 sobre o Criciúma e derrota do Goiás para o Santos, que recolocaram os cariocas na 4ª colocação e garantiram a classificação à maior competição de clubes das Américas mediante uma “ajudinha” dos argentinos do Lanús.

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Seedorf e Oswaldo de Oliveira se abraçam ao fim da partida no Maracanã
Seedorf e Oswaldo se abraçaram no Maracanã

Algumas imagens e palavras marcaram o fim do “casamento” entre Oswaldo e Botafogo. Após um ano e meio de convivência, o treinador deu um abraço emocionado em Seedorf no gramado do Maracanã, no último domingo. O holandês, mais uma vez, não poupou elogios ao comandante.

“O choro é de felicidade. A gente vive de maneira muito intensa no nosso trabalho. Nunca escondi o carinho que eu tenho pelo Oswaldo. Me substituiu para que eu pudesse receber o carinho do torcedor e eu apenas quis mostrar meu sentimento. No futebol, cada vez que termina o ano qualquer jogador pode sair de seu time. Mas não tem nada disso. Tenho contrato até o final de junho e darei sequência ao trabalho que venho fazendo”, afirmou.

O próprio Oswaldo deixou no ar a sua saída ainda na sala de imprensa do Maracanã, ao revelar que não fora procurado para renovar seu contrato e mencionar a crise financeira vivida pelo Botafogo em 2013, sobretudo a partir da interdição do Engenhão.

“Ano passado, muitos antes de terminamos a temporada eu tinha definido que ia permanecer no Botafogo. Infelizmente nesse ano as coisas não aconteceram dessa forma. É de conhecimento de todos que o Botafogo tem dificuldades financeiras e isso não foi esclarecido, não ficou clara em relação à minha renovação. Vou aguardar para que isso fique esclarecido. Vão acontecer as negociações e diante disso é que a coisa vai ser resolvida”, despistou.

No final, a solução foi o divórcio. Agora, Botafogo e Oswaldo torcem para que a Ponte Preta não vença o Lanús, em Buenos Aires, após o empate em 1 a 1 em São Paulo. O treinador, enquanto isso, se aproxima de um acordo com o Santos, que deverá comandar em 2014.

Fonte: ESPN.com.br