Oswaldo deu livro sobre Garrincha para todos os jogadores

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Em suas duas passagens pelo Botafogo, Cuca ficou marcado pela alegria dos times que armou e pelo drama nos momentos decisivos. No Atlético-MG, o técnico, enfim, conseguiu fundir a qualidade do trabalho ao brilho da conquista da Libertadores. Ao rever o ex-treinador, o Botafogo ainda está diante do mesmo dilema. Em busca de um título nacional que não conquista desde 1995, o time carioca tem sucessivas chances de superar o trauma de Cuca. Além do jogo de hoje, às 22h, no Independência, pelo Brasileiro, o líder desta competição e o atual campeão das Américas voltarão a se enfrentar duas vezes até o fim do mês pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

— Se existisse uma vacina anti-Atlético eu aplicava em todos os meus jogadores. Aquilo é um timaço, ganhou com méritos, um trabalho maravilhoso do Cuca — disse o técnico Oswaldo de Oliveira, evitando tratar o jogo como o encontro dos melhores times do Brasil. — Seria pretensão da minha parte, não da deles.

Passada a ressaca da conquista, o time mineiro tem sede de recuperação. Vindo de três derrotas, terá os retornos de Jô e Ronaldinho Gaúcho para tentar sair da zona do rebaixamento. Os contrastes acompanham os alvinegros, a começar pela camisa. No rastro do Atlético, o Botafogo tenta evoluir como clube para que o time acompanhe a transformação. Junto com o compromisso coletivo, para superar times mais caros e um atraso salarial crônico, o misticismo está de pé na entrada principal Engenhão. Ontem, o clube inaugurou a estátua de Zagallo ao lado do panteão que já conta com outras de Garrincha, Nílton Santos e Jairzinho. No lugar das lembranças desbotadas, os ídolos em tons de bronze fazem do passado um presente brilhante. Enquanto a cobertura do Engenhão exige reparos, os alicerces do orgulho estão firmes. Até o fim do ano, o time fará pelo menos dez jogos no Maracanã por força do contrato firmado ontem com o concessionário.

Na busca por resultados econômicos e esportivos, a contratação de Seedorf tem sido o melhor negócio. Apesar do porte físico monumental e da postura de líder, o craque ainda se movimenta intensamente para ocupar seu lugar entre os maiores da história do clube. Desde que chegou ao Rio, sentiu o peso do passado glorioso nas fotos dos ídolos que decoram as sedes do clube. Com todo o respeito que demonstra à instituição, queixou-se do apego excessivo às imagens esmaecidas por uma certa nostalgia. Apesar das reverências ao craque indicarem que as cores da modernidade chegaram com sua contratação, a grande estrela vive na dimensão da eternidade. Entre o orgulho e a esperança, o Botafogo está num ponto da sua trajetória em que o hábito de olhar para trás serve de estímulo para seguir em frente. Nas duas pontas, é possível vislumbrar ídolos, conquistas e talentos surgidos da base.

— O passado e o presente, de repente, confundem-se em lembranças boas e expectativas muito saudáveis. Quando cheguei ao clube, dei para todos os jogadores um exemplar do livro do Ruy Castro sobre o Garrincha. Queria que vissem o passado gloriosíssimo, mas também a realidade que o futebol nos apresenta É importante saber o lado bom de um, sem esquecer o peso do outro — disse Oswaldo.

Além da seriedade do trabalho e da qualidade dos jogadores, o técnico se agarra às lendas. Elogiado por Zagallo durante a homenagem em que o ex-técnico usou a superstição do número 13 para manifestar sua fé no título, Oswaldo recebeu as palavras como uma corrente elétrica. Assim como Zagallo mostra o braço sempre que se emociona, Oswaldo se arrepia não apenas pela chance inscrever 2013 na mitologia alvinegra. O reconhecimento já é sua maior conquista.

— Se tem algo que mexe comigo é isso. Zagallo é o treinador dos treinadores. Tirando toda a capacidade de Pelé em ser decisivo, merecia o título de Mister Futebol pelo que fez como técnico e jogador, e pela garra e exuberância que sempre exibiu — disse Oswaldo, lembrando o poder da estátua, em que Zagallo, reconhecido pelo pragmatismo em campo, domina a bola com o lado externo do pé. — Foi um jogador que simbolizou e sintetizou a cultura tática e o brilhantismo técnico do futebol brasileiro.

O encontro de hoje entre os alvinegros serve para reforçar a excelência. Depois de conquistar o prestígio que o Botafogo ainda persegue, Cuca é a referência a ser superada. Entre jogar bonito ou conquistar títulos, chegou a hora de provar que tudo é possível.



Fonte: O Globo Online
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