Otimismo, tensão e gratidão. Foram essas as três fases por que passaram os 1,900 torcedores do Botafogo presentes na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, nesta quarta-feira. A esperança só acabou quando o árbitro assoprou o apito final, e, mesmo assim, os alvinegros aplaudiram o time que vinha fazendo uma campanha mágica na Libertadores.

O otimismo vinha desde que o time chegou a Porto Alegre, com festa no aeroporto e no hotel. Dentro da Arena, continuou antes de o jogo começar e durante os minutos em que o Botafogo era superior na partida. A maioria dos torcedores vindos do Rio olhava em volta, para o estádio, com uma admiração típica de quem visitava monumentos como o Coliseu ou a Torre Eiffel pela primeira vez. Nem as bobinas na entrada dos times em campo e a bonita festa que o Tricolor gaúcho armou calaram os botafoguenses. Embora, do campo, os donos da casa provavelmente se fizessem ouvir mais (quem estava no meio da torcida alvinegra só ouvia os visitantes), o time carioca não se intimidou e entoou com orgulho um dos hits da temporada: “A Taça Libertadores vamos ganhar”.

Depois de algumas chances de gols perdidas pelo Botafogo, o clima passou a ficar mais tenso. Bocas que antes berravam canto após canto agora estavam ocupadas roendo unhas, e olhos antes felizes passavam a ficar mais cerrados, até fechados. A torcida que começara cantante passava a ficar cada vez mais calada. O interessante de se observar é que o motivo do silêncio não era a raiva – essa só deu as caras quando um ou outro jogador errava um lance fácil – mas sim a agonia. Seria como acordar com um balde de água gelada da temporada dos seus sonhos.

Durante o intervalo, misturavam-se os que, como típicos alvinegros, tinham certeza da eliminação e aqueles que, inspirados no ano mágico do time, tinham certeza da ida às semifinais.

Por toda a etapa final, o clima era mais ou menos o mesmo do fim do primeiro tempo. Pouco barulho, muita expectativa. Quando o gol do Tricolor gaúcho saiu, aos 17 minutos, o efeito foi visível. Os torcedores já não cantavam a plenos pulmões, então o gol não deixou o setor muito mais silencioso do que já estava. No entanto, ficou claro que os torcedores já sabiam que o empate seria difícil. O que não serviu para lhes enfurecer.

Muito pelo contrário. Quando o argentino Patricio Lostau apontou o centro do campo, a arquibancada aplaudiu. Parou e, após poucos segundos, aplaudiu de novo. Mesmo para uma das torcidas mais paranoicas e pessimistas do Brasil, o Botafogo, ainda derrotado, não havia decepcionado.

Fonte: O Globo Online