Pedidos para não jogar, greve e treino cancelado: salários atrasados tumultuam

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Em meio às dificuldades criadas pela crise financeira, o Botafogo vive momento de tamanho tumulto que até os principais aliados do elenco veem a situação como crítica e já não têm mais certeza sobre quais serão os próximos passos a serem dados. O técnico Vagner Mancini e o diretor técnico Wilson Gottardo estão sem o controle da situação após novo capítulo da novela de salários atrasados no clube alvinegro. Abalados, alguns jogadores pediram para não jogar contra o Fluminense.

Internamente, os líderes já iniciam uma organização por greve. Ainda é uma possibilidade tratada como remota, mas o assunto ganha corpo a medida que a diretoria do Botafogo se mostra incapaz de lidar com a crise financeira. O episódio desta terça-feira – que não foi novidade para o grupo – causou enorme insatisfação.

Seis jogadores ficaram fora da lista de pagamento do Botafogo – que irá acertar até esta quarta-feira um mês de salário atrasado em carteira do grupo. Lucas, Marcelo Mattos, Bolívar, André Bahia, Tanque Ferreyra e Bolatti foram os escolhidos para ficar sem o acerto.

O argumento dos cartolas foi de que a verba de R$ 2,5 milhões, liberada através de ação na Justiça pelo Sindeclubes (Sindicato de Empregados de Clubes do Rio), não era suficiente para pagar a todos os atletas. O sexteto tem altos salários registrados em carteira.

A notícia caiu como uma bomba no Engenhão e deixou os jogadores ainda mais unidos. Os que receberão salário ventilaram a ideia de rejeitar o acerto em solidariedade ao sexteto que não será contemplado. Em seguida, o grupo cancelou o treinamento integral de quarta – a atividade será apenas no período da tarde.

Sem margem de negociação, Mancini e Gottardo acataram a decisão. O discurso confiante de técnico e dirigente ficou para trás com o tratamento diferente dado ao grupo na questão salarial. Gottardo já não mantém o mesmo tom de voz tranquilo diante dos problemas financeiros.

Mancini admite que os jogadores, fragilizados, podem tomar qualquer atitude diante da atual situação. “A cada dia que passa fica mais difícil, o clima ficou muito pesado após a notícia dos salários. A gente teme perder jogadores, tenho a palavra deles, mas com essa diferença eu não sei até quando irá o limite de cada um”, afirmou o treinador ao canal ESPN.

O cancelamento de uma atividade durante semana de preparação para clássico com o Fluminense é apenas uma demonstração da força de lideranças do elenco alvinegro. A promessa é que novas iniciativas de protesto sejam tomadas caso a situação financeira do clube não mude.

Na zona de rebaixamento, o Botafogo precisa da vitória sobre o Fluminense. A partida está marcada para o próximo domingo, em Brasília. Sem Dória e Emerson Sheik, suspensos, Mancini pode ganhar novas baixas. Alguns atletas, abalados pelos problemas financeiros, não pretendem jogar. O treinador não sabe o que fazer diante da situação e nem tem argumentos para convencer os atletas para entrarem em campo.

Além do mês de salário que está prestes a ser acertado – com exceção do sexteto escolhido pela diretoria –, o Botafogo ainda tem muitas outras pendências com o elenco. O Alvinegro terá que batalhar para acertar dois meses de salários em carteira e seis de direitos de imagem. O clube também precisa recolher o FGTS.

Fonte: UOL

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