Desde a sua primeira passagem pelo Botafogo, em 2003, Jefferson já viu de tudo no clube. Dos momentos de aperto, quando o Glorioso não tinha dinheiro para a alimentação de seus jogadores durante a Série B daquele ano, à oportunidade jogada fora de botar o clube entre os grandes das Américas. O desastre de 2014, por sinal, foi decisivo para sua permanência no clube, e essa mancha o goleiro da seleção brasileira não quer em sua história pelo Botafogo.

Já são oito anos de Botafogo. Lembra detalhes da sua chegada, em 2003?

Eu confesso que fiquei assustado naquela época. Cheguei em 2003 e estava bem difícil em muitos aspectos. A gente conseguiu fazer um grande ano em meio a todas as dificuldades. Não havia dinheiro para pagar conta de luz, não tinha lugar para fazer pré-temporada, os salários ficavam atrasados. Não tinha dinheiro para fazer o café da manhã. Os jogadores pagavam do próprio bolso.

Não pensou em deixar o clube depois do que viu?

Sempre digo que, desde quando cheguei, não me via em outro clube. Quero fazer história. Quero chegar ao nosso estádio e ver minha foto ao lado dos outros ídolos, celebrando títulos. Esse é o meu foco. Fazer história.

Qual o tamanho da decepção do ano passado?

A decepção me fez ficar. Sabíamos que tínhamos time para brigar por tudo. No ano da Libertadores, pensamos: é o ano de patrocínios, de ter todas as condições para fazer história. O que a gente viu em 2014 não foi o Botafogo. Eu sei disso. Por isso eu renovei. Temos de dar, e vamos dar, a volta por cima agora.

A evolução do Botafogo foi por água abaixo?

Quando eu voltei, em 2009, o clube estava se reestruturando. O que mais me chateou foi que começamos a construir um Botafogo forte. Em meio as todas as dificuldades, entre 2010 e 2013, colocamos o clube brigando lá em cima. O Botafogo estava sendo respeitado. Corremos no campo, mas a parte fora das quatro linhas não ajudou em nada. O processo para voltar a esse patamar é difícil.

 

JX Rio de Janeiro (RJ) 26.02.2015 - Entrevista com o goleiro do Botafogo. JEFFERSON. Local:Estádio Olímpico João Havelange. Foto Marcelo Theobald/Extra/Agência O Globo.
JX Rio de Janeiro (RJ) 26.02.2015 – Entrevista com o goleiro do Botafogo. JEFFERSON. Local:Estádio Olímpico João Havelange. Foto Marcelo Theobald/Extra/Agência O Globo. Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

 

Sobre o novo processo de reconstrução, você está surpreso com este início de ano?

É claro que a gente não estava esperando. A realidade é essa. Tem que ser humilde e saber disso. Pelo trabalho, pelo grupo e pela diretoria nova a gente está plantando algo para a frente. Sabemos que o Estadual é difícil. Ainda tem muita coisa para acontecer, mas estamos no caminho certo.

Existe plano B caso o Botafogo não volte para a Série A?

Isso está fora de cogitação. Sabemos que será a Série B mais difícil dos últimos anos. Temos grandes adversários, como América-MG, Ceará, Bahia e Criciúma. Mesmo assim nós só pensamos em voltar para a Série A.

Dunga convoca quinta-feira para amistosos contra França e Chile. Está confiante?

Estou esperançoso para a convocação. Tenho todas as condições para assumir a titularidade da seleção. Estou tranquilo para isso e o Dunga sabe que pode contar comigo para vestir a camisa 1.

Qual defesa o marcou mais: o pênalti do Adriano, em 2010, ou do Messi, no ano passado?

São coisas diferentes. O Adriano repercutiu mais entre os torcedores do Botafogo. Do Messi, todos me parabenizaram na rua. As pessoas lembram dessa defesa até hoje. Como torcedor do Botafogo, eu igualo os dois em importância. A defesa do Adriano foi minha consolidação como goleiro de seleção. A defesa do Messi foi a confirmação de que posso ser titular da seleção brasileira.

Uma vitória sobre o Flamengo vale mais que vencer Fluminense e Vasco?

Pelo torcedor alvinegro, vale mais vencer o Flamengo. A rivalidade para nós vale muito.

Acredita em Maracanã dividido no clássico de hoje?

Os alvinegros este ano estão diferentes. Abraçaram a causa do Botafogo. Ainda estamos no início, mas a torcida do Botafogo vai comparecer em peso. Temos um time que mostra sua força dentro de campo e o torcedores ficaram surpresos com isso. Vão estar do nosso lado e vão lotar o Maracanã para ver uma grande vitória.

Ainda com três anos de contrato, pensa em continuar no clube após se aposentar?

Por enquanto, não, para não misturar as coisas. Depois que parar, se tiver a oportunidade para passar minha experiência, vou procurar ajudar como auxiliar ou preparador. Se tiver que ajudar o clube, estarei de braços abertos, mas não sei se tenho esse interesse no momento.

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Fonte: Extra Online