O Botafogo é um dos pioneiros do futebol brasileiro na luta contra o racismo. O clube de General Severiano teve o primeiro jogador negro campeão carioca, em 1907. Trata-se de Paulino de Souza, lateral-direito da equipe. Como a época acarretava um período lotado de preconceitos, o atleta e o Alvinegro passaram por problemas para chegar à glória.

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Em maio de 1907, a Liga Metropolitana de Sports Athleticos, que cuidava das competições esportivas do Rio de Janeiro na época, afirmou que não aceitaria registros de jogadores negros no Campeonato Carioca. Era a segunda edição de sua história.

Um sócio benemérito do Botafogo não aceitou a decisão e afirmou, mesmo com a medida, que não deixaria de escalar Paulino de Souza, um dos laterais do Alvinegro, caso precisasse. Dito e feito, já que o defensor atuou na campanha do Estadual de 1907.

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No final das contas, Paulino de Souza faria história, sendo parte do elenco do primeiro título do Botafogo. Além disto, também foi o primeiro jogador negro a conquistar o troféu do Campeonato Carioca. O polêmico troféu de 1907, que foi dividido com o Fluminense no tribunal anos depois, ficou marcado em General Severiano. Paulino, por sua vez, como um marco à luta contra o racismo no futebol.

Em 1907, vale ressaltar, Botafogo e Fluminense terminaram empatados em número de pontos no Campeonato Carioca. O Tricolor se intitulou campeão, mas o Alvinegro afirmou que não havia regulamento à época que justificasse o critério de desempate por saldo de gols, dando a sugestão de fazer uma final em jogo único, o que fora recusado pelo clube das Laranjeiras. Em 1996, foi decidido que o título seria dividido entre os dois rivais.

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Luta contra o racismo

Em 2014, em uma partida contra o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã, o Botafogo “quebrou o estatuto”, e entrou em campo com a camisa tendo a lista central da cor branca – tradicionalmente, ela é preta. Foi de propósito.

O clube quis passar o seguinte recado: “Se você não percebeu a camisa invertida, é porque a cor não faz a menor diferença”. Após a execução do hino nacional, os jogadores colocaram a camisa tradicional, com a listra central da cor preta, e a bola rolou.

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– Nosso objetivo é convocar a torcida, não só a do Botafogo, mas todas as torcidas do mundo, para vestirem a camisa da luta contra o preconceito racial no esporte – afirmou Maurício Assumpção, então presidente do Botafogo, sobre a ação, em 2014.

Fonte: Terra
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