As Sociedades Anônimas Desportivas, adotadas com sucesso em Portugal, têm sido cogitadas como um modelo de mudança de gestão no Botafogo. A família Moreira Salles estuda possibilidades de transformação do departamento de futebol. A aprovação de um modelo parecido com o português no Brasil permitira a separação do futebol alvinegro com a criação de uma sociedade anônima de futebol. Portugal tem mesmo bons exemplos assim.

A temporada 2018/2019, no entanto, registra uma trágica relação entre a sociedade anônima desportiva que gerencia o futebol do Belenenses e o tradicional clube do estádio do Restelo, próximo ao mosteiro dos Jerônimos e à Torre de Belém.

No início da temporada, desavenças entre a SAD e a direção do Belenenses produziram a separação das duas instituições. O C.F. os Belenenses montou uma equipe amadora, inscrita no torneio distrital de Lisboa, equivalente à sexta divisão de Portugal. Enquanto isso, a sociedade anônima manteve seu status na primeira divisão portuguesa, mas sem o direito de usar os símbolos tradicionais do Belenenses nem o estádio do Restelo.

Na sétima colocação de Portugal, o Belenenses disputa a atual temporada no estádio Nacional do Vale do Jamor. Registra média de público pouco superior a mil torcedores por rodada.

Com o apoio da maior parte da torcida, o Belenenses joga a sexta divisão com 5 mil torcedores, em média.

Não há, neste momento, perspectiva de união entre as duas diretorias. No início da crise, em julho do ano passado, a sociedade anônima argumentava que a diretoria do clube estava fora da realidade e que o Belenenses manteria sua trajetória de crescimento das últimas épocas. Desde o acesso, em 2013, o Belenenses ocupou a décima quarta posição, a nona colocação em 2016 e a sexta posição em 2015. Neste século, apenas duas vezes a classificação foi superior, em 2002 e 2007, quando os azuis do Restelo terminaram em quinto. O Belenenses é um dos cinco times a vencer o Campeonato Português ao menos uma vez. Ganhou em 1946. Os outros são Benfica, Porto, Sporting e Boavista.

O modelo português das sociedades anônimas desportivas é bom e deve ser adaptado ao Brasil. O ponto é que nenhuma relação sobrevive aos sobressaltos da política mesquinha. Nem mesmo os mais modernos modelos de gestão do futebol mundial.

Fonte: Blog do PVC - UOL