Todos nós sabemos como o Botafogo alcançou resultados expressivos desde o dia em que Jair Ventura assumiu o comando da equipe. Não foi por ter um excelente time, muito menos por ter um planejamento irretocável. Esse grupo do Botafogo deu certo quando assumiu uma forma específica de jogar, entrou em campo determinado a cumprir rigorosamente o que foi pedido e teve um jogador correndo pelo outro desde sempre.

A partir daí, fica fácil entender porque o Alvinegro fez sua pior partida em muitos meses – mais especificamente, desde os últimos suspiros de Ricardo Gomes no comando da equipe. Um time disperso, preguiçoso, mole e muito espaçado em campo permitiu com que o Grêmio – que fez um ótimo jogo – saísse com um 2 a 0 no placar e ainda achando pouco. Poderia, sim, ter sido de mais.

Não sei o que aconteceu com nosso time. O fato é que não repetimos, em nenhum momento, aquele futebol intenso, dedicado e compacto que nos levou da zona do rebaixamento à grandes momentos na Libertadores. Aliás, falando nisso, faltou exatamente o espírito que tivemos nos principais jogos do torneio sulamericano. O Bota entrou dormindo e só não tomou de mais porque Gatito esteve inspirado e o adversário desperdiçou algumas chances claras.

O lado bom é que essa é apenas a primeira rodada de trinta e oito. Não é, ainda, motivo para desespero; muito menos para querer dispensar meio time e contratar de qualquer jeito – leia-se: gastando R$ 250 mil/mês em nomes como Neílton. Vamos manter a tranquilidade, reorganizar o time e reforçá-lo bem dentro das possibilidades. Jair tem o grupo na mão e saberá lidar com essa dura derrota.

Agora é hora de juntar os cacos, recuperar as energias e ir com tudo para a decisão de quinta-feira na Libertadores. A classificação ainda está em nossas mãos, resta segurá-la com todas as forças. A melhor forma de responder a um jogo como o de hoje é fazendo outro totalmente diferente. Estivemos muito abaixo do razoável na estreia do Brasileirão, mas eu acredito na reviravolta.

Notas

Gatito: 8,5
Se não fosse por ele, teríamos levado uma goleada histórica. Fez diversas defesas difíceis, inclusive no lance do gol.

Emerson Santos: 4
Muito mal na marcação e no apoio. Se não tem cacuete para atacar, não tem motivos para ficar tão avançado. Mal consegue acertar um passe de 5 metros, mas insiste em ouvir seu empresário e pedir uma fortuna na renovação.

Marcelo: 5
Não cometeu falhas graves, mas foi envolvido pelo Grêmio como todo o time. Precisa tomar cuidado com as faltas, hoje quase cometeu um pênalti bobo ao ser driblado na lateral da área.

Igor Rabello: 5
Assim como o companheiro de zaga, não teve erros individuais gritantes, apesar de não ter dado conta de anular o ataque adversário.

Victor Luis: 5,5
Se apresentou muito, como de costume, e fez algumas boas jogadas. Ainda assim, como todo o time, esteve bem abaixo do seu nível habitual. Vacilou ao tomar bola nas costas no 1º gol.

Airton: 5
Não fez bom jogo. Esteve mal na proteção à zaga e na saída de bola, sempre lento e atrasado. Nas poucas vezes em que vai mal, o time acaba sentindo muito.

João Paulo: 6,5
Apesar de também ter errado muito, foi quem mais se apresentou para o jogo. Lutou bastante, marcou e assumiu o papel de criação diante da omissão de Camilo.

Bruno Silva: 3,5
Em solidariedade ao melhor amigo, barrado, decidiu também não entrar em campo. Inacreditável a forma como passeou em campo e parecia estar pensando em qualquer coisa, menos no Botafogo. Atuação deprimente. Além disso, mais uma vez mostra irresponsabilidade ao chutar a bola no árbitro. Tem papel importante no time e precisa colocar a cabeça no lugar.

Rodrigo Pimpão: 4
Muita transpiração e pouca inspiração. Parece não conseguir mais emplacar o mesmo ritmo do início de temporada, quando chegou voando. Como a intensidade e a voluntariedade são suas principais características, acaba tendo sua atuação comprometida quando não impõe seu ritmo.

Camilo: 3,5
Mais uma atuação desastrosa. Parece nem reconhecer mais o que é uma bola de futebol. Cadê o futebol competitivo e de qualidade de quando chegou ao Botafogo no ano passado?

Roger: 5
Sozinho contra toda a zaga do Grêmio, lutou em vão. Quase fez um bonito gol, mas foi pouco acionado e participou pouco da partida.

Guilherme: 5,5
Entrou e melhorou a mobilidade do time, mas não o suficiente para assustar o adversário.

Gilson: 5
Como extremo, tentou dar mais opções pelo lado esquerdo. Embora não tenha produzido muito, foi quem mais levou perigo ao gol adversário ao acertar um chute forte na trave.

Joel: 4
Entrou e pouco encostou na bola. Um encosto no elenco, além de ter um salário altíssimo pro que produz. Sua contratação merecia explicações.

Jair Ventura: 5
Optou pela estratégia certa, mas o time não entrou em campo. Sem a competitividade demonstrada na Libertadores e a frieza da arrancada do Brasileirão passado, a fragilidade do elenco fica exposta. Não tem boas opções no banco para tentar mudar o panorama de um jogo. No mais, segue muito estranho o fato de sequer levar no banco os jovens Yuri e Renan Gorne – são melhores que os nomes relacionados hoje.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC