Calendário apertado, intensidade de jogos, competições simultâneas e intervalo curto entre partidas. Estes são alguns dos ‘problemas’ que os clubes brasileiros precisam enfrentar para deixarem seus atletas bem condicionados para atuarem em alto nível e alcançarem resultados durante o ano. O Botafogo, que tem como uma das principais características de sua equipe a entrega física em campo, olha com carinho e zelo para a parte que diz respeito ao condicionamento de seus jogadores.

É muito comum olhar somente para o gramado e observar as atividades dentro das quatro linhas. No entanto, há outros departamentos envolvidos para que se coloque um jogador nas melhores condições e permita uma resposta satisfatória. O preparador físico Felippe Capella explicou como funciona este trabalho integrado no Glorioso e fez questão de valorizar seus companheiros de outras áreas, uma vez que Nutrição, Fisioterapia e Fisiologia, por exemplo, têm papéis fundamentais para aumentar o desempenho do elenco alvinegro.

– Acreditamos que o mérito nunca é individual, sempre coletivo. Sem essa forma integrada, não teríamos êxitos como tivemos. A equipe jogou 32 partidas de forma intensa, com um número reduzido de lesões musculares. Todos os departamentos contribuem. A Fisiologia levanta os números, a quantificação de carga, se é necessário aumentar ou diminuir o treino. A Nutrição ajuda no ganho de massa e otimiza com suplementos o tempo de recuperação dos atletas. A Fisioterapia recupera o jogador a curto prazo e faz um trabalho preventivo em conjunto com a preparação física. Então o Botafogo desenvolve muito bem essa parte transdisciplinar, acho que é o nosso grande ponto forte – disse.

Com o Campeonato Brasileiro paralisado por conta da Copa do Mundo, a equipe realiza uma inter-temporada no Estádio Nilton Santos, que terá, ao todo, 27 sessões de treinamentos. Capella comentou as diferenças entre uma preparação feita no início de uma temporada em relação às atividades feitas na metade do ano. O tempo maior de preparação e recuperação de desgastes foram citados como pontos importantes pelo profissional.

– Tem uma diferença. A começar pelo tempo. No início do ano tivemos 12 dias de atividades, com os atletas vindo de um mês de inatividade. Agora temos o dobro de tempo para trabalhar, com um período inativo bem menor em relação ao começo da temporada. Então podemos realizar um trabalho com mais tranquilidade, permitindo qualificar mais as sessões de treinos, sem ter que acelerar processos, nem pular etapas para o recondicionamento e prevenção de lesões – frisou.

No mais, a interação do preparador físico com o treinador foi destacada por Capella para que haja uma performance positiva. Por sua vez, elogiou o início de Marcos Paquetá, novo técnico alvinegro, e contou como acontece o trabalho agregado, citando a forma dinâmica e exigente do comandante no ponto de vista físico.

– São duas situações: uma é entender o modelo de jogo do treinador e condicionar os atletas para o que vai ser exigido durante a partida. Outra é a metodologia diária de trabalho do técnico. Agora, com o Paquetá, por exemplo, os treinos são bem condicionantes no aspecto físico. Entendemos que são treinos de alto nível e exigências físicas. Então procuramos focar mais nos trabalhos neuromusculares, ganho de força, preventivo. Isso já facilita a preparação física, uma vez que hoje o treinador se preocupa também em trabalhar a parte física, não somente a parte técnica – finalizou.

Fonte: Site oficial do Botafogo