O Botafogo conseguiu, nesta segunda-feira, aval da Prefeitura do Rio de Janeiro para chamar o estádio Engenhão de Nilton Santos – uma homenagem ao lateral esquerdo que atuou pelo Alvinegro durante toda a sua carreira e também brilhou com a seleção brasileira. Após campanha reforçada pelo presidente alvinegro Carlos Eduardo Pereira, Eduardo Paes aceitou o pedido para dar um novo “nome fantasia” à arena.

Esse aval, no entanto, muda pouca coisa. O nome oficial do estádio construído para o Pan-Americano de 2007 continua como Estádio Olímpico Municipal João Havelange, uma decisão do então prefeito Cesar Maia e que não será modificada. A mudança é comemorada pela diretoria do Botafogo.

O pleito do Botafogo era ter autorização para “oficializar” a homenagem, em uma espécie de novo apelido da arena que ficou conhecida popularmente como Engenhão, por estar localizada no Engenho de Dentro, bairro da Zona Norte do Rio.

“O Botafogo não entrou com pedido para mudar o nome oficial. Mas para usar o nome fantasia, como está previsto na concessão. O Botafogo está mais do que satisfeito com o resultado final e não vai tentar mudar o nome oficial”, avisou o presidente Carlos Eduardo Pereira ao UOL Esporte.

A torcida do Botafogo apoia a decisão do cartola e já se refere à casa do clube como “Niltão”. O Alvinegro, através de seu site oficial e das redes sociais, também trata o estádio como “Nilton Santos”.

“A voz da torcida é o que interessa. O nome Nilton Santos já pegou. Por isso, não vemos necessidade de mudar o nome oficial”, complementou Pereira. “Se no fim da concessão, o prefeito quiser mudar de novo, tudo bem. Enquanto estiver com o Botafogo, será Nilton Santos”.

Após quase dois anos interditados por problemas na cobertura, o Engenhão, ou estádio Nilton Santos, reabriu para partidas oficiais no último sábado, quando o Botafogo goleou o Bonsucesso por 4 a 0, pela terceira rodada do Campeonato Carioca.

Nilton Santos

Lateral esquerdo de sucesso, ele vestiu a camisa do Botafogo entre 1948 a 1964, quando encerrou sua carreira. A estrela solitária foi o único clube que defendeu – foram 729 jogos. A seleção brasileira é outro caso de identificação. Foram 75 partidas e quatro Copas do Mundo (1950, 54, 58 e 62). Foi eleito pela Fifa o maior lateral esquerdo do século e ganhou o apelido de Enciclopédia do futebol.

Com idade avançada, Nilton Santos foi diagnosticado com Alzheimer e, sem dinheiro e família, contou com ajuda de botafoguenses apaixonados para ter um fim de vida digno. Thiago Cesário Alvim, que concorreu nas últimas eleições presidenciais, era um que estava sempre presente e fazia de tudo para homenagear o ídolo. O eterno camisa 6 era visitado por jogadores atuais do Botafogo, que levavam taças de competições conquistadas pelo clube. Um amor correspondido até 27 de novembro de 2013, quando o ídolo morreu.

Fonte: UOL