Para uma cidade cujo nome faz referência à padroeira do Brasil não deveria ser uma surpresa a ocorrência de um milagre. Mas a vitória do Aparecidense sobre o Botafogo pela primeira fase da Copa do Brasil deixou até os mais otimistas e fiéis torcedores do clube de Aparecida de Goiânia sem acreditar no que se passara no campo de um acanhado estádio na região metropolitana da capital goiana.

– Foi uma grande surpresa. O Botafogo nos respeitou, mas fomos superiores. A torcida não queria ir embora do estádio. As pessoas não podiam acreditar que o Aparecidense tivesse eliminado um dos gigantes do futebol brasileiro – contou ao EXTRA Wilson Queiroz, presidente do clube Goiano.

A fé move o cerrado, e a sensação de um Davi derrotando um Golias passa longe de ser um clichê futebolístico com versículos bíblicos. Fundado em 1985, o Aparecidense ainda guarda aquele toque amador que resiste na gestão em boa parte do futebol no interior do país. A folha salarial bate R$ 350 mil, gastos com um elenco de 31 atletas e a comissão técnica. O Golias alvinegro carioca, por sua vez, tem uma folha cerca de dez vezes maior.

A estrutura ainda é precária. O clube não tem centro de treinamento, e o seu estádio, Anníbal Batista de Toledo, comporta 8 mil pessoas. A oferta de lugares pode parecer pouca, mas o estádio raramente está cheio. A média de público ronda a casa dos mil torcedores. E muitos deles têm o Aparecidense como segundo time, como o cantor sertanejo Leonardo, que volta e meia aparece no “Annilbão”.

– A maioria torce pelo Goiás ou um clube de outro estado. Mas isso está mudando. Estamos investindo em crianças e adolescentes e já vemos muitos deles tendo o Aparecidense como o seu time de coração, não querem saber de outro. No dia seguinte à vitória sobre o Botafogo, a cidade foi tomada por pessoas exibindo a camisa do clube por todos os lados. Isso me anima – disse Queiroz.

O presidente é um símbolo de uma estrutura que fica devendo até para os grandes de Goiás. Trabalhando como tabelião, Queiroz dedica as horas vagas ao Aparecidense.

– É uma atividade meio amadora. No tempo livre, venho para cá. Em vez de descansar em casa, eu estou aqui cuidando do clube. A família não gosta muito, é claro, mas é o jeito – comentou o dirigente, de 32 anos, ainda tomado pela adrenalina que o fez dormir quase no amanhecer da quarta-feira.

O discurso é pé no chão, mas Queiroz não abre mão da ideia de que, após derrubar um grande do Rio, o céu é o limite para o Camaleão, com o Aparecidense também é conhecido.

– Até 2010, estávamos na Segunda Divisão do Campeonato Goiano. A partir de então passamos a ter relevância estadual e fomos vices goianos em 2015. Nosso objetivo é chegar à Série B do Brasileirão em até três anos. Mas depois da vitória sobre o Botafogo, por que não sonhar? O vencedor da Copa do Brasil vai à Libertadores, né?

Na próxima fase da Copa do Brasil, o Aparecidense enfrentará o Cuiabá (MT). Se avançar, terá pela frente Náutico (PE) ou Fluminense de Feira de Santana (BA).

– Podemos passar por todos eles, estamos em boa fase. Depois, devemos ter um time grande pela frente. Mas já vencemos o Botafogo, né? Vamos em frente até onde der – finalizou Queiroz.

Fonte: Extra Online