Ao mesmo tempo em que as redes sociais, por exemplo, parecem encurtar distâncias, o hiato provocado pelo espaço virtual afasta fisicamente fãs e apaixonados por causas e instituições. No caso do futebol brasileiro, um silencioso e perigoso processo de elitização se espalha com o apoio de grandes redes, excluindo o interior dos estados e deixando cada vez mais longe o torcedor dos municípios interioranos dos clubes das capitais. O exemplo é o Campeonato Carioca, cada vez mais massacrado pela grande mídia, proporcionando a perigosa — e equivocada — sensação de que não há outro rumo a não ser decretar a sua extinção.

Dentro desse contexto, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco deixaram de priorizar o interior do Rio de Janeiro, respaldados por uma série de dificuldades impostas para que esses quatro grandes clubes possam jogar fora da região metropolitana. Exceções, Volta Redonda e Macaé parecem ser praças saturadas. A presença dessas equipes no interior poderia também ser positiva para clubes como o próprio Friburguense, não só nas questões financeira e de exposição, como também na criação de uma identidade do torcedor de Nova Friburgo com os demais municípios e suas respectivas instituições. Contudo, em meio ao turbilhão, há uma luz no fim do túnel.

No feriado de Tiradentes, no último dia 21, um grupo de amigos friburguenses apaixonados pela Estrela Solitária, que compõem o movimento “Abrace o Botafogo”, recebeu o presidente do alvinegro carioca, Carlos Eduardo Pereira. Cerca de 100 torcedores esgotaram os ingressos disponíveis para o evento, e promoveram uma bela recepção em um complexo esportivo localizado no bairro Olaria. Solícito e sem se esquivar de nenhuma pergunta, Carlos Eduardo permaneceu por cerca de quatro horas ao lado dos torcedores.

O presidente alvinegro fez um balanço da atual situação do clube carioca, passando pelo cenário que encontrou no final de 2014, as negociações com os credores, o difícil quadro financeiro, a segunda divisão nacional e a reação dentro de campo até chegar à atual campanha na Libertadores da América, onde o Botafogo lidera o considerado “grupo da morte” de forma invicta. À reportagem de A VOZ DA SERRA e aos demais colegas da imprensa local presentes, Carlos Eduardo Pereira expôs a opinião própria e a posição do clube sobre o futebol carioca e o campeonato estadual.

“O Campeonato Carioca é fundamental para nós. É o nosso estado, e os clubes de menor investimento devem ser valorizados. São clubes formadores, e possuem uma capilaridade que vai muito além do que os clubes da capital conseguem atingir. Deve ser sempre uma prioridade da Federação atender esses clubes, realizar campeonatos que permitam a eles ter uma constância nas atividades durante o ano. Neste ano, foi feita uma tentativa de aumentar o número de clássicos. Infelizmente, parece que os resultados não foram os melhores. Isso tudo está sendo analisado. Ano que vem teremos um campeonato melhor”, acredita Carlos Eduardo Pereira.

Com visão diferenciada sobre o interior do Rio de Janeiro, na comparação com outros dirigentes de grandes clubes do país, Carlos Eduardo abre as portas do clube da Rua General Severiano para novos eventos e jogos em Nova Friburgo. O grupo Abrace o Botafogo, inclusive, propôs o estudo da viabilidade de jogo de basquete, vôlei e até mesmo uma futura pré-temporada.

“Eu mesmo sou morador de Itaipava (distrito de Petrópolis) e vejo que é muito importante o clube interiorizar as suas ações. O morador das cidades do interior está bem próximo da capital, e é importante que a gente leve o clube até ele, e não fique em uma situação passiva. Então, esses eventos vão se reproduzir, e clube tem o interesse de estar cada vez mais próximo dos torcedores. Eu acho que é um reconhecimento do clube por esse grupo fantástico, que vem realizando grandes eventos e grandes mobilizações na região serrana. Temos um calendário muito rigoroso, o Botafogo vive um ano de grandes competições. A Libertadores tem sido um grande sucesso de público, sempre reunindo entre 30 ou 32 mil pessoas em nosso estádio. E existe a questão de prestigiar o sócio torcedor que compra os planos. Mas, eventualmente, em amistosos ou a presença da equipe na cidade pode ser considerada, é só uma questão de oportunidade”, avalia Carlos Eduardo.

Praça Nilton Santos?

Botafoguenses declarados, o vice-prefeito, Marcelo Braune, e o secretário de Turismo de Nova Friburgo, Wilton Neves, marcaram presença no evento e buscaram estreitar os laços do município com o alvinegro carioca. Durante o discurso de Braune, inclusive, foi destacada uma curiosidade que pode render frutos num futuro próximo: o lateral esquerdo Nilton Santos, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira e multicampeão pelo Botafogo – único clube que defendeu na carreira – nasceu no mesmo dia do aniversário de Nova Friburgo (16 de maio). Prontamente, a esposa do presidente alvinegro fez a sugestão de batizar uma praça de Nova Friburgo com o nome do ex-jogador, conhecido como a Enciclopédia do Futebol Mundial.

“Seria muito interessante e marcante. Vamos tentar realizar isso, e pelo Botafogo, está tudo certo. Caso a cidade concretize, iremos viajar até aqui para fazer uma grande festa em um momento que seria muito especial”, prometeu Carlos Eduardo Pereira.

Fonte: A Voz da Serra