Primo de Jobson ressalta apoio da família no Pará: ‘Todo dia tem uma peladinha’

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No dia 24 de abril, a FIFA confirmou a medida tomada pela comissão de antidopagem da Arábia Saudita, que á havia suspendido o atacante Jóbson, pela jurisprudência local, devido a recusa de realizar o exame antidoping, quando atuala pelo Al Ittihad, e puniu mundialmente o jogador com quatro anos de suspensão, proibindo de frequentar qualquer atividade desportiva de forma oficial. Imediatamente, os advogados do jogador, que é representado pelo Dr. Marcos Motta e Bichara Netto, entraram com um pedido junto a FIFA de apelação, com intuito de obter efeito suspensivo, para que assim Jobson tivesse condições de ter atuado nas finais do Campeonato Carioca. A medida não surtiu efeito e Jobson ficou de fora dos jogos com o Vasco no Maracanã.

Até o momento não houve resposta da FIFA sobre o caso, mas existe uma luz no fim do túnel. Houve uma anulação de julgamento em 2ª instância, ocorrido na Arábia Saudita. Ficou comprovado que todo processo ocorreu a revelia do jogador, que nunca foi citado para se defender. Diante desse fato, houve a reabertura do prazo para o recurso na Arábia Saudita, que possibilita a defesa do atleta. Os aspectos serão levados pela defese de Jobons para a FIFA, a Corte Arbitral do Esporte e a Justiça Saudita. A defesa analisa que o processo ocorreu de forma equievocada em relação aos quesitos internacionais de controla antidopagem, como explica o Dr. Bichara Netto.

“Jobson vem brigando em várias frentes contra essas decisões. Recentemente houve realmente essa decisão da Federação Saudita, que anulou a decisão que aumentou para oito anos a suspensão dele. Observaram uma série de falhas do recurso. Mas, ainda assim, permanece em vigor a suspensão para quatro anos. Estamos confiantes de que em algum momento vamos reverter essa decisão, mas é uma briga longa, desgastante.”

O Botafogo, clube onde Jobson tem contrato até o próximo dia 24 de junho, tem arcado com as custas do processo. O vice de futebol Antonio Carlos Mantuano, garante que o clube está dando total apoio ao jogador.

“Continua com todo apoio que o Botafogo tem dado, desde que surgiu a situação que veio da FIFA. Os advogados estão correndo atrás. O que o clube puder fazer pelo Jobson vai fazer, como tem feito até hoje. Espero que tenhamos um final feliz, sabemos que não é fácil, mas vamos brigar ate o último momento para que possamos ter um resultado favorável e o Jobson possa estar reintegrado ao elenco.”

Além do lado financeiro, o Botafogo ajuda na parte psicológica com o chamado coaching, função desempenhada pelo profissional Paulo Serrano e a manutenção da preparação física supervisionada pelos preparadores Felippe Capella e Emilio Faro.

“Jobson continua tendo uma atenção especial, temos o nosso coaching, que dá plena assistência, tanto na parte psicológica como também na parte física, para o jogador se manter em forma.”

Paulo Serrano foi contratado por indicação de René Simões. O profissional prefere não aparecer e trabalhar nos bastidores também por determinação do Botafogo. O treinador explica a função do coaching

“Como é uma função nova no futebol, no mundo corporativo, o coaching vem ganhando cada vez mais espaço. O Paulo faz um trabalho excepcional. Devemos muito a ele todo o desenvolvimento do trabalho. Ele não chega a nenhum jogador, o atleta que tem que chegar a ele. Hoje ele assumiu essa responsabilidade. Tem o lado que a gente se preocupa com ele, que estava fazendo tudo certo e recebeu essa pancada. A gente tem que ter cuidado para que o Jobson não retorne, ele está em uma trilha, que tem decisões que ele toma. Agora a gente tem medo de que ele fuja dessa trilha. Acredito que o Paulo vai ter cuidado especial com ele, eu agora vou me envolver um pouco mais. Isso é uma grande oportunidade para todo mundo encarar o seguinte, olha o preço que se paga por momentos pequenos, tão ruins.”

A reportagem da Super Rádio Tupi procurou a palavra de um especialista. Paulo Ribeiro, psicólogo com experiência de 28 anos, entre o Vasco e Flamengo, e teve como maior desafio trabalhar com Adriano Imperador. Paulo Ribeiro fala da importância da psicologia nesse momento em que Jobson vem atravessando longe dos gramados.

“A vida de um atleta é de curta duração, por conta de alguma contusão, por uma serie de situações que podem abortar uma carreira. As drogas são uma dessas situações. Como tudo na vida, existem bônus e ônus. O Jobson já conseguiu colher bônus na vida, e como outros atletas, não soube aproveitar. As palestras que lhe foram oferecidas sobre drogas, doenças sexualmente transmissíveis, contrato de trabalho, hoje tem que ser relembrados a ele. Mostrar ao atleta que as situações pelas quais passa, são frutos das desordens que foram produzidas anteriormente por ele mesmo, pelo meio que ele circula. É necessário que ele entenda de uma maneira definitiva de que não valeu a pena. Hoje esse bloqueio que ele tem, de não poder atuar é fruto do que ele colheu no passado. Essa situação tem que servir de exemplo no futuro.”

Paulo Ribeiro fala o quanto é importante a ajuda da família.

“É de fundamental importância. A família tem que ter participação total. Uma questão importante é de que os “Jobsons” não podem participar de nenhuma atividade que seja de disputa, mas podem continuar se mantendo dentro de um treinamento físico, a atividade por si só já te proporciona uma carga de hormônios que ajudam na motivação. Minha dica é de que Jobson continue trabalhando, se dedicando, não perder a parte física. É preciso que ele faça um acompanhamento psicológico.”

No Rio de Janeiro, sem poder frequentar o clube, a rotina de Jobson se tornou a reclusão em condomínio onde mora na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Para ficar mais perto da família, o atleta está nesse momento na terra natal, em Conceição do Araguaia, no Pará, ao lado da mãe Lourdes, amigos e do primo Marcelo, considerado um irmão. Marcelo fala como está sendo o convívio e a ajuda da família.

“Estamos cuidando dele, agora mais do que nunca ele precisa da gente. Fico chateado por ele não pode jogar futebol, que é o que ele mais gosta. Ele está doido para voltar para o Rio de Janeiro, para jogar. Minha família está toda junta, ajudando ele. O pessoal do Botafogo também está dando total apoio. Ele mudou, é um menino de ouro, todo mundo erra, mas sempre tem uma esperança. Aqui a gente tem uns amigos que jogam. Todo dia tem uma peladinha, ele joga sempre para não ficar sem ritmo.”

Marcelo afirmou que Jobson está confiante em voltar a jogar.

“Ele está confiante, fala que não vai dar em nada, pois não errou. O pessoal do Botafogo também está ajudando muito, sabem que ele não errou.”

O primo fala como foi a reação da família quando receberam a notícia da punição.

“Quem recebeu a primeira mensagem fui eu. Acordei o Jobson já chorando. Avisei que ele não ia jogar a final pelo caso da Arábia Saudita. Ele me abraçou e falou para não chorar que a gente ia dar a volta por cima. Ele é novo, e agora mais do que nunca sabe que tem que matar um leão por dia. Nos primeiros dias ele ficou bem abatido, mas depois deu para melhorar. Estamos fazendo de tudo para ele não se abater.”



Fonte: Super Rádio Tupi
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